COELHO NETO, JOSE ANTONIO

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Nome: COELHO NETO, José Antônio
Nome Completo: COELHO NETO, JOSE ANTONIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COELHO NETO, JOSÉ ANTÔNIO

COELHO NETO, José Antônio

*militar; dir. Av. Mil. 1935-1937.

 

José Antônio Coelho Neto nasceu no Rio Grande do Sul no dia 19 de agosto de 1881, filho de Antônio José Coelho.

Sentou praça em maio de 1898, ingressando na Escola Tática e de Tiro de Rio Pardo (RS). Dois anos depois transferiu-se para a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e, em 1902, foi declarado alferes-aluno.

Em janeiro de 1905 seguiu para o 7º Batalhão de Infantaria, em Florianópolis, onde permaneceu até agosto desse mesmo ano. Nomeado para a Comissão da Carta Geral do Brasil, em Porto Alegre, ocupou interinamente o cargo de chefe da mesma entre setembro e novembro seguintes, passando a exercer depois disso a função de auxiliar. Promovido a segundo-tenente em janeiro de 1907 e a primeiro-tenente em setembro de 1909, em outubro de 1912 deixou a Comissão da Carta para integrar no mês seguinte a Comissão de Limites entre o Brasil e o Uruguai, sediada em Jaguarão (RS). Aí serviu até agosto de 1916, quando se reincorporou à Comissão da Carta Geral do Brasil, exercendo a função de ajudante até janeiro de 1919. Nesse ínterim, em fevereiro de 1918, foi promovido a capitão.

Designado em seguida para o Serviço Geográfico Militar, no Rio de Janeiro, em outubro de 1919 passou a integrar a Comissão Mista de Limites e Caracterização da Fronteira. Em janeiro de 1923 foi promovido a major e transferido para o Departamento de Pessoal do Exército, mas dois meses depois voltou a assumir interinamente a chefia da Comissão da Carta Geral do Brasil, cargo que ocuparia a seguir em caráter efetivo. Promovido a tenente-coronel em novembro de 1928, em abril de 1930 deixou a Comissão da Carta Geral e ingressou na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), no Rio de Janeiro, onde permaneceu até 10 de outubro seguinte. Nesse momento, estando já deflagrada desde o dia 3 a Revolução de 1930, foi transferido para o Estado-Maior do Exército (EME).

Com a vitória da revolução e a deposição do presidente Washington Luís em 24 de outubro, foi enviado pela junta governativa provisória que assumiu — e pretendia manter — o poder para negociar com Getúlio Vargas, líder nacional das forças revolucionárias, que avançava do Rio Grande do Sul rumo à capital federal. Depois que o comando revolucionário ordenou o prosseguimento do avanço das tropas rebeldes, foram acertados os termos da transmissão do poder a Vargas, efetivada no dia 3 de novembro.

Ainda em novembro de 1930, Coelho Neto assumiu a chefia de gabinete do EME. Promovido a coronel em maio de 1931, entrou como aluno para a Escola de Estado-Maior do Exército, aí permanecendo até janeiro de 1932, quando foi designado para o Departamento de Pessoal de Guerra. Em julho desse ano, quando irrompeu a Revolução Constitucionalista de São Paulo, voltou ao EME e aí ocupou diferentes cargos de chefia até junho de 1933, quando assumiu o comando da Escola de Estado-Maior do Exército. Foi promovido a general-de-brigada em setembro de 1934, assumindo em novembro seguinte o comando da 5ª Brigada de Infantaria, em Santa Maria (RS). Com a nomeação do general Eurico Dutra para o comando da Vila Militar do Rio de Janeiro, em abril de 1935, foi designado para substituí-lo no comando da Aviação Militar do Exército, também no Rio de Janeiro.

Em virtude do levante promovido pelo Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da Aliança Nacional Libertadora (ANL), irrompido em Natal no dia 23 e em Recife no dia 24 de novembro de 1935, Coelho Neto tomou uma série de medidas de segurança contra possíveis agitações na tropa. No dia 27 de novembro o movimento eclodiu também no Rio de Janeiro, no 3º Regimento de Infantaria e na Escola de Aviação Militar, sendo porém derrotado no mesmo dia pelas tropas legalistas, que estavam de alerta.

Em dezembro de 1935, como conseqüência direta do levante, teve lugar uma reunião de generais à qual estiveram presentes o general Eurico Dutra, comandante da 1ª Região Militar, o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro e o general Coelho Neto, entre outros. No encontro foram discutidas as leis repressivas a serem aplicadas no país, tendo Coelho Neto sustentado o ponto de vista de que a Constituição poderia ser alterada sem comprometer a essência do regime, com a inclusão de dispositivos que permitissem medidas preventivas e punitivas à altura dos acontecimentos. Ficou decidido o total apoio ao ministro da Guerra, general João Gomes, que, ao final do encontro, encaminhou à Presidência da República o esboço de um projeto de lei no qual se decretava a expulsão do Exército dos oficiais envolvidos no levante.

Coelho Neto integrou a Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo, criada em janeiro de 1936 e cujo presidente era o deputado Adalberto Correia. A comissão tinha poderes para prender e afastar de seus cargos todos os participantes, civis ou militares, da revolta de novembro de 1935. Em maio de 1937 manifestou-se contrário à intervenção no Rio Grande do Sul, que vinha sendo articulada por Getúlio Vargas para afastar do governo do estado José Antônio Flores da Cunha, partidário da candidatura oposicionista de Armando Sales à presidência da República nas eleições previstas para 1938. A intervenção acabaria por materializar-se em outubro seguinte, quando o governador gaúcho foi obrigado a renunciar, refugiando-se no Uruguai.

Ainda em setembro de 1937 Coelho Neto participou de uma reunião que contou com a presença de diversos militares de alta patente e na qual se propôs a reinstauração do estado de guerra e a dissolução da Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo. Segundo Hélio Silva em 1937, todos os golpes se parecem, Coelho Neto sugeriu o aniquilamento completo dos deputados comunistas e a deflagração de um movimento militar que implicaria um golpe, declarando-se entretanto contrário à implantação de qualquer ditadura militar.

Em outubro, o Exército anunciou ter apreendido o Plano Cohen, pretenso esquema de ação comunista que forneceu o pretexto para a deflagração do golpe do Estado Novo em novembro de 1937. Tratava-se na verdade de um documento forjado, utilizado pela alta cúpula militar e pelo próprio governo para favorecer seu projeto ditatorial. Em dezembro de 1937, Coelho Neto foi exonerado do comando da Aviação Militar, o mesmo ocorrendo com outros oficiais até então ocupantes de altos cargos militares.

Efetivado no comando da 8ª Brigada de Infantaria, com sede em Belo Horizonte, em abril de 1938, aí permaneceu até setembro, quando se tornou comandante da Infantaria Divisionária da 4ª Divisão de Infantaria, em Juiz de Fora (MG). A partir de maio do ano seguinte acumulou esse cargo com o comando da 4ª Região Militar, sediada também em Juiz de Fora, tendo exercido ambas as funções até março de 1940. Designado diretor do Serviço Geográfico e Histórico do Exército em abril desse ano, foi promovido a general-de-divisão em agosto de 1941 e, ainda nesse mês, integrou a delegação brasileira à II Reunião Pan-Americana de Consulta sobre Geografia e Cartografia, realizada no Rio de Janeiro. De 1943 a 1945 atuou como membro da Comissão de Promoções do Exército, sendo transferido para a reserva em agosto desse último ano no posto de general-de-exército.

Faleceu no dia 11 de junho de 1963.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; CARONE, E. República nova; LAGO, L. Relação; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; WANDERLEY, N. História.

 

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