INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

 

Microfinanças e microcréditos

 

 

Nas últimas décadas, os conceitos de microfinanças e microcrédito entraram na ordem do dia de analistas e pesquisadores. Na realidade, o microcrédito é um dos produtos financeiros das microfinanças, que podem ser caracterizadas pela oferta de serviços financeiros à população de baixa renda. O Brasil, a despeito de sua importância econômica, possui um mercado de microcrédito produtivo ainda pouco desenvolvido. Estima-se que cerca de 2% da demanda potencial seja atendida com o atual volume de operações. Lauro Emilio González da Silva, professor da FGV-EAESP, reúne obras que analisam aspectos teóricos fundamentais e experiências em microfinanças que podem contribuir para a adoção de modelos de negócios adequados à realidade brasileira.

 

 

THE ECONOMICS OF MICROFINANCE. Beatriz Armendáriz de Aghion e Jonathan Morduch. Cambridge, MA: The MIT Press, 2005. 346 p.

O livro não somente sistematiza o arcabouço teórico necessário à discussão das microfinanças, mas dis-cute diversas experiências práticas que permitem vislumbrar o ajuste da teoria ao mundo real. Partindo da problemática do mercado de crédito tradicional, os autores expandem a abordagem para o caso dos pequenos e microempreendedores. Sobressaem os problemas de falta de garantia e altos custos de transação para essas classes de empreendedores. Dentre outros tópicos relevantes, o livro discute a importância do empréstimo em grupo como mecanismo de redução da inadimplência esperada.

 

 

DO MICROCRÉDITO ÀS MICROFINANÇAS. Cristina Tauaf Ribeiro e Carlos Eduardo Carvalho. São Paulo: Editora PUCSP, 2006. 210 p.

Este livro permite ao leitor iniciante adentrar o mundo das microfinanças sem perder a profundidade necessária à análise do caso brasileiro. O desafio nacional é implementar o amplo conceito de microfinanças, que não se limita às operações de microcrédito. Nessa linha, os autores reforçam a importância do acompanhamento de métricas de desempenho financeiro e a necessidade de, a longo prazo, haver menos dependência de fontes de financiamento subsidiadas.

 

 

A BILLION BOOTSTRAPS: Microcredit, Barefoot Banking and the Business Solution for Ending Poverty. Philip Smith e Eric Thurman. New York: McGraw-Hill, 2007. 310 p.

Este livro tem como principal mérito apresentar uma visão das microfinanças que, apesar de panorâmica, explicita as principais razões pelas quais o microcrédito pode ser considerado um mecanismo efetivo, quiçá o maior, para a redução da pobreza em diversos países. Fica, é verdade, uma impressão de ingenuidade de que a pobreza pode ser simplesmente combatida por meio de princípios econômicos elementares. Entretanto, o livro contribui para sepultar de vez projetos de combate à pobreza meramente assistencialistas.

 

 

O BANQUEIRO DOS POBRES. Alan Jolis e Muhammad Yunus. São Paulo: Ática, 344 p.

Yunus é o maior ícone das microfinanças no mundo, tendo sido, recentemente, agraciado com o prêmio Nobel da Paz. Sua história funde-se com a do banco Grameen. O livro relata exatamente essa história. O Grameen se desenvolveu fundamentalmente com o fornecimento de crédito direcionado à produção, em um típico mecanismo de auto-assistência. Isso ajudou cerca de 12 milhões de cidadãos de Bangladesh, em torno de 10% da população do país, a saírem da pobreza.

 

 

THE NEW WORLD OF MICROENTERPRISE FINANCE: Building Healthy Financial Institutions for the Poor. Maria Otero e Elisabeth Rhyne. West Hartford, CT, USA: Kumarian Press, 1994. 318 p.

Otero e Rhyne são parte integrante da "nata da comunidade das microfinanças", tendo grande experiência na implementação de programas em vários países. Neste trabalho, destaca-se, sobretudo, o modelo de avaliação de programas de microfinanças e a discussão acerca do papel do arcabouço legal para o desenvolvimento de produtos financeiros voltados para baixa renda. Os estudos de caso empregados são bastante elucidativos, ainda que limitados no que diz respeito à aplicabilidade ao caso brasileiro.