ADEMAR SCAFFA DE AZEVEDO FALCAO

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Nome: SCAFFA, Ademar
Nome Completo: ADEMAR SCAFFA DE AZEVEDO FALCAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SCAFFA, ADEMAR

SCAFFA, Ademar

*militar; atent. Toneleros.

 

Ademar Scaffa de Azevedo Falcão nasceu em Pernambuco, no dia 7 de junho de 1910, filho de Aurélio de Azevedo Falcão e de Hermínia Scaffa Falcão.

Sentou praça em abril de 1928, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, saindo aspirante da arma de aviação em janeiro de 1934. Em agosto seguinte foi promovido a segundo-tenente e, em setembro de 1936, a primeiro-tenente.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica em janeiro de 1941, foi transferido para essa nova arma, recebendo em dezembro desse ano a patente de capitão-aviador e, em janeiro de 1945, a de major-aviador. Em agosto de 1948 assumiu a chefia do Parque de Aeronáutica de Canoas, em Porto Alegre, que deixou em março de 1951 após ter chegado ao posto de tenente-coronel-aviador em setembro de 1950.

Em agosto de 1954, quando exercia as funções de subcomandante da Base Aérea do Galeão e de prefeito da Aeronáutica da Ponta do Galeão, no Rio de Janeiro, foi convidado pelo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Nero Moura, a auxiliar o coronel-aviador João Adil de Oliveira, encarregado do inquérito policial-militar instaurado no dia 12 daquele mês para apurar os responsáveis pelo atentado da Toneleros. Esse atentado, ocorrido dia 5 na rua Toneleros, no Rio de Janeiro, visava ao jornalista e líder da oposição Carlos Lacerda, que fazia, na época, através de seu jornal Tribuna da Imprensa constantes e contundentes críticas ao governo de Getúlio Vargas. Do episódio resultou a morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz, que acompanhava Lacerda de regresso de uma reunião política, saindo ferido o jornalista.

Os responsáveis pelo inquérito dispuseram de amplos poderes para convocar e interrogar elementos ligados ao governo, suspeitos de envolvimento no crime. A posterior constatação de que membros da guarda pessoal de Vargas haviam participado da ocorrência contribuiu decisivamente para exacerbar os ânimos e acentuar as críticas ao presidente, que acabou por suicidar-se no dia 24 daquele mês.

Sua atuação durante a realização do inquérito foi de suma importância, segundo declarou a Hélio Silva o brigadeiro Francisco Teixeira, que participou também da apuração dos fatos, “pois era necessário controlar o grupo de oficiais ligados a Carlos Lacerda, que queriam obter a qualquer custo um mandante do atentado que pertencesse à família de Vargas ou estivesse mais estreitamente ligado ao presidente”. Scaffa se comprometera a não permitir violências durante os interrogatórios. Isso, porém, não impediu que uma noite em que não pernoitara na base elementos da polícia civil, entre os quais o detetive Cecil Borer, interrogassem Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Vargas. Acusado de ter sido o mandante do crime, Gregório, presumivelmente sob tortura, acusou o general Ângelo Mendes de Morais de ter sido o verdadeiro mandante. Sendo este de patente superior à do oficial encarregado da apuração, foi o inquérito encaminhado ao novo ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes, cessando a partir daí a participação de Ademar Scaffa nas investigações.

Em julho de 1956 chegou a coronel-aviador. Após o movimento político-militar de março de 1964, foi transferido para a reserva em abril seguinte, com base no Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, tendo os seus direitos políticos suspensos por dez anos em setembro do mesmo ano. Em junho de 1980 foi anistiado pelo ministro da Aeronáutica em conseqüência da lei aprovada pelo Congresso em agosto do ano anterior.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 2 de novembro de 1983.

 

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; Diário Oficial (11/4/64); Jornal do Brasil (20/6/80 e 6/11/83); MIN. AER. Almanaque; SILVA, H. 1954; WANDERLEY, N. História.

 

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