COELHO, MOACIR

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Nome: COELHO, Moacir
Nome Completo: COELHO, MOACIR

Tipo: BIOGRAFICO


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COELHO, Moacir

COELHO, Moacir

* militar, dir.- ger. DPF 1974-1985.

 

Moacir Coelho nasceu em Teresópolis (RJ) no dia 5 de outubro de 1922, filho de Natalício Francisco Coelho e Olímpia Rosa Coelho.

Sentou praça no Exército em março de 1941, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de artilharia em dezembro de 1947. Pro­movido a segundo-tenente em junho do ano seguinte, chegou a primeiro-tenente em junho de 1950, a capitão em dezembro de 1952, a major em abril de 1960 e a tenente-coronel em agosto de 1966. Durante esse período cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Ofi­ciais e a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, realizando ainda os cursos aeroterrestre (instrução básica e mestre de salto) e de operações psicológicas, este último nos Estados Unidos.

Em 1971, no governo do general Emílio Médici (1969-1974), foi um dos oficiais res­ponsáveis pela organização da Escola Nacio­nal de Informações (Esni), destinada ao apri­moramento do pessoal do Serviço Nacional de Informações (SNI) e do sistema nacional de informações. Os diferentes cursos e estágios da Esni deveriam formar chefes, analistas e agentes de informações, desde os de mais alto nível aos de nível intermediário. Para exercer suas funções de professor nessa instituição ficou agregado à carreira militar.

Já nos últimos dias do governo Médici, em março de 1974, foi nomeado chefe do Depar­tamento de Polícia Federal (DPF) em substi­tuição ao general Antônio Bandeira.  Nessa ocasião havia sido recentemente promovido a coronel, tendo sua nomeação para o cargo quebrado a tradição dos governos militares posteriores a 1964 de só entregar o comando do DPF a um oficial-general. Com a mudança de governo, teve seu nome mantido à frente do DPF pelo novo presidente da República, general Ernesto Geisel (1974-1979).

Em dezembro de 1976, em entrevista ao Jornal do Brasil, declarou que considerava a tensão social criada com a questão fundiária na Amazônia e na fronteira agrícola oeste (estendendo-se do sul do Pará ao norte de Goiás) "uma das situações mais difíceis" com que se defrontava a Polícia Federal. Em Ron­dônia, a "invasão de milhares de famílias" vinha ocorrendo rapidamente, dificultando, para Moacir Coelho, "a ação dos órgãos fede­rais".  Dizia ainda que considerar comunis­tas os que defendem os pequenos posseiros "é uma tese que favorece a qualquer ação antico­munista", embora não houvesse provas conclusivas nesse sentido. Queixava-se igual­mente da falta de recursos humanos no seio da Polícia Federal, o que contribuiria para o não esclarecimento de diversos atentados a bomba então ocorridos.

Por ocasião da cerimônia de inauguração das novas instalações da Delegacia de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteira, em setembro de 1977, no Rio Grande do Sul, declarou que a atuação da Polícia Federal na área de repres­são a movimentos de esquerda não era a dese­jada, pois, frente à deficiência de meios, as atividades da polícia marítima eram prioritá­rias. Em junho de 1978 enviou nota aos meios de comunicação proibindo a divulgação do movimento estudantil, notícias sobre a reces­são econômica, sobre as atividades de movimentos de oposição considerados de esquerda e qualquer comentário contra o governo, ainda que oriundo do exterior.

Em março de 1979, quando da mudança de governo, foi mais uma vez mantido na chefia do DPF pelo novo presidente, general João Batista Figueiredo. Nesse mesmo mês, o inquérito do DPF sobre o desaparecimento dos foragidos políticos uruguaios Lilian Celibertti e Universindo Diaz, que, segundo a imprensa, teriam sido levados de volta a seu país seqüestrados pela polícia brasileira, acabou por concluir pela inexistência de seqüestro, versão que Moacir Coelho atribuiu ao que considerava "exploração política". Em agosto do mesmo ano declarou à Comissão de Segurança Nacional da Câmara de Deputados que a Polícia Federal passaria a substituir as forças armadas na repressão aos chamados crimes contra a ordem política e social.  Sugeriu também que o DPF fosse "aliviado de alguns órgãos que compõem a sua estrutura”, dada a sua grande diversidade de atribuições, defendendo a desvinculação da censura e a criação de um conselho superior de censura.

Em março de 1981, ao depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os atos terroristas que então se multiplicavam, decla­rou que o atentado contra o jurista paulista Dalmo Dallari fora obra de grupos extremistas de direita, visando a impedir o processo de abertura democrática do governo João Figuei­redo. Por outro lado, insinuou que o surgimento de novos atos de terror coincidia com o retorno ao país de banidos e exilados beneficiados pela Lei da Anistia, observando que parecia "perigoso e ingênuo considerarem-­se extintos os movimentos subversivos no país", embora alguns ex-exilados se tivessem mostrado ajustados, outros insistiam na pre­gação aberta de suas idéias.

Em abril do mesmo ano declarou à Folha de São Paulo, a respeito da CPI do terrorismo, que, na análise elaborada por seus membros, destacava-se o fato de que "as personalida­des com responsabilidades no governo prefe­rem analisar o terrorismo como um fenômeno em si mesmo, sem conotações ideológicas, mas sempre se furtando ao exame de atentados em que há indícios da presença de elementos ligados aos órgãos de segurança". Considerava ainda que a dificuldade na eluci­dação dos atentados ocorridos era resultante do desvio de recursos da Polícia Federal para outras áreas, entre as quais se destacava a do combate ao tráfico de entorpecentes.

Em 1985, ao fim do regime militar, deixou o DPF, sendo substituído por Alencar Araripe.

Casou-se com Apolônia de Sousa Coelho.

 

FONTES: Folha de São Paulo (26/3 e 19/4/81); Jornal do Brasil (21/3/74, 30/12/76, 15/9/77, 18/6/78, 21/1, 21/3 e 30/8/79).

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