LEVINDO OZANAN COELHO

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Nome: COELHO, Ozanan
Nome Completo: LEVINDO OZANAN COELHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COELHO, OZANAN

COELHO, Ozanan

*dep. fed. MG 1959-1975; gov. MG 1978-1979; dep. fed. MG 1983-1984.

 

Levindo Ozanam Coelho nasceu em Ubá (MG) no dia 17 de maio de 1914, filho de Levindo Eduardo Coelho e de Antonina Gonçalves Coelho. Seu pai foi deputado federal por Minas Gerais em 1930, constituinte em 1934 e 1946 e senador por Minas Gerais de 1946 a 1955. Seu irmão, Eduardo Levindo Coelho, chefiou a Secretaria de Estado (1978-1979), de Saúde (1979-1981) e de Educação (1981-1982) do governo de Minas Gerais.

Cursou o Ginásio Raul Soares, em sua cidade natal, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais (UMG), atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1936. Quando estudante integrou o Centro Acadêmico de sua faculdade e presidiu o Partido Reivindicador ali fundado. Foi funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte e, em seguida, promotor de Justiça no município mineiro de Bom Sucesso.

Iniciou sua vida política respaldado na trajetória de seu pai, que gozava de grande representatividade em Ubá e em outras cidades da Zona da Mata mineira. Tornou-se, assim, prefeito municipal de Ubá durante o Estado Novo (1937-1945), exercendo o cargo de 1939 a 1946. Com a desagregação do Estado Novo, filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD), em cuja legenda se elegeu, em janeiro de 1947, suplente de deputado à Assembléia Constituinte de Minas Gerais. No pleito de outubro de 1950 voltou a disputar um mandato estadual na legenda do PSD, obtendo dessa vez a primeira suplência da legenda. No pleito de outubro de 1954 conseguiu eleger-se para a Assembléia Legislativa mineira, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Nessa ocasião recebeu de seu pai — que encerrara no mês anterior sua atuação como senador e se retirava da vida política —, a liderança de suas bases políticas. Elevado à chefia local do PSD, passou a integrar a comissão executiva regional do partido, posto que ocuparia até 1965, quando da sua dissolução.

Em 1957 tornou-se diretor-proprietário do jornal Folha do Povo, antigo porta-voz do Partido Republicano Mineiro (PRM), que pertencera a seu pai. Em outubro de 1958 elegeu-se deputado federal por Minas Gerais na legenda do PSD. Como deputado estadual, foi quarto-secretário da Comissão Executiva da Assembléia mineira (1947) e membro da Comissão Especial de Estudos sobre Produção Agrícola (1947) e das comissões de Orçamento (1947-1954), Administração (1947-1954), Trabalho e Ordem Social (1949), Educação e Cultura (1950) e de Serviço Público (1954). Além disso, integrou como titular a Comissão Especial de Divisão Administrativa e Judiciária (1953) e liderou a bancada de seu partido (1956-1958).

Deixando o mandato estadual em janeiro de 1959, assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro seguinte. Segundo o Correio Brasiliense, apoiou nessa legislatura a política externa do presidente Jânio Quadros — chamada “política externa independente” —, marcada pelo início das negociações para o reatamento das relações diplomáticas com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), rompidas desde 1947, e pela recusa em apoiar a tentativa, por parte dos Estados Unidos, de intervenção em Cuba, após se constatar a direção socialista seguida por esse país. Após a renúncia de Jânio (25/8/1961), manifestou-se favorável à Emenda Constitucional nº 4 (2/9/1961), que implantou o sistema parlamentar de governo no país como forma de contornar o veto de setores militares à posse do vice-presidente João Goulart. Também no ano de 1961, esteve presente como delegado ao Congresso Interparlamentar realizado no Chile.

Em seguida, apoiou a campanha pela antecipação do plebiscito que, inicialmente previsto para 1965, acabaria por realizar-se em janeiro de 1963, determinando o retorno do presidencialismo.

Reeleito em outubro de 1962 na legenda do PSD, no ano seguinte integrou as delegações parlamentares brasileiras que visitaram a URSS. Favorável ao golpe militar de março de 1964 que depôs João Goulart, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), tornando-se secretário-geral desse partido em Minas Gerais de 1966 a 1975.

Novamente eleito em novembro de 1966 — ano em que também realizou visitas oficiais à República da China (Formosa) e ao Japão —, participou como membro da delegação brasileira à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em 1968. Reeleito em novembro de 1970, foi membro efetivo da Comissão de Finanças e suplente da Comissão de Serviço Público da Câmara dos Deputados. Durante sua vida parlamentar, integrou a Comissão Especial para Integração dos Povos da Comunidade de Língua Portuguesa e, ainda de acordo com o Correio Brasiliense, apoiou o intervencionismo econômico, o monopólio estatal do petróleo, dos minérios atômicos, da eletricidade e das telecomunicações, bem como a execução de uma reforma agrária de cunho cooperativista, através da desapropriação dos latifúndios improdutivos, sob indenização, e com assistência plena aos lavradores por parte do Estado. Como deputado federal, pertenceu ainda às comissões de Agricultura e de Relações Exteriores.

Em outubro de 1974 elegeu-se por via indireta vice-governador de Minas Gerais na chapa de Aureliano Chaves, eleito governador. Deixando a Câmara em janeiro de 1975, tomou posse a seguir no novo cargo. Em junho de 1978, entretanto, Chaves foi eleito, também por via indireta, vice-presidente da República, deixando o Governo de Minas Gerais. Na qualidade de vice-governador, Ozanam Coelho assumiu em julho de 1978 o governo de Minas.

Logo após sua posse, deflagrou-se uma crise na cúpula da polícia civil do estado, com o pedido de exoneração do coronel Washington Flores, secretário da Segurança Pública, e de outras autoridades em protesto pela nomeação do delegado aposentado José de Alencar Rogedo para a Subsecretaria de Segurança do estado. Na época, suspeitava-se que Rogedo mantinha ligações com uma cadeia de motéis. Ainda em 1978, Ozanam Coelho compareceu às Conferências Interparlamentares realizadas na França, Inglaterra e Suíça. Deixou o governo estadual em março de 1979, sendo substituído no cargo por Francelino Pereira.

Em outubro do mesmo ano, foi convidado pelo presidente João Figueiredo a assumir uma cadeira de ministro no Tribunal Superior do Trabalho (TST), o que recusou, alegando que não gostaria de abandonar a política.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979, Ozanam filiou-se ao recém-criado, Partido Democrático Social (PDS), de orientação governista, passando a integrar, a partir de abril do ano seguinte, a Comissão Regional da agremiação em Minas Gerais. Pela nova legenda, no pleito de 15 de novembro de 1982, foi mais uma vez eleito para a Câmara dos Deputados, obtendo a quarta maior votação do partido no estado. Empossado em fevereiro seguinte, integrou a Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas.

Ozanam Coelho faleceu em Ubá no dia 30 de março de 1984, sendo substituído na Câmara pelo suplente Emílio Haddad.

Era casado com Cibele Pinto Coelho, filha do político Teófilo Moreira Pinto. Com ela, teve cinco filhos, entre eles, Saulo Levindo Coelho, que foi deputado federal entre 1988 e 1995.

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971, 1971-1975 e 1983-1987); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CAMPOS, Q. Fichário; Correio da Manhã (28/2/31); COUTINHO, A. Brasil; Estado de S. Paulo (13/4/80); Globo (31/3/84); HORTA, C. Famílias; Jornal do Brasil (5 e 6/1, 6 e 7/7 e 14/10/78, 11 e 14/10/79 e 6/2/83); MAGALHÃES, B. Artur; Perfil (1972 e 1975); Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1, 2, 3, 4, 6, 8 e 9); Veja (24/4/84); Who’s who in Latin America.

 

 

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