COELHO, SALALINO

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Nome: COELHO, Salalino
Nome Completo: COELHO, SALALINO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COELHO, SALALINO

COELHO, Salalino

*militar; ch. EMA 1954-1955.

 

Salalino Coelho nasceu em Mato Grosso no dia 29 de janeiro de 1890.

Ingressou na Escola Naval do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, tornando-se guarda-marinha em abril de 1906, segundo-tenente em janeiro de 1910, primeiro-tenente em julho de 1914 e capitão-tenente em novembro de 1921.

Entusiasta da Revolução de 1930, foi membro do Clube 3 de Outubro, organização criada em maio de 1931 congregando as correntes tenentistas partidárias da manutenção e do aprofundamento das reformas instituídas por aquela revolução. Promovido a capitão-de-corveta em julho de 1932, a capitão-de-fragata em dezembro de 1937 e capitão-de-mar-e-guerra em maio de 1943, tornou-se nesse ano chefe da Divisão de Comunicações do Estado-Maior da Armada (EMA). Em abril de 1946 foi promovido a contra-almirante, patente na qual atuou em 1947 como chefe do Estado-Maior Geral e em 1948 como membro do Conselho do Almirantado. Promovido a vice-almirante em março de 1950, em janeiro de 1954 chegou a almirante-de-esquadra.

Em julho seguinte foi designado para substituir o almirante Átila Aché como chefe do EMA, participando então dos acontecimentos que configuraram a crise política do final do último governo de Getúlio Vargas (1951-1954). Assim, em 20 de agosto de 1954, esteve presente à reunião do Alto Comando das Forças Armadas, convocado para deliberar sobre a proposta apresentada pelo vice-presidente João Café Filho no sentido de que se pedisse a renúncia de Vargas. A reunião, no entanto, decidiu pela manutenção de Vargas no poder e pelo respeito à Constituição. Em 22 de agosto participou de nova reunião, dessa vez em casa do general João Batista Mascarenhas de Morais, ao lado dos generais Álvaro Fiúza de Castro, Canrobert Pereira da Costa e Juarez Távora. Decidiu-se então pela renúncia de Vargas, que deveria ser exigida do presidente. No dia seguinte, Salalino Coelho participou da reunião dos chefes de estado-maior das três armas, presidida por Mascarenhas de Morais, que ratificou a decisão tomada anteriormente. Em 24 de agosto, no entanto, Vargas suicidou-se, sendo substituído pelo vice-presidente João Café Filho.

Em setembro do mesmo ano, ainda durante o governo Café Filho, Salalino Coelho foi um dos signatários do Manifesto das forças armadas, documento que procurava recuperar historicamente os acontecimentos que culminaram com o suicídio de Vargas, afirmando ainda que as forças armadas haviam sempre objetivado a manutenção da ordem e da Constituição. Nesse sentido, o manifesto procurava justificar a tentativa de deposição de Vargas como a única forma viável encontrada para a coesão das forças armadas e evitar derramamento de sangue.

Em novembro de 1954, Salalino Coelho, o brigadeiro Gervásio Duncan, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer), e o general Fiúza de Castro, chefe do Estado-Maior do Exército (EME), foram consultados pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), general Canrobert Pereira da Costa, a pedido de Café Filho, sobre a reformulação da legislação petrolífera que, no tocante ao monopólio estatal, era alvo de acirrada campanha. Redigiram então um documento no qual anunciavam a posição oficial das forças armadas em relação à Petrobras e à possibilidade de alteração de lei que a criara. Para os militares, qualquer alteração na política do petróleo seria considerada prematura e inconveniente antes de um período mínimo de experiência objetiva da companhia. De acordo com o documento, no que se referia aos transportes e ao refino, a Petrobras poderia concorrer com as empresas estrangeiras, sobretudo na América do Sul, onde estavam sendo abertas fontes produtoras de óleo bruto. No tocante à prospecção, a própria experiência ditaria qual a necessidade de reformulação. A legislação não foi reformulada nessa ocasião.

Em março de 1955 Salalino Coelho manifestou-se contra a proposta feita pelo Conselho de Segurança Nacional de rever o tratado firmado entre o Brasil e a Bolívia em 1938, relativo à exploração do petróleo boliviano por empresas de capital brasileiro e boliviano. Os defensores da revisão argumentavam que o Brasil não dispunha naquele momento de recursos para iniciar o empreendimento.

De abril a maio de 1955, Salalino Coelho ocupou interinamente o Ministério da Marinha no lugar do vice-almirante Edmundo Amorim do Vale. Alguns dias após a queda do governo Café Filho, provocada pelo Movimento do 11 de Novembro de 1955, foi substituído na chefia do EMA pelo almirante Renato Guillobel.

Faleceu no Rio de Janeiro em 1963.

 

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; COSTA, M. Cronologia; Encic. Mirador; MACHADO, F. Últimos; MIN. GUERRA. Subsídios; MIN. MAR. Almanaque (1956).

 

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