COELHO, DANTON

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Nome: COELHO, Danton
Nome Completo: COELHO, DANTON

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COELHO, DANTON

COELHO, Danton

*rev. 1930; min. Trab. 1951; dep. fed. DF 1951-1959.

 

Danton Coelho nasceu em Porto Alegre no dia 3 de novembro de 1906, filho de Júlio Coelho e de Leocádia Neves Coelho.

Cursou o primário e parte do secundário no Colégio Nossa Senhora do Rosário e no Ginásio Júlio de Castilhos, ambos em sua cidade natal, transferindo-se depois para o Ginásio São Joaquim, em Lorena (SP). Posteriormente bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais, tendo cursado as faculdades de Direito de Porto Alegre e do Rio de Janeiro, pela qual obteve seu diploma.

Participou da Revolução de 1930, atuando como assistente do comandante do Esquadrão Divisionário das forças revolucionárias no Rio Grande do Sul, general Valdomiro Lima. Vitorioso o movimento que depôs Washington Luís em 24 de outubro e levou Getúlio Vargas ao poder em 3 de novembro do mesmo ano, passou a trabalhar no gabinete do ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha. Em março de 1932, filiou-se ao Clube 3 de Outubro, organização criada em maio de 1931 para congregar as correntes tenentistas partidárias da manutenção e do aprofundamento das reformas implantadas pela Revolução de 1930.

Após a derrota da Revolução Constitucionalista de São Paulo, no início de outubro de 1932, foi nomeado chefe de polícia do estado de São Paulo, já durante a interventoria do general Valdomiro Lima. Demitindo-se pouco depois, em 21 de dezembro do mesmo ano, não assumiu outros cargos públicos, afastando-se por algum tempo de uma atuação política mais direta. Em 1934 tornou-se vice-presidente do Conselho de Contribuintes de São Paulo e, de 1940 a 1946, foi membro da delegação do Tesouro Nacional em Londres e em Nova Iorque. Neste último ano passou a servir como conselheiro da embaixada brasileira no México, onde permaneceu até 1947. De volta ao país, exerceu a função de fiscal do imposto de consumo e, no final de 1948, durante o governo do presidente Eurico Dutra (1946-1951), reiniciou suas atividades políticas, ingressando no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), agremiação fundada no segundo semestre de 1945 sob inspiração de Vargas.

A partir de fins de 1949, ao se iniciarem as articulações para a eleição presidencial de 1950, Ademar de Barros, então governador de São Paulo, decidiu indicar Vargas como candidato à presidência por seu partido, o Partido Social Progressista (PSP), em troca de um futuro apoio à sua própria candidatura à presidência em 1955. O PTB também lançou a candidatura de Vargas, que aceitou ambas as indicações. Enquanto presidente interino do PTB a partir de agosto de 1950, Danton Coelho foi um dos principais articuladores da aliança PTB-PSP, a chamada Frente Populista, conseguindo que o nome de João Café Filho, do PSP do Rio Grande do Norte, fosse aceito pelos trabalhistas para integrar a chapa como vice-presidente de Vargas.

Essa aliança teve grande importância para a vitória eleitoral de Vargas, no mesmo pleito em que Danton Coelho se elegeu deputado federal pelo Distrito Federal na legenda do PTB. Entretanto, Danton Coelho não chegou a tomar posse na Câmara dos Deputados, pois, em janeiro do ano seguinte, foi nomeado ministro do Trabalho do segundo governo Vargas. No curto período em que permaneceu à frente dessa pasta, foi responsável pela campanha de sindicalização dos trabalhadores e pela suspensão do decreto que demitia os funcionários da Tabela Única. Paralelamente, Danton manteve-se na presidência do PTB até junho de 1951, quando foi afastado do cargo, sendo substituído por Dinarte Dornelles. Sua saída provocou aguda crise no interior do partido, chegando alguns dos seus membros a tentar fundar uma nova agremiação trabalhista intitulada Frente Trabalhista Brasileira. Renunciou ao cargo em 15 de setembro de 1951, alegando discordar das iniciativas de Vargas no sentido de se aproximar da oposição, particularmente da União Democrática Nacional (UDN). Substituído no ministério por José de Segadas Viana, assumiu em seguida seu mandato legislativo.

No princípio de agosto de 1954, o major-aviador Rubens Vaz foi assassinado num atentado político que visava o jornalista oposicionista Carlos Lacerda. O atentado da Toneleros provocou, pelas ligações dos assassinos com o governo, o acirramento da campanha contra Vargas, que culminaria com o suicídio do presidente no dia 24 de agosto. Danton Coelho participou da reunião ministerial convocada por Vargas na madrugada do dia 24, a que compareceram, além dos ministros de Estado, familiares e amigos do presidente. Foi também citado no relatório que acompanhou os autos do Inquérito Policial-Militar (IPM) instaurado pela Aeronáutica ainda naquele mês com o objetivo de apurar as responsabilidades pela morte do major Vaz. Todavia, recusou-se a responder ao inquérito lançando mão de suas imunidades parlamentares. Em outubro de 1954, já no governo de João Café Filho, reelegeu-se deputado federal na mesma legenda.

O ano de 1955 foi marcado pela campanha para as eleições presidenciais de outubro. Em fevereiro, o Partido Social Democrático (PSD) lançou oficialmente a candidatura de Juscelino Kubitschek, governador de Minas Gerais, à presidência da República. Em abril desse ano foi firmado o acordo entre o PTB e o PSD, cuja aliança se deu após o rompimento de um possível acordo entre o PTB e o PSP que visava à restauração da Frente Populista de 1950. Essa frente teve como principais defensores Danton Coelho e os senadores Aguinaldo Caiado de Castro e Lúcio Bittencourt, que acabaram por se apoiar à chapa PTB-PSD, cujo candidato à vice-presidência era o líder petebista João Goulart. Em junho, Danton Coelho tornou-se candidato à vice-presidência da República, na chapa de Ademar de Barros. Realizadas as eleições, Juscelino e Goulart saíram vencedores. Ademar e Danton obtiveram a terceira colocação, sendo superados por Juarez Távora e Mílton Campos, da UDN.

Em 11 de novembro de 1955, o movimento militar liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, depôs o presidente em exercício, Carlos Luz, visando a neutralizar uma conspiração em andamento no governo e assegurar a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Nesse dia, Danton Coelho compareceu, juntamente com o ministro do Trabalho, Alencastro Guimarães, ao gabinete do ministro da Guerra para prestar seu apoio ao movimento.

Ainda em 1955, Danton Coelho foi diretor-presidente da Editora Última Hora. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1959, não tendo mais concorrido a nenhum cargo eletivo.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 19 de abril de 1961.

Era casado com Ione Coelho.

 

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; AUDRÁ, A. Bancada; CÂM. DEP. Deputados; CISNEIROS, A. Parlamentares; COELHO, D. Panfleto; COHN, G. Petróleo; CORRESP. MIN. TRAB.; CORTÉS, C. Homens; COSTA, M. Cronologia; DULLES, J. Getúlio; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; HIPÓLITO, L. Campanha; Jornal (20/4/61); Jornal do Comércio, Rio (20/4/61); LEITE, A. História; MACEDO, N. Aspectos; MACHADO, F. Últimos; MIN. GUERRA. Almanaque (1951); MIN. TRAB. Documentário; NÉRI, S. 16; SILVA, H. 1930; Última Hora (20/4/61).

 

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