ARTIGOS

 

Ambiguidade e consequências futuras doscomportamentos éticos: estudo intercultural

 

Ambiguity and the implications for the future of ethical behavior: an intercultural study

 

Ambigüedad y consecuencias futuras de los comportamientos éticos: estudio intercultural

 

 

Manuel Portugal FerreiraI; Cláudia Frias PintoII; João Carvalho SantosIII; Fernando A. Ribeiro SerraIV

IProfessor do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração, Universidade Nove de Julho - São Paulo - SP, Brasil. manuel.portugal.ferreira@gmail.com
IIMestranda em Gestão de Projetos pelo Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Nove de Julho - São Paulo - SP, Brasil. claudia.frias.pinto@gmail.com
IIIProfessor do Instituto Politécnico de Leiria e globADVANTAGE,Center of Research in International Business & Strategy - Leiria, Portugal. joao.santos@ipleiria.pt
IVProfessor do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração, Universidade Nove de Julho - São Paulo - SP - Brasil. fernandoars@uninove.br

 

 


RESUMO

Os comportamentos de ética empresarial têm sido questionados, com os recentes escândalos econômico-financeiros e as práticas de empresas e trabalhadores. Neste estudo, baseado em dados recolhidos por questionário, comparamos as perceções de ética de estudantes portugueses (N=109) e brasileiros (N=190) de Administração, expostos a um conjunto de cenários de ética e aceitabilidade de práticas comerciais, diante de duas dimensões culturais: a tolerância à ambiguidade e a antecipação das consequências futuras. Os resultados mostram diferenças significativas entre os brasileiros e os portugueses nas três dimensões, sendo os brasileiros mais tolerantes à ambiguidade e mais conscientes das consequências futuras dos seus atos, mas com maior propensão a comportamentos menos éticos. A perspetiva de ganhos mais imediatos parece sobrepor-se à incerteza e aos riscos a médio e longo prazos que a prática de comportamentos menos éticos pode acarretar. Concluímos com uma discussão ampla e pistas para investigação futura.

Palavras-chave: Ética empresarial, consequências futuras, tolerância à ambiguidade, propensão a comportamentos éticos.


ABSTRACT

The ethicality of business behaviors has been under scrutiny with the recent financial scandals and corporate and employees' practices. In this study, based on data collected by survey, we compare the ethical perceptions of Portuguese (N=109) and Brazilian (N=190) business students, given a set of scenarios presenting unethical business and commercial practices. The tests use two cultural dimensions: tolerance to ambiguity and anticipations of future consequences as predictors of ethical propensity. The results denote significant differences across countries on the three dimensions, and the Brazilian are more tolerant to ambiguity and more conscious of the future consequences of their acts but also more prone to unethical behaviors. The perspective of short term gains seems to override the ambiguity and the medium and long term risks entailed in unethical behaviors. We conclude with a broad discussion and avenues for future research.

keywords: Bbusiness ethics, future consequences, tolerance to ambiguity, ethical propensity.


RESUMEN

Los comportamientos de ética empresarial han sido cuestionados, con los recientes escándalos económico-financieros y las prácticas de empresas y trabajadores. En este estudio, basado en datos relevados a través de cuestionario, comparamos las percepciones de ética de estudiantes portugueses (N=109) y brasileños (N=190) de Administración, expuestos a un conjunto de escenarios de ética y aceptabilidad de prácticas comerciales, frente a dos dimensiones culturales: la tolerancia a la ambigüedad y la anticipación de las consecuencias futuras. Los resultados muestran diferencias significativas entre los brasileños y los portugueses en las tres dimensiones. Los brasileños son más tolerantes a la ambigüedad y más conscientes de las consecuencias futuras de sus actos, pero con mayor propensión a comportamientos menos éticos. La perspectiva de lucros más inmediatos parece sobreponerse a la inseguridad y a los riesgos a medio y largo plazos que la práctica de comportamientos menos éticos puede acarrear. Concluimos con una discusión amplia y pistas para investigación futura.

Palabras clave: Ética empresarial, consecuencias futuras, tolerancia a la ambigüedad, propensión a comportamientos éticos.


 

 

INTRODUÇÃO

A atual economia globalizada apresenta desafios de ética empresarial e profissional importantes, embora as preocupações com a ética, ou a falta dela, no mundo dos negócios não sejam recentes. Pelo menos em parte, a cultura nacional parece moldar as atitudes, percepções e práticas do que é ético nos negócios internacionais, e vários autores (por exemplo, WHIPPLE e SWORDS, 1992; ALLMON e outros, 1997) têm notado a crescente preocupação com a ética, quer nas empresas, quer nos trabalhadores. A internacionalização das empresa, principalmente pela exposição que cria a diferentes ambientes culturais (FRANCIS, 1991; DAVIES e outros, 2000), requer que os gestores internacionais reconheçam e entendam os padrões, normas e regras de ética e de cultura dos indivíduos e organizações nos diferentes países em que operam. Ainda assim, as conclusões dos estudos que se debruçaram sobre a relação entre a ética empresarial e a cultura nacional são inconclusivas (PRIEM e SHAFFER, 2001). Deve-se referir, a esse respeito, que os trabalhos de Lysonski e Gaidis (1991), Whipple e Swords (1992) e Allmon e outros (1997), por exemplo, mostram que as diferenças de ética entre indivíduos não são atribuídas ao país de origem, ou seja, à cultura nacional. Nesses casos, alguns autores argumentam sobre a universalidade das percepções de ética, sugerindo que os valores e percepções do que é ou não ético estão se tornando gradualmente mais homogêneos nos diferentes países. Ainda assim, outros autores confirmaram empiricamente a relação entre dimensões culturais e a avaliação de um dilema ético (VITELL, NWACHUKWU, BARNES, 1993; HUSTED e outros, 1996; PRIEM e SHAFFER, 2001; TSUI e WINDSOR, 2001).

À medida que as organizações se tornam cada vez mais globalizadas e as empresas, mais multinacionais, o entendimento das práticas éticas de gestão além-fronteiras (AHMED, CHUNG, EICHENSEHER, 2003) e o impacto das diferenças culturais na tomada de decisões éticas (KARNES e outros, 1990) vão tendo cada vez mais importância. Hood e Logsdon (2002, p. 883) concluem que "as práticas negociais e padrões éticos interculturais têm grande importância na compreensão e facilidade de realização dos resultados dos negócios". Tem sido dada maior importância às diferenças nas percepções éticas entre países (ROBERTSON e FADIL, 1999; TSUI e WINDSOR, 2001; PALAZZO, 2002; CHRISTIE, KWON, RAYMOND, 2003; TAVAKOLI e outros, 2003; SMITH e HUME, 2005; HELIN e SANDSTROM, 2008). A pesquisa tem, efetivamente, sido profícua na procura de uma ligação entre a ética empresarial e a cultura nacional. Por exemplo, Rice (1999) focou a religião como determinante de comportamentos éticos. Nyam e Ng (1994) analisaram a corrupção e os subornos. Stevenson e Bodkin (1998) analisaram as percepções de ética e a aceitação das práticas de vendas. Goodwin e Goodwin (1999) compararam os julgamentos éticos dos estudantes na Malásia e na Nova Zelândia. Ford (2005) comparou os sistemas de valores em consumidores éticos. Cagle e Baucus (2006) focaram os escândalos éticos e os seus efeitos nas percepções éticas dos estudantes de finanças. Alas (2006) analisou a ética em países com diferentes dimensões culturais. Husted e Allen (2008) analisaram o impacto do individualismo e coletivismo no processo de tomada de decisões éticas. Rashid e Ibrahim (2008) e Rice (1999) focaram o efeito da cultura e da religiosidade na tomada de decisões empresariais éticas. Mas, ainda assim, há várias dimensões culturais a serem exploradas, e em diferentes contextos nacionais, para se obter uma teoria geral válida internacionalmente. Com este artigo, contribuímos para o estudo das diferenças interculturais e dos seus efeitos nas percepções éticas entre países.

Neste estudo, procuramos entender se há diferenças nas percepções éticas em dois países com culturas latinas e se duas dimensões culturais - a tolerância à ambiguidade e a preocupação com as consequências futuras - podem ser explicativas de eventuais diferenças nacionais. Para isso, recorremos a duas amostras de estudantes de cursos de Administração, em Portugal e no Brasil. Ao usar essa amostra, com representantes da nova geração de gestores, podemos procurar entender como se comportarão no seu desempenho profissional futuro. Por outro lado, ao avaliar percepções, podemos supor comportamentos, na medida em que um indivíduo que entenda como ético um certo comportamento possivelmente não sofrerá barreiras morais, sociais ou culturais para praticá-lo no futuro.

O artigo está estruturado em cinco partes. Na primeira parte, revemos a literatura relevante sobre ética e cultura, seguido pela proposta de três hipóteses derivadas da teoria. Na terceira parte, apresentamos a metodologia, incluindo a descrição da amostra e do procedimento e instrumento (questionário) utilizado. Na quarta parte, trazemos os resultados. Uma discussão ampla desses resultados, com implicações para a teoria e a prática empresariais, limitações do estudo e questões para pesquisa futura concluem este artigo.

 

REVISÃO TEÓRICA

Os estudos que envolvem a ética e a cultura nacional tendem a assumir que as diferenças culturais entre os países são a causa principal das disparidades nas percepções e atitudes éticas das populações. Essa premissa coloca duas questões essenciais: a primeira, sobre a influência da cultura na ética, em que as evidências de eventual relação são apenas parciais, e a segunda, sobre como diferenciar as culturas (ver, também, NYAW e NG, 1994). Neste artigo, aferimos duas dimensões culturais específicas. Outro problema em usar a cultura é salientado por McDonald (2000) : determinar se se deve tratar a cultura como variável dependente, independente ou residual. Neste artigo, tratamos a cultura como variável independente, observando a relação de características culturais com a percepção da ética de certas práticas.

Ética empresarial

A ética refere-se ao estudo do que é certo e bom para os humanos (DONALDSON e WERHANE, 1996). É o conjunto de princípios de conduta que regem um indivíduo ou um grupo. A ética é o estudo da moralidade (VELÁSQUEZ, 1982) e, segundo Herndon, Fraedrich e Yeh (2001),

o comportamento ético é uma interação complexa de fatores organizacionais, características de personalidade e informação da sociedade. Na sua matriz deontológica, a ética foca as ações específicas ou comportamentos individuais, funcionando como diretrizes predeterminadas de normas de comportamentos num grupo ou organização a que o individuo pertence (HUNT e VITELL, 1986, 1992). As percepções de ética, nesse sentido, são orientações para a tomada de decisões, avaliando-se se os comportamentos são certos ou errados, éticos ou não éticos. Na matriz teleológica, o foco assenta nas consequências de determinadas ações ou comportamentos. Inerentes a comportamentos mais ou menos éticos poderão estar consequências positivas ou negativas para os indivíduos, sejam estas punições ou recompensas de origem social ou judicial.

A matriz cultural pode influenciar o comportamento de um indivíduo ou organização perante diferentes dilemas éticos (ROBERTSON e outros, 2002). Nos diferentes contextos (social, organizacional, empresarial), os indivíduos não estão imunes aos efeitos e à influência da cultura. Scholtens e Dam (2007) defendem que a ética, como parte da cultura, não acontece num vácuo ou de maneira isolada. Tem o seu lugar num ambiente cultural governado por leis, regras e regulamentos, valores e normas formais, códigos de conduta, políticas e várias organizações (HOFSTEDE, 1991; TROMPENAARS, 1993; SCOTT, 2001). Efetivamente, tem havido um interesse crescente no estudo da ética com base em uma abordagem cultural (MOORE e RADLOFF, 1996; AHMED, CHUNG, EICHENSEHER, 2003; BEEKUM, STEDHAM, YAMAMURA, 2003; CHERRY, LEE, CHIEN, 2003; CHRISTIE, KWON, RAYMOND, 2003; LIM, 2003; PHAU e KEA, 2007).

Fatores culturais

As dimensões culturais estão relacionadas com a ética, na medida em que podem influenciar a percepção individual em situações que envolvem normas de comportamento, normas e julgamentos éticos, entre outros. Ou seja, uma vez que as sociedades diferem nas dimensões culturais, poderão também diferir nas percepções individuais de problemas éticos, bem como na avaliação das alternativas e nas consequências dos comportamentos (HUNT e VITELL, 1986, 1992).

A aparentemente simples tarefa de definir "cultura" pode ser mais complexa do que seria expectável. Numa ótica internacional, principalmente para estudos interculturais, entendemos a cultura, na concepção de Hofstede (1991, p. 262), como a "programação coletiva da mente" - conjunto de normas, valores e crenças - que distingue um grupo de pessoas de outro. Indivíduos de diferentes nacionalidades estão sujeitos a diferentes pressões socializadoras, e o seu conjunto de valores, crenças, percepções e atitudes conforma-se com as normas socialmente aceitáveis na sociedade (ou país) onde vivem. Muitas das manifestações humanas dependem do contexto sociocultural em que o indivíduo está inserido e que mantém como referência. Essas manifestações podem ser, por exemplo, o comportamento social, os valores morais e a conduta individual. O conceito de cultura está associado a esse contexto sociocultural. A cultura é um espaço complexo, onde estão incluídos os conhecimentos, as crenças, as artes, os valores morais, as leis e os costumes, assim como qualquer outra capacidade ou hábito adquirido pelo indivíduo, como membro de uma sociedade (OGBURN, 1964). Em sentido amplo, a cultura pode ser entendida como um sistema de normas e de valores que são socialmente transmitidos. Em suma, a cultura pode ser definida como um agregado interativo de características comuns que influenciam a resposta de um grupo (FLAMING, AGACER, UDDIN, 2010) e é evidenciada pelos comportamentos e ações dos membros de uma comunidade. McDonald (2000) refere-se à nacionalidade como uma substituta da cultura.

Uma das dificuldades em definir e conceitualizar cultura é a sua multidimensionalidade. Hofstede, por exemplo, identificou quatro grandes dimensões culturais que distinguem os países: a distância ao poder, a masculinidade/feminilidade, o individualismo/coletivismo e a aversão à incerteza (HOFSTEDE, 1980, 1983a, 1984). Outros estudos identificaram mais tipologias e dimensões culturais, como Kluckhorn e Stroedbeck (1961), que sugeriram dimensões relacionadas com problemas humanos básicos enfrentados pelas sociedades. Hall (1976) referiu-se a culturas de alto e de baixo contexto. Hampden-Turner e Trompenaars (1993) classificaram as culturas nacionais de acordo com as relações com as pessoas, com o tempo e com o ambiente. Finalmente, House e Javidan (2004) identificaram nove dimensões culturais, no projeto GLOBE, e distinguiram dois tipos de manifestações culturais: valores e práticas.

Uma das dimensões culturais que permitem distinguir os cidadãos ou países é a aversão à incerteza (HOFSTEDE, 1980) ou tolerância à ambiguidade. A ambiguidade e a incerteza não são sinônimos absolutos, mas compreendem conceitos relacionados. A aversão à incerteza, segundo Hofstede (1984), está relacionada com a forma como as diferentes sociedades e indivíduos lidam com a incerteza, com situações ambíguas, inesperadas e pouco estruturadas, e como tentam evitá-las. Nas sociedades com maior aversão à incerteza, os indivíduos são fortes, agressivos, emotivos, intolerantes e procuram segurança. Por outro lado, nas sociedades menos avessas à incerteza, os indivíduos são mais contemplativos, menos agressivos, menos emotivos, mais tolerantes e aceitam correr riscos. A incerteza é mais abrangente que a ambiguidade, que implica conhecer as alternativas (FURNHAM e RIBCHESTER, 1995). McLain (1993), por exemplo, define ambiguidade como a falta de informação acerca de um contexto e afirma que a tolerância sugere "aceitação relutante", enquanto a intolerância sugere "rejeição". Segundo Furnham e Ribchester (1995), a tolerância à ambiguidade refere-se à forma como um indivíduo (ou grupo) percebe e processa a informação acerca de situações ambíguas ou estímulos, quando confrontado com um conjunto de pistas que lhe são desconhecidas, complexas ou incongruentes. A tolerância à ambiguidade é geralmente considerada um traço da personalidade (BUDNER, 1962; HORVATH e ZUCKERMAN, 1993; EHRMAN, 1994), uma propriedade das organizações (FURNHAM e GUNTER, 1993) e das culturas nacionais (HOFSTEDE, 1980), que corresponde à forma como cada indivíduo percepciona e lida com situações ambíguas ou estímulos (FURNHAM e AVISON, 1997; FURNHAM e RIBCHESTER, 1995; STOYCHEVA, 2003). Em suma, indivíduos tolerantes à ambiguidade gostam de situações ambíguas ou, pelo menos, lidam bem com elas, durante algum tempo (BUDNER, 1962; MACDONALD, 1970). Indivíduos intolerantes à ambiguidade sentem-se restringidos, ansiosos e tensos em situações desse tipo.

A forma como o comportamento individual é influenciado pela consideração dos seus potenciais resultados futuros é, também, um traço cultural, com investigação realizada na psicologia social (LAMM, SCHMIDT, TROMMSDORFF, 1976; DEVOLDER e LENS, 1982). Strathman e outros (1994, p. 743) definiram as diferenças individuais na apreciação de consequências futuras (Consideration of Future Consequences - CFC) como reflexo da "medida em que as pessoas consideram os potenciais, ainda que distantes, resultados dos seus comportamentos atuais e a forma como são influenciados por esses potenciais resultados". Níveis elevados de CFC indicam um elevado grau de importância dado a futuras consequências do comportamento, enquanto níveis baixos de CFC indicam um grau de importância maior dado às consequências imediatas dos comportamentos.

Resumindo, é provável que exista um impacto de diferenças culturais nos processos de decisão em matéria de ética empresarial (LYSONKI e GAIDIS, 1991; WHIPPLE e SWORDS, 1992). No entanto, são escassos os estudos que efetivamente tratam a cultura como variável independente e aferem, realmente, se essas diferenças culturais existem. Mais comum é a premissa de que a cultura é diferente em diferentes países, sem mais aferições, notando-se uma escassez relativa de trabalhos que discutam quais as dimensões culturais que influenciam diferentes percepções, julgamentos e comportamentos éticos (NYAW e NG, 1994; LU, ROSE, BLODGETT, 1999).

 

HIPÓTESES

A questão de pesquisa genérica que propusemos é determinar se há uma diferença nas percepções do que são comportamentos empresariais éticos entre indivíduos de diferentes culturas, neste caso, entre os portugueses e os brasileiros. É expectável que as diferenças na cultura nacional, como as discutidas na seção anterior, influenciem as percepções do que são comportamentos mais ou menos éticos em situações das vidas empresarial e profissional. Da pesquisa existente ,podemos esperar que, baseados na sua nacionalidade, ou seja, na cultura nacional dominante, existam diferenças no julgamento ético - sejam percepções, atitudes ou comportamentos - entre os portugueses e brasileiros. Uma hipótese específica inicial pode ser formulada como segue:

Hipótese 1. As percepções de ética são diferentes entre os indivíduos portugueses e os brasileiros.

Tolerância à ambiguidade

As pessoas em diferentes culturas diferem na forma como aceitam situações e resolvem problemas que envolvam algum grau de incerteza, ambiguidade e risco. A tolerância à ambiguidade tem sido associada a aspectos como as avaliações objetivas e subjetivas na seleção e contratação de funcionários (BAUER e TRUXILLO, 2000) e às atitudes positivas diante do risco (LAURIOLA e LEVIN, 2001). Yurtsever (2001) verificou que indivíduos com baixa tolerância à ambiguidade tendem a distorcer a informação. Chen e Hoojberg (2000) focaram a relação entre a tolerância à ambiguidade e a baixa diversidade e número de intervenções dos estudantes de Administração. Esses estudos são importantes para entender as práticas individuais e organizacionais, principalmente porque influenciam o exercício ético.

Segundo Chapelle e Roberts (1986) e Hahn (1989), a tolerância à ambiguidade caracteriza-se pela capacidade de um indivíduo funcionar racional e calmamente numa situação em que não é possível fazer uma interpretação clara dos estímulos recebidos. Por conseguinte, indivíduos com baixa tolerância à ambiguidade percebem as situações ambíguas como fontes de desconforto psicológico e ameaça, podendo precipitar-se na tomada de decisões. Arnold e Brown (1999) consideraram a capacidade de correr riscos uma componente da intolerância à ambiguidade. McLain (1993), por exemplo, afirma que os estudantes mais tolerantes à ambiguidade estão dispostos a correr mais riscos e estão mais abertos a mudanças (NAIMAN, FROHLICH, TODESCO, 1975). Hofstede (1983b) concluiu que indivíduos com maior aversão à incerteza acreditam que as regras da empresa devem ser sempre cumpridas e nunca quebradas.

Uma perspectiva de ética, como referimos, é como o conjunto de normas deontológicas que são "guias" e "regras", cujo objetivo é promover os comportamentos éticos numa organização (HUNT e VITELL, 1986, 1992). Indivíduos de países com elevada aversão à incerteza tenderão, mais facilmente, a aderir a normas deontológicas do que indivíduos provenientes de países com baixa aversão à incerteza. Uma vez que indivíduos com elevada aversão à incerteza tendem a seguir as regras estipuladas (HOFSTEDE, 1983b), eles também têm maior propensão a colocar os interesses da empresa acima dos seus próprios interesses. Indivíduos de países com baixa aversão à incerteza agem de maneira contrária, ou seja, colocam os seus próprios interesses acima dos interesses da empresa. Assim, podemos sugerir:

Hipótese 2. Indivíduos de culturas com menor tolerância à ambiguidade tenderão a revelar menor propensão para comportamentos menos éticos.

Antecipação das consequências futuras

É razoável argumentar que a adoção de comportamentos éticos e, em particular, de comportamentos menos éticos levará em conta as consequências futuras destes. Por exemplo, as consequências de repreensão social pela comunidade ou mesmo as resultantes de atuação judicial. Ou seja, quando deparados com uma determinada situação, os comportamentos efetivos podem ser determinados na avaliação que o indivíduo faz de quais são os seus ganhos imediatos versus os resultados futuros dessas práticas. Assim, indivíduos com maior antecipação das consequências futuras dos seus atos serão mais atentos aos resultados futuros destes e menos às consequências imediatas. Em contraponto, indivíduos com menor antecipação das consequências futuras valorizarão mais os resultados imediatos e menos os resultados diferidos. Portanto, ao analisar até que ponto os indivíduos antecipam as consequências futuras, avaliamos se e como os indivíduos são influenciados pelos resultados ou consequências futuros dos seus comportamentos.

No contexto da ética empresarial, é razoável estabelecer o argumento de que haverá uma influência dessa dimensão cultural - antecipação de consequências futuras - sobre os comportamentos em questões nas quais se exponha a ética empresarial. Em muitos casos de ética (como em alguns dos cenários usados na componente empírica deste artigo), o que está em jogo são situações que necessitam de resposta rápida e que envolvem ganhos monetários. Os indivíduos com maior antecipação das consequências futuras serão menos agressivos (JOIREMAN, ANDERSON, STRATHMAN, 2003), menos impulsivos (JOIREMAN, ANDERSON, STRATHMAN, 2003) e mais conscienciosos (STRATHMAN e outros, 1994) dos seus comportamentos. Mas a antecipação do futuro influencia várias percepções, como seja a impulsividade ou o não resistir a tentações (JOIREMAN, ANDERSON, STRATHMAN, 2003), o maior grau de consciencialização (STRATHMAN e outros, 1994) e os cuidados na preservação do ambiente (JOIRMAN e outros, 2001). Por exemplo, é menos provável que um indivíduo fume ou consuma álcool se está consciente dos efeitos perniciosos para a sua saúde no longo prazo. Também tenderá a praticar esporte mais regularmente (OUELLETTE e outros, 2005) e será menos sensível à pres são dos pares para adotar práticas que possam ter efeitos negativos a longo prazo, como beber (REIFMAN, 2001) ou praticar sexo de risco (DORR e outros, 1999).

Em resumo, quando os indivíduos antecipam as consequências dos seus atos, é possível que sejam menos dirigidos por impulsos e ganhos imediatos, contemplando quais os resultados no longo prazo das suas práticas. É, assim, expectável que as respostas dos indivíduos a questões sociais e aos seus comportamentos associados sejam influenciadas pela sua percepção temporal (ZIMBARDO e BOYD, 1999). Considerando o anteriormente referido, formulamos a seguinte hipótese:

Hipótese 3. Indivíduos em culturas com maior antecipação das consequências futuras de comportamentos menos éticos tenderão a revelar menor propensão para comportamentos menos éticos.

 

METODOLOGIA

O objetivo deste artigo é testar se existe uma relação entre as diferenças culturais e as percepções de ética. Testamos, para o efeito, dois indivíduos de dois países, Portugal e Brasil, usando uma amostra de estudantes de Administração de Empresas. A escolha de dois países com semelhanças culturais impõe um teste mais estrito, na medida em que história, língua e cultura historicamente partilhadas podem dificultar a verificação de diferenças culturais substanciais. No nosso estudo, tratamos duas dimensões culturais: a tolerância à ambiguidade e a consideração de consequências futuras, como variáveis independentes.

Amostra

A amostra inclui estudantes do ensino superior, de Administração, em Portugal e no Brasil. A utilização de estudantes em vez de profissionais é frequente em estudos de ética, apesar dos inconvenientes reconhecidos. Porventura, mais relevante é a crítica expressa de que os estudantes não têm experiência profissional (por exemplo, HUNT e VITELL, 1986). Na nossa amostra, mais de 60% dos participantes declaram ter experiência profissional e 56% são estudantes-trabalhadores, de modo que essa limitação é, pelo menos, atenuada. Ao inquirir estudantes, podemos, com as reconhecidas limitações, inferir as suas práticas futuras como profissionais.

Vários estudos já tentaram entender as atitudes éticas com recurso a amostras de estudantes, principalmente do curso de Administração, focando aspectos como o impacto das características pessoais, como o gênero e a idade, nas diferenças de julgamentos éticos (RUEGGER e KING, 1992; WHIPPLE e SWORDS, 1992; KOHUT e CORRIHER, 1994). Outros estudos compararam os julgamentos éticos dos estudantes com os julgamentos éticos dos gestores (LYSONSKI e GAIDIS, 1991). Tem sido dada ênfase ao impacto das diferenças culturais na tomada de decisões éticas, dos estudantes e dos gestores (LYSONSKI e GAIDIS, 1991; WHIPPLE e SWORDS, 1992; SHAFER e PARK, 1999; SHAFER, 2008).

A amostra não é aleatória, na medida que o instrumento de recolhimento de dados foi distribuído em sala de aula. Aos participantes, não foi dado conhecer a questão de pesquisa, de modo a não enviesar as respostas - são conhecidas as dificuldades com as respostas socialmente desejáveis - apenas tendo sido explicado que se tratava de um questionário para trabalho científico, cujos dados seriam tratados estatisticamente e garantido o anonimato. A participação foi voluntária e nenhum estudante se recusou a responder ao questionário. A amostra final contempla 299 estudantes, dos quais 109 portugueses e 190 brasileiros. A amostra é suficientemente grande para garantir confiabilidade.

Na Tabela 1, apresentamos o descritivo da amostra, que inclui 134 participantes masculinos e 165 femininos, com uma média de 22,5 anos de idade e, na maioria, com experiência profissional.

Instrumento de pesquisa

Os dados deste estudo foram recolhidos por meio de um questionário estruturado, de autopreenchimento. O questionário foi traduzido para português e pré-testado, a fim de garantir a total compreensão da informação, na sua redação em português. Para os alunos brasileiros, foram feitos ajustamentos apenas de semântica ao texto. O questionário continha três partes. A primeira era composta por 15 cenários, descrevendo várias situações de possíveis dilemas éticos, presentes na gestão de negócios e no ambiente atual. A segunda parte continha um conjunto de afirmações, relativas às duas dimensões culturais. A terceira parte incluiu um conjunto de questões sobre as características dos participantes, como a idade, gênero, ano que frequenta no curso, experiência profissional, entre outras.

Os 15 cenários de ética foram utilizados em estudos anteriores (DABHOLKAR e KELLARIS, 1992; BODKIN e STEVENSON, 2007). Todos os cenários apresentados descrevem situações de comportamento ético empresarial questionável, sendo as respostas dos participantes apresentadas numa escala de tipo Likert, ancorada em 1 - comportamento não ético e 7 - comportamento ético. Assim, indivíduos com maior propensão ética tenderiam a avaliar mais negativamente (com menor pontuação) a situação descrita no cenário.

A utilização de cenários é adequada por várias razões. Eles representam situações realistas em contexto de interação com clientes ou práticas comerciais. Alguns pesquisadores defendem que as respostas a cenários são mais válidas que as respostas a questões (ver, por exemplo, FRITZSCHE e BECKER, 1984). Ao solicitar aos participantes que avaliassem os comportamentos como éticos ou não éticos (usando uma escala), reduzimos eventuais problemas de obter respostas socialmente desejáveis (RANDALL e FERNANDES, 1991), que podem ocorrer quando se pede aos participantes para preverem o seu próprio comportamento.

As dimensões culturais aferidas foram a tolerância à ambiguidade e consideração de consequências futuras. Para a tolerância à ambiguidade, usamos a escala de McLain (1993). Essa escala contém 22 afirmações que refle tem a tolerância do indivíduo à ambiguidade (por exemplo, Eu sou tolerante para situações ambíguas) e a intolerância à ambiguidade (por exemplo, Eu evito situações que me são complicadas de compreender facilmente). Os participantes avaliaram essas afirmações, utilizando uma escala de tipo Likert ancorada em 1 - discordo completamente e 7 - concordo completamente. Esse instrumento apresenta uma fiabilidade elevada (Cronbach alpha 0,86).

Para a aferição da consideração de futuras consequências, usamos a escala de Strathman e outros (1994), que contém 12 afirmações que refletem a tendência de um indivíduo para considerar as consequências imediatas/futuras no seu comportamento. Cinco afirmações refletem uma preocupação com as consequências futuras (por exemplo, Eu penso como as coisas podem ser no futuro e tento influenciar essas coisas no meu comportamento do dia a dia), enquanto as restantes afirmações refletem uma preocupação com as consequências imediatas (por exemplo, O meu comportamento apenas é influenciado pelos resultados imediatos - isto é, numa questão de dias ou semanas - das minhas ações). Os participantes avaliaram essas afirmações utilizando uma escala de tipo Likert ancorada em 1 - extremamente incaracterística e 5 - extremamente característica. Esse instrumento já foi usado em diversos estudos anteriores (JOIREMAN, ANDERSON, STRATHMAN, 2003; STRATHMAN e JOIREMAN, 2005; JOIREMAN, STRATHMAN, BALLIET, 2006), reportando elevada fiabilidade (Cronbach alpha superior a 0,80).

 

RESULTADOS

A análise dos resultados permite observar que os brasileiros têm menor propensão ética que os portugueses. A avaliação média aos 15 cenários de ética dos brasileiros (3,74) é maior que a dos estudantes portugueses (3,39). Conduzimos uma ANOVA, tendo obtido F(297,1)=17,073, p=000. Assim, podemos corroborar a Hipótese 1, de que há uma diferença significativa nas percepções de ética dos dois grupos de participantes, brasileiros e portugueses.

Estabelecida uma diferença nas percepções de ética, é necessário aferir se as variáveis culturais propostas contribuem para explicá-la. Testamos a Hipótese 2, de que a menor tolerância à ambiguidade conduzirá a uma menor propensão a comportamentos menos éticos. Em média, os brasileiros têm menor tolerância à ambiguidade (M = 4,05) do que os portugueses (M= 4,18), sendo essa diferença significativa (F(297,1) = 4,918, p=0,027). Realizamos uma ANOVA com dois fatores fixos (país e tolerância à ambiguidade) sobre as percepções de ética. Esse teste permite analisar se há uma diferença para além do efeito do país. O teste dessa hipótese (ver Tabela 3) permite observar um efeito significativo (F(299,74) = 2,319, p = 0,000), mas não nos permite corroborar a Hipótese 2. Assim, a expectativa seria que os brasileiros, tendo menor tolerância à ambiguidade, teriam maior propensão ética do que os portugueses, mas, como os brasileiros apresentaram menor propensão ética que os portugueses, a hipótese não é corroborada.

Em média, os brasileiros têm maior antecipação de consequências futuras (M = 3,07) do que os portugueses (M= 2,98), sendo essa diferença marginalmente significativa (F(296,1) = 3,698, p = 0,055). Para testar a Hipótese três, que manifesta o impacto da antecipação das consequências futuras, realizamos uma ANOVA com dois fatores fixos (país e ACF). O teste dessa hipótese (ver Tabela 4) permite observar um efeito positivo e significante (F(298,24) = 1,619, p = 0,037), mas não é coerente com a proposta de que os brasileiros que têm maior antecipação de consequências futuras tenham também maior propensão ética que os portugueses, como resultaria da aplicação da Hipótese 3.

 

DISCUSSÃO E NOTAS FINAIS

Neste artigo, analisamos diferenças nas percepções do que são comportamentos mais ou menos éticos em situações empresariais, num estudo empírico composto por uma amostra de estudantes brasileiros e portugueses de Administração. Os testes revelaram a existência de diferenças significativas nas percepções do que são comportamentos éticos entre os dois grupos, o que é de salientar, porquanto há uma similaridade cultural entre os dois países, fruto de um passado histórico comum. A herança cultural histórica é manifestada em diversas componentes culturais, religião dominante, ritos e numa língua comum (o português). Analisamos, também, duas dimensões culturais que poderiam responder por eventuais diferenças nas percepções do que são comportamentos mais ou menos éticos. O nosso propósito não é avaliar, mas apenas descrever e explicar diferenças entre culturas, eventualmente determinando como a cultura pode influenciar essas perceções de ética (TREVINO, 1992). Das perceções, podemos inferir comportamentos dos indivíduos na medida em que os eles são, pelo menos em parte, influenciados pelas atitudes (como os valores éticos) e a situação.

 

Tabela 2

 

Com a integração econômica e a promoção de trocas comerciais e de investimento estrangeiro entre os dois países, é importante entender o impacto de diferenças culturais, quer na adaptação dos trabalhadores, quer nas relações comerciais e de investimento. Em particular, é importante entender que os cidadãos desses dois países, apesar de eventuais semelhanças culturais, terão algumas percepções diferentes quanto ao que são comportamentos eticamente adequados em contexto empresarial. Os resultados estatísticos revelam que há diferenças significativas quanto às percepções do que constituem comportamentos éticos, mas, também, nas duas dimensões culturais utilizadas. Não são tão evidentes na forma como se relacionam com a ética empresarial. Para as empresas, é crucial não apenas desenvolver códigos de ética e normas de conduta, mas implementar sistemas para a sua aplicação e entender as idiossincrasias locais na própria forma como os indivíduos atuam.

A tolerância à ambiguidade é uma característica dominante na sociedade portuguesa (ver, a esse propósito, os estudos de Hofstede sobre a aversão à incerteza que classificam Portugal no nível mais alto dessa dimensão) e menos presente na sociedade brasileira. A prática de comportamentos menos éticos pode ter consequências imprevistas, quer por eventual atuação legal, quer por recriminação social - pelos pares e pela sociedade. É provável que, em culturas com menor tolerância à ambiguidade, os cidadãos estejam menos dispostos a incorrer na incerteza e a suportar a ansiedade emergente de ultrapassarem normas sociais vigentes - como a de não incorrer em comportamentos menos éticos, pelos prejuízos sociais e econômicos originados. Culturas menos tolerantes à ambiguidade provavelmente preferirão resultados dicotômicos (como a avaliação das práticas em certas e erradas) e preferirão menor variabilidade nas ações. De fato, uma estratégia possível, nessas culturas, é a adesão rígida a noções e preconceitos predefinidos, em que, quando deparadas com situações contrárias às noções e preconceitos, tentarão evitar a ansiedade e o conflito interno, preferindo seguir as suas concepções iniciais.

Os comportamentos podem ter consequências que ultrapassam o momento em que são adotados. Os indivíduos podem ser influenciados pela sua avaliação quer das consequências imediatas quer diferidas dos seus atos. Por exemplo, a possibilidade de ser preso em resultado de cometer uma fraude financeira, apesar do ganho imediato, pode levar o indivíduo a não cometer a fraude. Enganar os clientes, vendendo-lhes produtos defeituosos, permite benefícios imediatos, mas pode originar uma perda de clientes no futuro e uma recriminação social a longo prazo. Ou seja, mesmo no que respeita à conduta, em matéria de ética empresarial, há uma luta interna que influencia os comportamentos, em que um conjunto de benefícios imediatos se contrapõe às consequências futuras dos atos. Assim, seria razoável sugerir que, quanto menos os indivíduos antecipam as consequências futuras dos seus atos, menos contemplam o longo prazo, em favor do curto prazo, e mais facilmente adotam comportamentos menos éticos, se, com isso, tiverem um ganho imediato. Em contraponto, a maior antecipação das consequências futuras conduziria os indivíduos a considerarem as implicações futuras dos seus comportamentos atuais e a usarem os seus objetivos de longo prazo para guiarem as suas práticas atuais. Seriam, nesse último caso, esperados comportamentos mais éticos.

É provável que o país de origem apenas ajude a explicar parcialmente os comportamentos éticos (LYSONSKI; GAIDIS, 1991). Uma análise mais detalhada, inclusive de como cada sociedade avalia o que são comportamentos mais e menos éticos, seria recomendável e poderia permitir melhor compreensão. Poderemos incluir, nesses estudos futuros, aspectos como a condição econômica e social dos indivíduos, o estado da economia nacional e até a própria percepção do que é ou não ético. Por exemplo, parece que o objeto de ação é essencial, em Portugal, na aferição do que é ético. Questionamos os nossos alunos que dizem não "haver mal" no roubo de um grampo, mas já veem algum (pouco) mal no roubo de uma caixa de grampos, e muito mal no roubo de um automóvel. Fica, portanto, muito por examinar em estudos futuros. Mas será importante aprofundar as relações e os construtos que introduzimos neste estudo. Não basta, por exemplo, estudar a antecipação de consequências negativas futuras, como ser preso ou ser recriminado, mas é importante adicionar aspectos como a probabilidade de essas sanções se verificarem efetivamente. Por exemplo, em Portugal, a população é crescentemente descrente do sistema judicial e, nas escolas, a punição por ser pego colando é virtualmente inexistente. No contexto empresarial, também as relações laborais cada vez mais "flexíveis" não são geradoras de uma identificação com a empresa, e mesmo a violação de normas e códigos de ética internos não parece gerar desconforto. Nesse contexto, é razoável afirmar que os indivíduos prosseguiriam com os seus próprios interesses em desfavor dos da empresa. Se as pressões sociais forem altas, isso pode significar, por exemplo, condenar práticas empresariais menos éticas.

As implicações deste estudo para a teoria assumem, essencialmente, a forma do teste de dimensões culturais pouco exploradas. De fato, tanto quanto é nosso conhecimento, este é o primeiro estudo a analisar especificamente a dimensão de antecipação das consequências futuras como possível variável explicativa de percepções de ética empresarial. As extensões a novas variáveis culturais permite entender melhor quais, e como, são efetivamente as variáveis mais relevantes nos comportamentos éticos.

A pesquisa futura pode prosseguir em várias direções. Embora não seja possível estabelecer relações de causa e efeito com recurso a questionários, em que a causalidade é inobservável, seria importante realizar experimentações, eventualmente, recorrendo a manipulações das situações e dos sujeitos. É, também, importante estender os estudos a novas dimensões de cultura e verificar se eventuais diferenças culturais realmente existem. É hoje reconhecido que há uma tendência para uma maior universalização de certas dimensões culturais, à qual a ética não fica imune.

Este artigo tem um conjunto de limitações. A utilização de estudantes é uma limitação bem conhecida da investigação existente, embora essa desvantagem seja atenuada por a maioria dos participantes estudantes no nosso trabalho ter experiência profissional prévia (61% em Portugal e 75% no Brasil). A generalização para outras populações e públicos exigirá uma amostra mais abrangente e composta por outros públicos além de estudantes. Também nos procedimentos, reconhecemos a limitação emergente de, na aferição de características culturais, usarmos respostas individuais que agregamos para, de alguma forma, representarem características de uma cultura nacional (ver, a esse propósito, MCSWEENEY, 2002).

Este estudo pretende contribuir para a discussão e aumento de conhecimento acerca das diferenças culturais entre países. Se gestores das empresas tiverem maior conhecimento acerca dessas diferenças e de como estas se materializarão em comportamentos em situações específicas, poderão entender e preparar-se melhor nos seus processos internacionalização. Compreender o que torna os indivíduos, os países e organizações diferentes nas suas práticas empresariais tem o benefício de ajudar a melhorar a competitividade.

 

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Recebido em 25.03.2011
Aprovado em 30.10.2012

 


Avaliado pelo sistema double blind review
Editor Científico: Rodrigo Ladeira