Ronaldo César Coelho

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Nome: COELHO, Ronaldo César
Nome Completo: Ronaldo César Coelho

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

COELHO, Ronaldo César

*const. 1987-1988; dep. fed. RJ 1987-1991, 1995, 1996, 1997-2001, 2002, 2006-2007


 

Ronaldo César Coelho nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 23 de março de 1947, filho de Osvaldo do Amazonas César Coelho e de Sara Sabat Coelho.

Fez o curso secundário no Colégio Pedro II e o universitário na Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde cursou direito entre 1966 e 1970. Iniciou sua vida profissional como vendedor de uma agência de automóveis em Copacabana, bairro onde nasceu. Transferindo-se depois para o mercado de capitais, trabalhou como operador na corretora Multiplic até o final da década de 1960. Funcionário de destaque, tornou-se mais tarde sócio da empresa juntamente com Antônio José Carneiro.

Em 1977, a corretora obteve do governo a concessão para operar como Banco de Investimentos Multiplic, tornando-se, nos anos seguintes, uma das maiores instituições do setor. Presidente do Multiplic, Ronaldo exerceu também a presidência da Associação Nacional dos Bancos de Investimento. Além dessas atividades, tornou-se o maior acionista individual da Souza Cruz. Dono da repetidora da Rede Globo de Televisão em Resende (RJ), tornou-se também proprietário da Antares, empresa de aviões a jato de pequeno porte.

Ingressou na política após a derrota da emenda Dante de Oliveira, em 1984. Votada pela Câmara dos Deputados em 25 de abril, a emenda previa para novembro daquele ano o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, suspensas desde a instauração do regime militar em abril de 1964. Com a não-aprovação da proposta — faltaram apenas 22 votos para que o projeto fosse enviado à apreciação do Senado —, a sucessão do general João Batista Figueiredo ficou para ser decidida pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Até então apenas um banqueiro, Ronaldo engajou-se na campanha do candidato oposicionista, o ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves.

Lançado pela Aliança Democrática, coligação que reuniu o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e os dissidentes do Partido Democrático Social (PDS) que formaram a Frente Liberal, Tancredo foi eleito no Colégio Eleitoral com uma expressiva votação, derrotando Paulo Maluf, candidato governista. Gravemente enfermo, o ex-governador mineiro não chegaria, contudo, a assumir a presidência. Após sucessivas internações, veio a falecer no dia 21 de abril de 1985, sendo substituído no cargo por seu vice José Sarney, que já vinha exercendo a função interinamente desde o dia 15 de março.

Com o fim do regime militar e o advento da chamada “Nova República”, Ronaldo foi convidado, em 1986, a assumir a presidência da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur). Recusou a indicação e candidatou-se em novembro desse ano a uma vaga de deputado federal constituinte, na legenda do PMDB, afastando-se para tanto da presidência do Multiplic. Durante a campanha, contou com o apoio da área de mercado de capitais e do interior do estado do Rio, onde obteve a adesão do prefeito de Campos, Zezé Barbosa, fato decisivo para sua vitória nas urnas. Recebeu 70 mil votos, a segunda maior votação do estado do Rio, e em seguida tentou articular uma frente suprapartidária com os demais deputados fluminenses eleitos, objetivando a aprovação de projetos de interesse do estado.

Empossado na Assembléia Nacional Constituinte em fevereiro de 1987, participou dos trabalhos como membro titular da Subcomissão do Sistema Eleitoral e Partidos Políticos, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e de Garantia das Instituições; e, como suplente, da Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, da Comissão da Ordem Econômica.

Em maio de 1987, foi interpelado judicialmente pelo governador do Rio de Janeiro, Wellington Moreira Franco (1987-1991), seu correligionário, para explicar denúncias de irregularidades envolvendo deputados fluminenses na indicação de inspetores para a Secretaria de Fazenda do estado. Negando que tivesse acusado o governador ou a bancada do PMDB, afirmou que falava em tese e que se propusera apenas a “denunciar velhas práticas de corrupção que a população deseja ver eliminadas”.

Recusando-se a aceitar a alcunha de representante dos banqueiros, definia-se como um “parlamentar com visão empresarial”. Como constituinte, foi secretário-geral do chamado “Grupo do Entendimento”, que reuniu cerca de 120 parlamentares. Para o Centrão — grupo formado por deputados conservadores —, era o “banqueiro de Marx”; para as esquerdas, o “sócio da rainha”, referência à sua antiga associação com o Banco de Londres. Afirmando ser um “liberal moderno e independente”, declarou ter votado com “idealismo na questão social e com realismo na questão econômica”. Nas principais sessões do período, votou a favor da reforma agrária, da legalização do aborto, dos 120 dias de licença para as gestantes, do turno ininterrupto de seis horas, da manutenção da unicidade sindical, da adoção do parlamentarismo e da instituição do voto facultativo aos 16 anos. Foi contrário à estabilidade no emprego, à nacionalização dos recursos minerais, à discriminação do capital estrangeiro, ao tabelamento dos juros reais em 12% ao ano, à limitação do direito de propriedade, à estatização do sistema financeiro e ao mandato de cinco anos para o presidente Sarney.

Em junho de 1988, foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), tornando-se seu presidente regional no Rio de Janeiro. Com a promulgação da nova Constituição em 5 de outubro desse ano, continuou no exercício de seu mandato regular como deputado federal.

Em julho de 1989, foi o responsável direto pela filiação do ex-governador de Pernambuco Roberto Magalhães ao PSDB e de sua adesão, como vice-presidente, à chapa do partido para a presidência da República, encabeçada por Mário Covas. Com a derrota de Covas no primeiro turno da eleição presidencial, pronunciou-se a favor de uma linha de independência no segundo turno. Achava que o PSDB deveria discutir com os militantes a quem apoiar, recusando-se a fazer conchavos ou a trocar apoio por ministérios ou cargos no novo governo.

Seu posicionamento, contudo, não significou uma postura de neutralidade em relação à eleição que se aproximava, uma vez que, seguindo a posição partidária, acabou apoiando Luís Inácio Lula da Silva, candidato da Frente Brasil Popular, coligação formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A seu ver, a questão central para o partido deveria ser o plebiscito sobre o sistema de governo previsto para abril de 1993, que os parlamentaristas, como ele, pretendiam antecipar para 1991. Apesar do apoio que recebeu, Lula não conseguiu se eleger, sendo derrotado no segundo turno, em dezembro de 1989, pelo candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), Fernando Collor de Melo, primeiro presidente a ser eleito por via direta desde a vitória de Jânio Quadros em 1960.

Em junho de 1990, Ronaldo foi convidado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola para compor chapa visando à eleição para o governo do estado, em outubro seguinte. A coligação com o Partido Democrático Brasileiro (PDT) era defendida, no PSDB fluminense, pelos deputados Artur da Távola e Ana Maria Rattes. A executiva regional do partido, no entanto, rejeitou a proposta com o apoio de Ronaldo, que lançou sua pré-candidatura à sucessão de Moreira Franco.

Realizada a convenção regional do partido, Ronaldo foi indicado candidato a governador do PSDB, tendo em sua chapa como candidato a vice o economista Carlos Lessa. Em seu programa de governo, propunha a unificação das polícias civil e militar, a transformação das favelas em bairros operários, a expansão do metrô e a atração de uma grande fábrica de automóveis para o estado.

Durante a campanha, aproximou-se do presidente Collor, reivindicando que o Rio de Janeiro sediasse a II Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, marcada para 1992. Sustentou sua posição argumentando que o presidente estava “fazendo um governo eficiente e moderno na área econômica”. Seu posicionamento foi criticado pelos deputados do PSDB, que defendiam uma linha de oposição ao governo federal, seguindo a executiva nacional do partido. Sua candidatura recebeu a adesão de 13 partidos. Apesar de todo esse apoio, ficou em último lugar na disputa, sendo a eleição decidida em favor de Brizola, ainda no primeiro turno. Em janeiro do ano seguinte, ao fim da legislatura 1987-1991, deixou a Câmara dos Deputados.

Depois do pleito estadual, Ronaldo voltou a se ocupar diretamente da campanha pelo parlamentarismo, como coordenador da Frente Parlamentar Ulisses Guimarães. Nessa condição, percorreu o país tentando unir o PSDB em torno de uma aliança com Collor que, para ele, era “o mais importante eleitor do parlamentarismo”. Realizado o plebiscito em abril de 1993, o sistema presidencialista acabou, no entanto, por prevalecer sobre a tese parlamentarista.

Na eleição de outubro de 1994, foi reeleito para a Câmara do Deputados. Como plataforma de campanha, defendeu a necessidade de criação de um projeto regional para o estado do Rio que estimulasse a geração de empregos, através do desenvolvimento da construção naval e da instalação do porto de Sepetiba. Devido a denúncias de irregularidades supostamente ocorridas durante o processo de votação, o pleito foi anulado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado. Realizada uma nova eleição em novembro seguinte, Ronaldo confirmou sua vitória.

Em dezembro de 1994, foi indicado pelo governador recém-eleito Marcelo Alencar para a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo do futuro governo. Aceitando o convite, assumiu o cargo em 1º de janeiro de 1995. No mês seguinte foi empossado na Câmara, licenciando-se em seguida para continuar como secretário. Substituído no Legislativo federal pelo suplente Sílvio Lopes, teve, como sua maior realização à frente da secretaria, a instalação de uma fábrica da Volkswagen, em Resende (RJ), em julho de 1995.

No início de 1996, anunciou a intenção de disputar a prefeitura do Rio de Janeiro na legenda do PSDB, tendo em vista o pleito de outubro do mesmo ano. Tencionando demitir-se da secretaria para participar da campanha, sofreu entretanto a oposição do governador Marcelo Alencar, que declarou apoio ao deputado estadual Sérgio Cabral Filho. Advertido por Marcelo de que não seria reconduzido ao cargo caso fosse derrotado na convenção do partido, Ronaldo decidiu no entanto manter sua candidatura, deixando a secretaria no dia 31 de maio de 1996. Seu substituto, o deputado federal Márcio Fortes, havia renunciado à disputa dentro do PSDB tão logo Marcelo Alencar anunciara a decisão de apoiar Cabral Filho.

Favorável à reprodução da aliança entre o PSDB e o Partido da Frente Liberal (PFL) que elegera o presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994, Ronaldo era um dos principais defensores de um acordo do PSDB com o prefeito César Maia (então no PFL), com quem Marcelo Alencar estava rompido. Segundo afirmava, sua candidatura era a única capaz de atrair o apoio do PFL e evitar o retorno do “populismo brizolista”.

Com o agravamento da crise vivida pelos “tucanos”, Ronaldo admitiu apoiar uma possível candidatura de consenso do senador Artur da Távola, nome sugerido por Fernando Henrique. Como a iniciativa não foi adiante, e reconhecendo que a indicação de candidatura no PSDB do Rio seria decidida pelo governador, não chegou a disputar a convenção do partido, realizada em junho de 1996. Apesar disso, teve seu nome incluído na lista de votação, sendo derrotado por Cabral Filho. Revoltado com o registro de sua candidatura, acusou os convencionais de serem “funcionários do governo estadual” e de estarem “muito próximos das benesses do poder”. Agredido fisicamente pelos partidários de Sérgio Cabral, referiu-se a seus agressores como “ex-militantes do PDT [que haviam ingressado no PSDB junto com Marcelo Alencar] desabituados a conviver num partido pluralista”. Vitorioso na disputa interna do PSDB, Cabral Filho não teria contudo a mesma sorte no pleito municipal, sendo derrotado, no segundo turno de novembro de 1996, pelo candidato do PFL, Luís Paulo Conde.

Passada a convenção, Ronaldo retornou à Câmara dos Deputados ainda em junho de 1996, mas não por muito tempo. No mês seguinte, foi nomeado por Fernando Henrique embaixador extraordinário do Brasil junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI), solicitando por isso nova licença do mandato e sendo substituído, dessa vez, pelo suplente Airton Xerez. Na mesma época, foi também indicado para presidir o Comitê Rio 2004, em substituição a Rafael de Almeida Magalhães. Empresa criada pela Prefeitura do Rio, pelo governo do estado, pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, o comitê tinha como objetivo divulgar a candidatura da cidade para sediar os Jogos Olímpicos de 2004.

Em julho de 1996, a candidatura do Rio foi oficialmente aceita pelo COI. No mês seguinte, Ronaldo esteve na sede da entidade (em Lausanne, Suíça) para entregar o dossiê com a proposta brasileira. Indo além do projeto de construção de uma vila olímpica e do programa de obras de infraestrutura — entre as quais se destacava a proposta de construção de um túnel submarino ligando o Rio a Niterói —, a “questão social” era o grande mote da candidatura. Entre outras coisas, o dossiê enfatizava o papel que, nas palavras de Ronaldo, as Olimpíadas poderiam ter no “equacionamento dos problemas oriundos da exclusão social” e na “integração social da cidade”. Talvez, por isso, a campanha tenha recebido uma grande adesão popular, com a participação de artistas e de vários segmentos sociais.

Em novembro, no entanto, às vésperas da chegada dos representantes do COI que viriam analisar as condições da cidade, a candidatura do Rio começou a revelar suas deficiências. Descontente com a atuação do comitê, o sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho, coordenador da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, afirmou que a campanha liderada por Ronaldo não estava priorizando os programas da “agenda social” estabelecida pelo movimento. Embora as declarações de Betinho tenham sido depois minimizadas, o episódio não escondeu as divisões existentes na campanha.

O prefeito César Maia, responsável oficial pela candidatura, também insatisfeito com a atuação de Ronaldo, decidiu não comparecer à cerimônia de abertura dos trabalhos do COI. Para completar, ao fim da vistoria, os representantes estrangeiros apontaram problemas nos setores ambiental, de transportes e de telecomunicações do Rio. Preocupados com os altos índices de violência na cidade, questionaram ainda a capacidade dos organizadores de conseguir o patrocínio de 464 milhões de dólares estipulado no projeto.

Em 20 de fevereiro de 1997, Ronaldo foi reempossado como deputado federal para a legislatura 1995-1999, em virtude da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular o pleito de novembro de 1994 e de diplomar novamente a bancada do Rio de Janeiro, de acordo com o resultado da primeira eleição. Solicitando nova licença do mandato para continuar exercendo as funções de embaixador junto ao COI, sua vaga na Câmara foi ocupada pelo suplente Flávio Palmier da Veiga.

Ainda em fevereiro, quase que antecipando o resultado da avaliação do COI, acusou a imprensa estrangeira de manipular informações em favor de Buenos Aires, uma das 11 cidades classificadas. No mês seguinte, as finalistas foram por fim anunciadas. Eram elas: Roma, Atenas, Estocolmo, Cidade do Cabo e Buenos Aires. O Rio estava desclassificado. Tempos depois, Atenas seria eleita para sediar os Jogos Olímpicos de 2004.

Com a derrota, voltaram à tona as críticas ao comitê. Questionado por não ter respondido por escrito às objeções feitas pelo COI à candidatura do Rio, Ronaldo foi ainda acusado pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Artur Nuzman, de ter mantido a entidade afastada da campanha. Segundo César Maia — para quem o comitê organizador havia substituído a prefeitura no papel de anfitrião do COI —, a estratégia de vincular a candidatura ao desenvolvimento social da cidade também fora equivocada. Afirmando ter herdado dívidas das gestões anteriores à sua, Ronaldo rebateu as críticas sugerindo que elas deveriam ter sido feitas no momento adequado.

Em abril de 1997, reassumiu sua cadeira na Câmara. Dois meses depois, reconciliou-se com Marcelo Alencar e firmou um acordo para a formação da chapa do PSDB às eleições do ano seguinte. Comprometendo-se a apoiar a reeleição do governador, foi indicado para ser o candidato do partido ao Senado. Assumiu, no mês de julho, uma das vice-lideranças do governo na Câmara e, em novembro, votou favoravelmente ao destaque do projeto de reforma administrativa do Executivo, que instituiu a possibilidade de demissão no serviço público por insuficiência de desempenho ou por excesso de gastos com pessoal.

Em maio de 1998, Marcelo Alencar anunciou que não iria mais disputar a reeleição e indicou para substituí-lo o vice-governador Luís Paulo Correia da Rocha. Com a desistência do governador, Ronaldo passou a defender o apoio do PSDB a César Maia, candidato do PFL. Desautorizado por Alencar, acabou também renunciando à postulação ao Senado e lançou-se candidato à reeleição como deputado federal. Sem lançar outro nome ao Senado, os tucanos decidiram então apoiar a candidatura de Moreira Franco, do PMDB.

No pleito de outubro de 1998, Luís Paulo Correia da Rocha foi derrotado já no primeiro turno, sendo a eleição decidida em segundo escrutínio com a vitória do candidato do PDT, Anthony Garotinho. Na eleição para o Senado, Moreira Franco também não foi bem-sucedido, sendo derrotado por Saturnino Braga, do PSB. Ronaldo César Coelho, no entanto, foi reeleito para a Câmara dos Deputados com 131 mil votos.

No mês seguinte, ainda durante a legislatura 1995-1999, votou a favor da criação de um teto para as aposentadorias dos funcionários públicos e da instituição de uma idade mínima e do tempo de contribuição como critérios de cálculo para a concessão de aposentadorias no setor privado. Durante o ano de 1998, foi membro titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio.

Assumiu seu novo mandato em fevereiro de 1999. Entre março de 2000 e fevereiro de 2001 ocupou a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Nessa legislatura, exerceu também a função de vice-líder do governo federal no Congresso Nacional. No período em que ocupou esse cargo, participou da articulação para a aprovação de diversos projetos, como a legislação para a regulação dos planos de saúde; a legislação dos remédios “genéricos”; a chamada “Lei Pelé”, elaborada com o intuito de modernizar o esporte no país; e a lei de regulamentação da Agência Nacional de Saúde (ANS).

Nas eleições municipais de 2000, foi lançado pelo PSDB candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. Recebeu 59.058 votos, ou 1,82% dos votos válidos, ocupando a sexta colocação. No segundo turno, na disputa entre Luís Paulo Conde, do PFL, e César Maia, então no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), apoiou este último, eleito na ocasião.

Em julho de 2001, assumiu a Secretaria de Saúde da cidade do Rio de Janeiro, na administração de César Maia. Esperava-se que o novo secretário aplicasse as políticas adotadas pelo Ministério da Saúde. Essa tarefa seria facilitada pelo fato de o então ministro José Serra ser do PSDB, partido de Ronaldo. A nomeação provocou algumas críticas. Uma delas se relacionou à possibilidade de haver uma contradição de interesses entre a campanha contra o tabagismo então feita pelo governo federal e o fato de Ronaldo deter cerca de 5% das ações da maior fabricante de cigarros do país, a Souza Cruz. Além disso, foi criticado por não ser originário da área da saúde, diferentemente de seu antecessor, o sanitarista Sérgio Arouca.

Procurou aplicar, enquanto esteve à frente da secretaria, conceitos de administração racionalizada trazidos da iniciativa privada, onde desenvolveu sua trajetória profissional. Nesse período, aproveitando a aproximação com o governo de Fernando Henrique Cardoso e com seu ministro da Saúde José Serra (seus companheiros de partido), obteve apoio financeiro federal para a construção no município de oito maternidades e três hospitais. Deixou o cargo em março de 2002, reassumindo seu mandato de deputado federal, com o intuito de buscar a reeleição em outubro. Foi reeleito com 87.761 votos e logo depois foi convidado por César Maia para reassumir a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 2003, foi empossado na Câmara dos Deputados, licenciando-se em seguida para continuar atuando como secretário.

Nesse novo período à frente da secretaria, desenvolveu o projeto Remédio em Casa, de distribuição de remédios a domicílio, que foi reproduzido posteriormente em diversos estados. Apesar da iniciativa, em dezembro de 2004 sofreu ameaça de prisão por descumprir decisão judicial que obrigava o governo municipal a fornecer remédios gratuitos a pacientes carentes. A decisão se baseava no artigo 196 da Constituição Federal, que define que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”. Sua prisão chegou a ser decretada em maio de 2005, mas foi revogada após a imediata entrega dos medicamentos em questão.

Ainda em 2004, César Maia se candidatou à reeleição na legenda do PFL, ao qual havia retornado, obtendo o apoio do PSDB e de Ronaldo. Foi reeleito em primeiro turno, e Ronaldo seguiu ocupando a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Em 2005, estourou uma crise na área de saúde do município, que envolveu uma disputa entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo de Luís Inácio Lula da Silva, do PT, que havia assumido em 2003. A Prefeitura acusou o governo federal de ter acumulado uma vultosa dívida por conta de unidades de saúde originalmente federais que haviam sido municipalizadas em 1999. Já o governo federal declarou que os atendimentos nos hospitais municipais eram de má qualidade devido a problemas de gestão específicos da Prefeitura. O governo federal ofereceu repasses anuais para sanar a crise, que foram considerados baixos pela Prefeitura. Finalmente, diante do que entendeu como falta de disposição para a negociação, em 11 de março de 2005 o governo federal publicou decreto declarando estado de calamidade pública na saúde do município, e assumiu o controle de seis hospitais da rede municipal. A decisão provocou protestos do secretário de Saúde, que afirmou não existir uma situação de calamidade que justificasse a intervenção, e acusando-a de ter “motivações políticas”. A intervenção foi suspensa oficialmente em abril, mas o governo federal manteve até o ano seguinte algumas das atividades (regularmente fora de sua alçada) desenvolvidas durante o período, como os mutirões de cirurgias e o funcionamento de “hospitais de campanha” montados em alguns pontos da cidade pelo Exército.

Deixou secretaria em abril de 2006, com o intuito de se candidatar a uma vaga no Senado Federal. Retornou à Câmara dos Deputados, chegando a assumir a vice-presidência da Comissão de Minas e Energia. Nas eleições de outubro foi candidato a senador na legenda do PSDB e recebeu 370.080 votos, ou 5,03% dos votos válidos, ficando na quarta colocação. O eleito foi o candidato Francisco Dornelles, do Partido Progressista (PP). Em janeiro de 2007, ao final da legislatura, deixou a Câmara dos Deputados. Voltou à Prefeitura do Rio de Janeiro a convite de César Maia, assumindo a Secretaria Especial de Articulação Institucional. Em outubro, deixou o PSDB e filiou-se ao Democratas (DEM), mesma legenda do prefeito.

Em abril de 2008, com a reforma do secretariado visando à desincompatibilização dos secretários para as eleições municipais daquele ano, deixou a Prefeitura. Foi sugerido nesse período que poderia se candidatar tanto a vereador quanto a prefeito. No entanto, nas eleições daquele ano, acabou não concorrendo a nenhum cargo, enquanto seu novo partido apoiou a candidatura para prefeito de Fernando Gabeira, do Partido Verde (PV), que foi derrotado.

Nas eleições de Outubro de 2010, concorreu como primeiro suplente de senador na chapa encabeçada por Cesar Maia, que não conseguiu se eleger.

Casou-se com Ana Cândida de Sousa, com quem teve um filho.

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST.; COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; MOTA, C. & LOPEZ, A. Brasil; Portal da Câmara dos deputados. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br>; Portal G1 de Notícias. Disponível em: <http://g1.globo.com>. Acesso em 20/09/2013; Portal do Jornal do Brasil. Disponível em <http://www.jb.com.br>. Acesso em 20/09/2013;  Portal do jornal O Dia. Disponível em: <http://odia.ig.com.br>. Acesso em 20/09/2013; Portal do jornal Estado de São Paulo. Disponível em <http://www.estadao.com.br>. Acesso em 20/09/2013; Portal do jornal Folha de São Paulo. Disponível em: <http://www.folha.uol.com.br>. Acesso em 20/09/2013; Portal do Tribunal Superior Eleitoral. Disponível em: <http://www.tse.jus.br>. Acesso em 20/09/2013.

 

 

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