MOVIMENTO

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Nome: MOVIMENTO
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MOVIMENTO

MOVIMENTO

 

Semanário paulista publicado todas as segundas-feiras, lançado em 7 de julho de 1975, dirigido por um conselho eleito pela redação e financiado por mais de trezentas pessoas, entre as quais mais de cem jornalistas. No entender de seus fundadores, Movimento nasceu como um jornal democrático, com o objetivo de “servir ao movimento popular e democrático, divulgando informações, análises e opiniões”.

Aos conselhos editorial e de redação de Movimento cabe representar as preocupações gerais do jornal, bem como escolher o seu editor a cada início de ano. Seu primeiro conselho editorial era composto, entre outros, por Edgar de Godói da Mata Machado, Francisco Buarque de Holanda, José de Alencar Furtado, Fernando Henrique Cardoso, Orlando Vilas-Boas e Audálio Dantas. À época, o conselho de redação contava com Bernardo Kucinski, Elifas Andreato, Francisco de Oliveira, Francisco Pinto, Raimundo Rodrigues Pereira e Jean Claude Bernardet, entre outros.

O número zero de Movimento informava que o corpo de redatores do jornal fora formado a partir dos 40 jornalistas que haviam saído em fevereiro de 1975 do semanário Opinião, e colocava como objetivo a serem observados pelo seu programa editorial: apresentar, analisar e comentar os principais acontecimentos políticos, econômicos e culturais da semana, descrever a cena brasileira, as condições de vida da gente brasileira, e acompanhar a luta dos cidadãos brasileiros pelas liberdades democráticas, pela melhoria da qualidade de vida da população, contra a exploração do país por interesses estrangeiros, pela divulgação dos reais valores artísticos e culturais do povo, pela defesa de nossos recursos naturais e por sua exploração planejada em benefício da coletividade.

Financiado por acionistas e assinantes, responsáveis por aproximadamente 90% do seu orçamento de custeio, e contando com uma parcela diminuta proveniente da vendagem em bancas, o jornal atingiu em novembro de 1981 uma circulação de cerca de sete mil exemplares de assinantes e de três mil a 3.500 números vendidos nas bancas. Na sua linha editorial destacavam-se os propósitos de defender a convocação de uma assembléia nacional constituinte (“Movimento foi o primeiro órgão da imprensa brasileira a levantar, em 1975, essa bandeira”), acompanhar “as divergências nos quartéis e contribuir para esclarecer episódios ocorridos no período fascista”, dedicar “continuada atenção... à denúncia do capital estrangeiro e da dependência econômica do país”, e dar extensa cobertura à questão da dívida externa brasileira, às condições da vida operária no país e à luta pela posse da terra.

Conforme balanço publicado em seu último número, Movimento foi um jornal que “não viveu nem uma semana sem crises”. E “por ter centrado seu combate na ditadura já desde o número zero”, sofreu de perto os golpes da censura: já “a primeira edição saiu completamente mutilada — o que iria se repetir até a queda da censura, em junho de 1978”. Durante a tiragem de seus 334 números, o jornal sofreria cinco apreensões, a inutilização de inúmeras matérias devido à mutilação da censura, além de outras formas de intimidação.

Premido pela situação financeira deficitária, mesmo após campanha para angariar fundos, Movimento encerrou suas atividades em novembro de 1981, tendo à época como diretor responsável Raimundo Rodrigues Pereira. Dom Pedro Casaldáliga assim explicou o desaparecimento do periódico: “Movimento não fecha por falta de competência. Fecha por sobra de sinceridade. Se se vendesse à impostura, teria verbas oficiais”.

Amélia Cohn/Sedi Hirano colaboração especial

 

 

FONTE: Movimento.

 

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