INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

Instituições e seu impacto no desempenho das empresas

David Kallás

Professor de Estratégia no Insper. davidk@insper.edu.br

 

 

Instituições interagem com as organizações de maneira dinâmica, influenciando as decisões estratégicas e, consequentemente, o desempenho. A integração entre o que acontece no nível país se relaciona com o que se passa no nível firma de modo recíproco e tem sido um campo fértil de pesquisas que ajudam a entender, entre outras, as diferenças observadas nos comportamentos de empresas e governos em países desenvolvidos e emergentes. Esse tema é tão instigante que pelo menos oito dos mais recentes ganhadores do prêmio Nobel de Economia se debruçaram sobre esse tema, entre eles Douglass North e Oliver E. Williamson. A lista a seguir, elaborada por David Kallás, professor de Estratégia no Insper, contempla as obras clássicas desses autores e apresenta algumas referências adicionais relevantes para pesquisadores e interessados no tema.

 

 

INSTITUTIONS, INSTITUTIONAL CHANGE AND ECONOMIC PERFORMANCE.

Douglass C. North. New York, USA: Cambridge University Press, 1990. 159 p.

Obra clássica em que aparecem as definições fundamentais do tema, entre elas a de que as instituições são a regra do jogo em uma sociedade que rege as interações humanas. O ganhador do prêmio Nobel explica as diferenças de desempenho das economias em longos períodos. Com a questão “Qual combinação de instituições melhor permite a captura dos ganhos das transações?”, ele oferece uma perspectiva de como instituições persistem e mudam com o passar do tempo.

 

 

THE NEW INSTITUTIONALISM IN ORGANIZATIONAL ANALYSIS.

Walter W. Powell & Paul J. DiMaggio (Eds.). London, UK: University of Chicago Press, 1991. 486 p.

A visão sociológica representada por esta obra indispensável de Powell & DiMaggio sugere que as preferências individuais e categorias básicas de pensamento, tais como o indivíduo, a ação social, o Estado e a cidadania, são moldadas pelas forças institucionais. A teoria organizacional e sociológica rejeita a hipótese do modelo de ator racional, o interesse nas instituições como variáveis independentes, explicações cognitivas e culturais e a agregação de atributos individuais como explicação para o grupo.

 

 

THE ECONOMIC INSTITUTIONS OF CAPITALISM.

Oliver E. Williamson. New York, USA: Free Press, 1985. 468 p.

O autor, também ganhador do Nobel, criou, na década de 1980, a nova teoria institucional, rompendo com as existentes até então. O tema central passa a ser a economia dos custos de transação e a questão dos investimentos idiossincráticos. Essa teoria permite analisar os impactos das relações contratuais nas decisões de integração vertical e de governança, ou seja, economizar na produção de um bem ou serviço ou nos custos de transação (a tradicional escolha make or buy).

 

 

VARIETIES OF CAPITALISM: The institutional foundations of comparative advantage.

Peter A. Hall & David Soskice (Eds.). Oxford: Oxford University Press, 2001. 560 p.

Esta obra propõe um framework para o entendimento das similaridades e diferenças institucionais entre economias desenvolvidas. A visão das variedades do capitalismo é baseada nos conceitos de ciência política e aponta não haver um con-junto único e ótimo de instituições. As nações, entretanto, podem gerar vantagens competitivas por meio de sua infraestrutura institucional. Baseados nas propostas seminais deste livro, diversos pesquisadores expandiram o conceito para entender o funcionamento de outras economias, como as emergentes.

 

 

REINVENTANDO O CAPITALISMO DE ESTADO: O Leviatã nos negócios: Brasil e outros países

Aldo Musacchio & Sergio G. Lazzarini. São Paulo, SP: Portfolio-Penguin, 2015. 408 p.

Aborda a ascensão de uma nova espécie de capitalismo de Estado nos países emergentes, em que o governo (o Leviatã) interage com os investidores privados, atuando como acionista minoritário de companhias abertas ou como apoiador financeiro de empresas privadas (as "campeãs nacionais"). Os autores examinam o impacto do novo capitalismo de Estado nos investimentos e desempenho das empresas, mostrando como o debate sobre propriedade privada ou estatal tornou-se irrelevante.

 

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