COELHO, ARMANDO GUEDES

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Nome: COELHO, Armando Guedes
Nome Completo: COELHO, ARMANDO GUEDES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COELHO, Armando Guedes

COELHO, Armando Guedes

 

*pres. Petrobrás 1988-1989.

 

 

                Armando Guedes Coelho nasceu em Goiás Velho (GO) no dia 23 de agosto de 1939, filho de Hermógenes Ferreira Coelho e Indalícia Guedes  de Amorim Coelho.

                Diplomou-se em química industrial  e engenharia química pela Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1963. Em janeiro do ano seguinte, ingressou na Petrobrás através de concurso público. Começou sua carreira na empresa, trabalhando como engenheiro de processo na Refinaria Landulfo Alves e instrutor da cadeira de ensaios e especificações de produtos de petróleo e professor da cadeira de operações unitárias II, do curso de refinação do Centro de Aperfeiçoamento e Pesquisa de Petróleo (Cenap) na Bahia, onde ficou até 1966.

                Transferido para o Rio, trabalhou na divisão de refinação do Departamento Industrial, de 1967 a 1968.  Neste último ano, passou a atuar no Departamento Comercial, onde chefiou o setor de suprimento de combustíveis da divisão de derivados e produtos químicos, de 1968 a 1969, e a própria divisão durante 1970  e a divisão de combustíveis em 1972; e tornou-se superintendente-geral adjunto em 1974 e superintendente-geral em 1977. Durante sua permanência neste departamento participou de negociações nas áreas de derivados e de petróleo com diversos países da América Latina,  Europa e África.

                Diretor da empresa em 1981, no ano seguinte assumiu a presidência da subsidiária Petrobrás Química (Petroquisa). Entre 1981 e 1982, negociou a associação com a Akzo Chemie, na Holanda, e a Oxiteno para a construção da primeira fábrica no Brasil de catalisadores para unidade de craqueamento fluido, envolvendo o empreendimento propriamente dito e a transferência de tecnologia. Em 1985, ocupou a presidência da Petrobrás Comércio Internacional S/A (Interbrás)  e, em 1986,  da Petrobrás Distribuidora (BR).

                Diretor industrial da empresa desde 1987, em junho do ano seguinte foi nomeado seu presidente interino, substituindo  Osíris Silva. Por esta ocasião,  declarou à imprensa  ser favorável  ao Programa do Álcool, ressaltando a necessidade de sua compatibilização com os demais combustíveis produzidos pela estatal, sugerindo que a limitação da  fabricação dos carros a álcool ficasse em torno de 50% dos movidos a gasolina. Considerou conveniente o modelo dos contratos de risco adotado pela Petrobrás, anunciando sua intenção de mantê-los, além de propor o modelo francês de contrato de gestão visando a aumentar a autonomia da empresa.

                Primeiro funcionário de carreira a ocupar a presidência da estatal, foi confirmado no cargo em julho, por decreto do presidente José Sarney. No mesmo mês, contrariando instruções do governo, pagou a Unidade Referencial de Preços (URP), que deveria ser congelada,  a seus funcionários, cumprindo sentença do Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem recorrer a uma instância superior. Dois meses depois, foi advertido pelo Conselho Interministerial de Controle das Empresas Estatais de que só poderia fechar acordo com seus funcionários após consultar os ministros e, caso a Justiça do Trabalho concedesse mais do que o governo se dispusesse a dar, teria que recorrer até a última instância.

                Em agosto, em reunião com o presidente Sarney, apresentou como alternativas para a solução dos  problemas financeiros da estatal a destinação de recursos do Fundo Nacional  de Desenvolvimento (FND) para cobrir o déficit da conta-álcool e um plano de ação visando ao restabelecimento da produção do campo de Enchova, na bacia de Campos (RJ). Quanto à dívida do setor elétrico com a empresa, declarou em outubro que o governo precisaria buscar uma solução num prazo de 45 dias, sob pena de haver cortes no abastecimento de óleos combustível e diesel, sobretudo na região Norte. A Rede Ferroviária Federal e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), também devedores da empresa, correriam riscos de  corte no fornecimento.

                Em dezembro, tendo  recebido denúncias de extorsão praticada pela BR, presidida pelo general Albérico Barroso, contra bancos do Rio, providenciou abertura de uma comissão de sindicância para apurá-las. Apesar de ter considerado o caso encerrado com o afastamento do assessor da presidência da BR, Geraldo Magela, e do seu diretor financeiro, Geraldo Nóbrega, em dezembro e no início de janeiro de 1989 prestou depoimentos sucessivos à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, à Delegacia de Defraudações e à Polícia Federal do Rio sobre o caso BR.

                 Em 21 de dezembro, encaminhou carta de demissão ao presidente Sarney, a pretexto da saída do governo do ministro Aureliano Chaves, que o havia nomeado para o cargo. Afirmou que sua decisão não tinha nada a ver com o escândalo da  BR, constituindo apenas “uma infeliz coincidência”. Foi substituído  por Orlando Galvão Filho, em 25 de janeiro de 1989.

 Passando para a iniciativa privada, neste mesmo ano tornou-se presidente do conselho consultivo e posteriormente diretor superintendente da Fábrica Carioca de Catalisadores, cargo emque permaneceu até setembro de 1990. No mês seguinte, assumiu a direção da divisão petroquímica da Companhia Suzano de Papel e Celulose.

                Tornou-se membro dos conselhos de administração de diversas empresas e instituições, entre as quais  Abiquim,  Politeno,  Petroflex,  Polibrasil, Polipropileno e a Petroquímica União, e  passou a presidir o conselho empresarial de energia da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

                Casou-se com Adalgisa Maria Prata Guedes Coelho, com quem teve duas filhas.

 

Verônica Pimenta Veloso

 

FONTES: O Globo, 23/6/88, 25/6/88, 19/7/88, 21/10/88, 17/12/88, 12/1/89, 18/1/89; Folha de São Paulo, 25/6/88, 20/12/88, 22/12/88, 12/1/89; Estado de São Paulo, 25/6/88, 28/6/88, 30/6/88, 13/8/88, 16/12/88, 27/12/88; Jornal do Brasil, 14/9/88, 8/12/88, 15/12/88, 21/12/88; currículo do biografado; informações prestadas pelo biografado (outubro de 1999).

 

 

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