CARVALHO, ULTIMO DE

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Nome: CARVALHO, Último de
Nome Completo: CARVALHO, ULTIMO DE

Tipo: BIOGRAFICO


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CARVALHO, ÚLTIMO DE

CARVALHO, Último de

*rev. 1930; dep. fed. MG 1955-1971.

 

Último de Carvalho nasceu em Juiz de Fora (MG) no dia 19 de dezembro de 1899, filho de Manuel Borges de Carvalho e de Josefina Santos de Carvalho. Seu pai foi proprietário agrícola em Paraíba do Sul (RJ) e posteriormente funcionário municipal e estadual em Belo Horizonte, e sua mãe, professora primária rural.

Sua formação escolar foi feita em Belo Horizonte: o curso primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, e o secundário num ginásio estadual. Em 1918, trabalhou como servente na Secretaria de Agricultura da capital mineira e, em 1922, formou-se pela Escola de Agronomia e Veterinária da mesma cidade. Em 1925, tornou-se engenheiro topógrafo pela escola onde havia se formado em veterinária, exercendo depois a atividade de agrimensor independente em Juiz de Fora e na cidade de Rio Pomba (MG).

Por interferência de seu irmão, Menelique de Carvalho, delegado de polícia em Juiz de Fora, foi encarregado pelos articuladores da Revolução de 1930 naquela cidade de controlar o único rádio transmissor de Rio Pomba de que se poderiam servir os revolucionários. Foi comissionado pelos chefes do movimento em Minas Gerais no comando militar de Juiz de Fora, onde organizou um batalhão de civis mal-armados, a que denominou Batalhão Odilon Braga, com a missão de resistir a qualquer investida do 11º Regimento de Infantaria, sediado naquele município. Com a vitória da revolução, recebeu as chaves da cidade, como representante dos revolucionários. Na ocasião, foi comissionado no posto de primeiro-tenente honorário da Polícia Militar mineira, por dedicação e bravura. Retornou em seguida à atividade de agrimensor, mas, em 1931, foi nomeado tabelião em Rio Novo (MG) e Rio Pomba, onde se radicou e organizou seu reduto político. No ano seguinte, tornou-se médico veterinário da Secretaria de Agricultura de Belo Horizonte, e, em 1933, engenheiro topógrafo da mesma secretaria.

Eleito vereador à Câmara Municipal de Rio Pomba em 1936, integrou o diretório municipal da União Democrática Brasileira (UDB) — agremiação política fundada no Rio de Janeiro em junho de 1937 por Armando de Sales Oliveira, para patrocinar sua candidatura à presidência da República nas eleições de 1938. Com o advento do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, que decretou o fechamento de todos os órgãos legislativos do país, Último de Carvalho teve seu mandato interrompido e sua atividade política prejudicada em conseqüência da extinção da UDB.

Tentou retomar o trabalho de agrimensor, mas, em face das dificuldades de obter serviços na área, passou a fazer corretagem de seguros de vida para a Companhia Sul América, em Rio Pomba e em Juiz de Fora. Continuou também a exercer o tabelionato em Rio Novo e Rio Pomba até 1945. Nos primeiros meses deste ano, em pleno processo de desagregação do Estado Novo, foi incumbido pelo interventor Benedito Valadares de organizar, em Rio Pomba, o diretório do Partido Social Democrático (PSD), criado em abril de 1945, sob inspiração de Vargas. Após a deposição do presidente pelos chefes militares (29/10/1945), assumiu a prefeitura da cidade. No ano seguinte, organizou a Cooperativa Central de Produtores de Leite (CCPL), no Rio de Janeiro, tornando-se seu primeiro diretor comercial.

Em janeiro de 1947, candidatou-se à Assembléia Constituinte de Minas Gerais na legenda do PSD, e obteve a segunda suplência. Em julho, foi convocado para ocupar a vaga do deputado Whady José Nassif, o que lhe permitiu ser um dos signatários da nova Constituição mineira, promulgada no dia 14 daquele mês. Em julho de 1949, o deputado Nassif retornou à Assembléia Legislativa, mas Último de Carvalho permaneceu no exercício do mandato, substituindo então o deputado José Ribeiro Pena, que se elegera vice-governador do estado.

Em 1950, foi eleito deputado estadual em Minas Gerais, ainda na legenda do PSD, e nela elegeu-se à Câmara Federal em outubro de 1954. Em dezembro deste ano, ao ser nomeado tabelião em Belo Horizonte, renunciou ao mandato na Assembléia Legislativa mineira, e em fevereiro de 1955 ocupou sua cadeira na Câmara. No período que se seguiu, participou de gestões junto ao então governador de Minas, Juscelino Kubitschek, para que concedesse as verbas necessárias à reabertura da Escola de Medicina de Juiz de Fora e à criação da Escola de Belas-Artes, mas esta última, entretanto, não chegou a se concretizar.

No dia 11 de novembro, um movimento militar liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, visando, segundo seus promotores, a barrar uma conspiração para impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek, afastou do poder o presidente em exercício Carlos Luz, colocando na chefia do governo Nereu Ramos, vice-presidente do Senado. Neste episódio, Último de Carvalho solidarizou-se com Lott, participando, no próprio dia 11, das votações que declararam o impedimento de Carlos Luz e, no dia 22, o de Café Filho, que, restabelecido, tentava reassumir a chefia da nação.

Em agosto de 1956, já empossado o presidente Kubitschek, Último de Carvalho levou à Câmara dos Deputados uma relação de militares supostamente comunistas, que ocupavam posições de comando no Exército. O deputado Raimundo Padilha serviu-se desse documento para pronunciar um violento discurso contra o general Lott, titular da pasta da Guerra, responsabilizando-o pela presença de tais oficiais nos mencionados cargos. No final de 1956, os jornalistas políticos credenciados junto à Câmara elegeram Último de Carvalho um dos 20 deputados mais eficientes do ano.

Neste período, participou de negociações com empresários japoneses do ramo siderúrgico visando à criação das Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. (Usiminas), empresa de economia mista, fundada em 1956 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), com a colaboração de capitais japoneses, do Tesouro Nacional, governo de Minas Gerais, da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e de diversos particulares, para produzir coque, sínter, gusa, aço em lingotes e chapas, sobretudo para a indústria naval.

Reeleito em outubro de 1958, sempre na legenda do PSD, em abril de 1960 mudou-se para Brasília, tornando-se o primeiro deputado a instalar-se na nova capital. Imediatamente organizou um comitê eleitoral em favor da candidatura do general Lott à presidência da República, e, como coordenador da campanha, viajou pelo Brasil integrando a Caravana Nacional Lott-Jango (João Goulart). Através de sucessivos discursos, concitou seus correligionários do PSD a se unirem em torno desta chapa.

Em 3 de outubro, o candidato da União Democrática Nacional (UDN), Jânio Quadros, elegeu-se presidente da República e João Goulart, lançado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), vice-presidente. Em março de 1961, Último de Carvalho foi eleito vice-líder da maioria e de seu partido.

Em 25 de agosto deste ano, Jânio Quadros renunciou. Último de Carvalho congratulou-se com a nação pela renúncia do presidente e, durante a crise que se seguiu, gerada pelo veto dos ministros militares à posse do vice-presidente constitucional, votou pela adoção do regime parlamentarista como fórmula capaz de solucionar o impasse criado. O parlamentarismo foi adotado através da Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, e no dia 7 seguinte João Goulart foi empossado na presidência da República. Posteriormente, Último de Carvalho passou a opor-se ao governo Goulart, por considerá-lo radical, tornando-se um dos mais candentes críticos da reforma agrária preconizada pelo presidente, alegando que era de inspiração comunista e que o vírus do reformismo atacara o palácio Alvorada.

Em outubro de 1962, reelegeu-se mais uma vez deputado federal, sempre na legenda do PSD. Em junho de 1963, tornou-se líder da bancada de seu partido na Câmara, e participou ativamente do crescente movimento de oposição a João Goulart. Em 31 de março de 1964, um movimento político-militar depôs o presidente, e o poder de fato passou a ser exercido por uma junta militar autodenominada Comando Supremo da Revolução, constituída pelo general Artur da Costa e Silva, pelo brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e pelo almirante Augusto Rademaker. Entre 2 e 15 de abril, o país ficou sob a presidência formal do deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. Na ocasião, como líder da bancada mineira do PSD na Câmara, Último de Carvalho leu o Manifesto da mulher democrata ao Congresso Nacional, documento originário da Legião Nacional da Marcha Família com Deus pela Liberdade, assinado por cerca de mil mulheres. O movimento foi um dos principais instrumentos de mobilização popular contra o governo Goulart. No dia 15 de abril, foi empossado na presidência da República o marechal Humberto Castelo Branco, eleito no dia 11 pelo Congresso, de conformidade com o Ato Institucional nº 1, de 9 de abril desse ano, editado pela junta militar.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, Último de Carvalho, juntamente com a maioria de integrantes do ex-PSD e da ex-UDN, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), de orientação governista. Tornando-se amigo do marechal Costa e Silva, apoiou sua indicação à presidência da República em substituição a Castelo Branco. Em 1966, reelegeu-se na legenda da Arena, e de 1967 a 1970 foi vice-líder de seu partido na Câmara. Em novembro de 1970, compôs como suplente de senador a chapa da Arena mineira que tinha como titular José de Magalhães Pinto. Em fevereiro de 1971, encerrou seu mandato de deputado federal.

Em agosto de 1973, já afastado da vida pública, lançou seu livro de memórias Antes que eu me esqueça. Na oportunidade, em entrevista à imprensa, criticou o regime vigente — sem, no entanto, admitir o retorno à Constituição de 1946 — e a tecnocracia que, a seu ver, não tinha capacidade para gerir a nação, atividade própria dos políticos. Defendeu, como fatores essenciais à normalização democrática do país, a liberdade de imprensa e a participação dos parlamentares na elaboração orçamentária.

Faleceu em Brasília no dia 26 de agosto de 1980.

Era casado com Hilda Reis Santos de Carvalho, com quem teve cinco filhos.

Publicou, além da obra já citada, o romance Cidália (1976) e Rei Netuno na serra dos perdidos.

O arquivo de Último de Carvalho encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc), da Fundação Getulio Vargas.

 

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CABRAL, C. Tempos; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CÂM. DEP. Anais (1964-3); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1963-1967 e 1967-1971); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CARVALHO, U. Antes; COHN, G. Petróleo; COUTINHO, A. Brasil; Globo (27/8/80); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (7/2/64; 1/9/73; 4/1 e 8/10/79 e 27/8/80); KUBITSCHEK, J. Meu (3); MACEDO, M. Aspectos; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); SILVA, H. 1964; TRIB. SUP. ELEIT. Dados; VIANA FILHO, L. Governo.

 

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