CASTELO BRANCO, CARLOS

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Nome: CASTELO BRANCO, Carlos
Nome Completo: CASTELO BRANCO, CARLOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CASTELO BRANCO, CARLOS

CASTELO BRANCO, Carlos

*jornalista.

 

Carlos Castelo Branco nasceu em Teresina no dia 25 de junho de 1920, filho de Cristino Castelo Branco e de Dulcila Santana Castelo Branco. Seu pai foi advogado e desembargador.

Fez o curso primário no Grupo Escolar Teodoro Pacheco e em seguida ingressou no Liceu Piauiense, em sua cidade natal. Por essa época teve sua primeira experiência jornalística, ao participar da criação do jornal estudantil A Mocidade. Em 1936 concluiu o ginásio e a seguir, por decisão do pai, transferiu-se para Belo Horizonte com o objetivo de fazer o curso pré-jurídico. Em março de 1939 ingressou na Faculdade de Direito de Minas Gerais.

Em decorrência de suas dificuldades financeiras, ainda acadêmico começou a trabalhar como repórter de polícia no jornal O Estado de Minas, pertencente à cadeia dos Diários Associados, de propriedade de Francisco de Assis Chateaubriand. À medida que prosseguia os estudos, ia perdendo o interesse pela matéria jurídica e intensificando suas atividades como jornalista. Tornou-se subsecretário de redação em O Estado de Minas e ligou-se à nova geração de escritores e intelectuais mineiros, da qual faziam parte, entre outros, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Autran Dourado, Oto Lara Resende e Hélio Pelegrino.

Bacharelou-se em 1943 e, logo em seguida, abriu um escritório de advocacia. Pouco depois, entretanto, desistiu da profissão para dedicar-se definitivamente ao jornalismo. Permanecendo como secretário em O Estado de Minas, expandiu suas atividades na área da imprensa e, em 1944, tornou-se secretário da Agência Meridional de Notícias, em Belo Horizonte, também pertencente aos Diários Associados.

Com o processo de redemocratização do país em 1945 e o surgimento de novos partidos políticos, aproximou-se da União Democrática Nacional (UDN). Embora vinculado às principais personalidades mineiras que organizaram o partido no estado, não chegou a se engajar politicamente na agremiação.

Ainda em 1945 foi convidado por Carlos Lacerda para trabalhar no Diário Carioca e se transferiu para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. No entanto, quando se apresentou no novo emprego, Lacerda já havia deixado a direção do jornal e, em conseqüência, não foi admitido. Pouco depois, por intermédio de José Guimarães Neiva Moreira, que trabalhava nos Diários Associados, conseguiu ser contratado como subsecretário de O Jornal, órgão líder dessa cadeia. Adaptando-se com dificuldade ao trabalho, já que sua experiência na imprensa se dera num jornal de menor porte, ainda assim conseguiu desempenhar-se a contento, chegando a ocupar o cargo de secretário-geral do jornal. Mais tarde foi indicado por Assis Chateaubriand para executar outras tarefas em diversos órgãos dos Diários Associados, tendo promovido em 1947, após três meses de trabalho em Belém, o relançamento do jornal A Província do Pará. De volta ao Rio, foi secretário do Diário da Noite durante alguns meses.

Em 1948 deixou o cargo de secretário em O Jornal para trabalhar como analista de política no mesmo órgão. Nesse período começou a publicar colunas assinadas e a intensificar seus contatos políticos, o que lhe permitiu adquirir um maior conhecimento da realidade nacional.

Em 1950 foi convidado por Pompeu de Sousa para trabalhar como editor político no Diário Carioca, recém-remodelado, onde criou uma coluna intitulada “Diário de um repórter”. Visando a garantir um trabalho estável, em 1952 aceitou o convite de Odilo Costa Filho, então procurador do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC), para trabalhar como redator nesse órgão. Juntamente com Ferreira Gullar e Benedito Coutinho, organizou então uma pequena revista. Além de manter os empregos anteriores, no ano seguinte começou a trabalhar como editor na Tribuna da Imprensa, de propriedade de Carlos Lacerda, e tornou-se correspondente político da Folha de S. Paulo e colaborador de O Estado de S. Paulo. Em setembro de 1953 deixou a Tribuna da Imprensa para organizar, ao lado de Neiva Moreira, a seção política da revista O Cruzeiro.

Após o suicídio de Getúlio Vargas e a posse do vice-presidente João Café Filho na presidência da República em agosto de 1954, foi convidado por Odilo Costa Filho, recém-nomeado diretor do jornal A Noite, das Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União, para assinar a seção política daquele vespertino. Aceitando a proposta, continuou a manter as atividades que realizava anteriormente em outras empresas jornalísticas.

Com a deposição de Café Filho em novembro de 1955 e a saída de Odilo da direção do A Noite, deixou suas funções naquele jornal. Ao mesmo tempo, além de não desfrutar de uma posição suficientemente sólida na revista O Cruzeiro, deparou-se com o atraso do pagamento de seus salários no Diário Carioca, que então passava por uma aguda crise financeira. Para contornar essas dificuldades, em 1956 passou a escrever o editorial do jornal carioca O Mundo, de propriedade de Geraldo Rocha, aí permanecendo apenas até garantir uma situação mais estável em O Cruzeiro.

Em janeiro de 1960 foi nomeado procurador-geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), por indicação de Autran Dourado, então secretário de imprensa do presidente da República Juscelino Kubitschek. No mês seguinte, a serviço da revista O Cruzeiro, acompanhou Jânio Quadros, candidato à presidência da República, numa viagem a Cuba e a outros países.

Com a eleição de Jânio em outubro de 1960 e a sua posse na presidência em janeiro do ano seguinte, Castelo foi convidado pelo mineiro José Aparecido de Oliveira, secretário particular do novo presidente, a se tornar secretário de imprensa do governo. Apesar de a princípio ter recusado o convite, acabou transferindo-se para Brasília e assumindo o cargo, após as gestões realizadas por Jânio junto a Gondim de Oliveira, um dos diretores de O Cruzeiro, solicitando seu empréstimo por seis meses. Segundo seu próprio depoimento, o período que passou à frente da secretaria de imprensa lhe proporcionou “um grande enriquecimento profissional”, permitindo-lhe aprender “como funciona a coisa dentro do palácio do governo” e conhecer de fato “quem tem importância e quem não tem”, nas questões relativas ao poder, informações consideradas vitais para um bom analista político.

Com a renúncia de Jânio em agosto de 1961, deixou suas funções na assessoria do governo e retornou ao emprego na revista O Cruzeiro, embora permanecesse residindo em Brasília.

A “Coluna do Castelo”

Ainda em outubro de 1961, Castelo recebeu convite de Manuel Francisco do Nascimento Brito — na época um dos diretores do Jornal do Brasil — para assinar uma coluna política no novo jornal de sua propriedade, a Tribuna da Imprensa. Em 2 de janeiro de 1962 a coluna começou a ser publicada, mas já em março, com a venda da Tribuna da Imprensa para Hélio Fernandes, desapareceu. Castelo foi chamado então por Nascimento Brito para organizar e chefiar a sucursal do Jornal do Brasil em Brasília e manter sua coluna política diária nesse jornal. Deixando todos os outros trabalhos que realizava na imprensa, tornou-se a partir de então funcionário exclusivo do Jornal do Brasil e inaugurou a “Coluna do Castelo”.

Através da nova coluna política, criada durante o governo de João Goulart e considerada pela revista Veja de 21 de janeiro de 1976 como “esteio político do Jornal do Brasil,” Castelo passou a acompanhar os principais acontecimentos e crises que se sucederam nesse período. Embora mantivesse um relacionamento pessoal satisfatório com o presidente da República e seu ministério, considerava que “a desordem reinante no país, que o governo não conseguia controlar, tornava a situação insustentável”. Com base nessa avaliação, foi favorável ao movimento político-militar de março de 1964, que depôs Goulart.

Pouco tempo depois, entretanto, Castelo começou a divergir do governo militar chefiado pelo marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, em virtude dos “violentos expurgos” realizados e do distanciamento do regime das propostas que haviam justificado o movimento, tais como a preservação das instituições democráticas e a defesa do Congresso e do Poder Judiciário. Essas divergências iniciais se aprofundaram quando, em julho de 1964, o presidente Humberto Castelo Branco aceitou a prorrogação do mandato que estava cumprindo, criando assim uma conjuntura favorável à decretação do Ato Institucional nº 2. Editado afinal em 27 de outubro de 1965, o novo ato determinou a extinção dos partidos políticos e resultou em novas cassações.

Desde então, Castelo passou a utilizar sua coluna para expressar suas desconfianças e descontentamentos com o rumo dos acontecimentos políticos, tornando suas críticas cada vez mais intensas e contundentes até a decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968. Nessa data foi preso em Brasília sob a acusação de ter participado dos acontecimentos que levaram a Câmara dos Deputados, naquele mesmo dia, a negar licença para processar o deputado oposicionista Márcio Moreira Alves, contrariando pedido formulado pelos ministros militares. Libertado 48 horas depois, teve sua coluna proibida de ser publicada durante algumas semanas.

Em janeiro de 1969 a “Coluna do Castelo” voltou a circular em novas bases, alterando seu caráter até então “densamente informativo e ostensivamente formativo”. Diante da censura prévia a um número incontável de temas, Castelo teve “que arranjar maneiras para poder transmitir as informações quase em mensagens erradas”.

 Nos anos subseqüentes, que abrangeram o período de intensa repressão política do final do governo do marechal Artur da Costa e Silva e o período de governo do general Emílio Garrastazu Médici, o Jornal do Brasil sofreu inúmeras pressões para que Castelo suprimisse o tom crítico com que preparava seus textos, mesmo nas entrelinhas, e se enquadrasse na orientação do governo. Em 1970, quando essas pressões atingiram o clímax, Castelo pediu demissão do jornal. No entanto, como o objetivo do regime era disciplinar e não suspender a publicação de sua coluna, já que isso teria péssimas repercussões políticas, Castelo concordou em mantê-la, exigindo, em contrapartida, um mínimo de espaço para escrever.

Ainda em 1970, pela primeira vez concorreu à Academia Brasileira de Letras na vaga de Álvaro Lins. Segundo seu próprio depoimento, como a academia tinha aceitado pouco tempo antes Aurélio de Lira Tavares, que fora ministro do Exército de Costa e Silva e presidira a junta militar que governou o país de setembro a outubro de 1969, alguns acadêmicos desejavam que a nova vaga fosse preenchida por um candidato oposto ao anterior, e por isso endossaram sua candidatura. Como o resultado da eleição não deu a vitória a nenhum dos candidatos, procedeu-se a uma nova eleição, vencida afinal por Antônio Houaiss.

Em 1971 intensificaram-se as pressões econômicas e políticas do governo sobre o Jornal do Brasil para que este enquadrasse o “colunador”. Como resposta, Castelo pediu mais uma vez demissão de seu cargo. Na ocasião, os ministros da Educação, Jarbas Passarinho, e dos Transportes, Mário Andreazza, fizeram um apelo para que Castelo voltasse atrás em sua decisão, pois o governo estava dividido em relação ao assunto e eles pretendiam agir de maneira a sustar as pressões, o que efetivamente ocorreu. Assim, Castelo permaneceu no Jornal do Brasil e deu prosseguimento à sua coluna, embora com a liberdade de crítica severamente restringida.

Com a posse de Ernesto Geisel na presidência da República em março de 1974 e o estabelecimento de uma política de dissensão que afrouxou a censura à imprensa, a “Coluna do Castelo” voltou a ser publicada com maior liberdade e passou a ser transcrita por jornais de outros estados.

Em agosto de 1977 Castelo foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, derrotando a chapa situacionista encabeçada por Arnaldo Ramos, que presidia o sindicato desde 1964. Durante sua gestão, defendeu “um aumento do grau de participação da categoria no sindicato e a renovação da política sindical” para que a entidade se tornasse “mais participante nas reivindicações dos jornalistas”.

Em outubro de 1978, recebeu o prêmio de jornalismo Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia aos profissionais que mais se destacaram na luta pela liberdade de imprensa.

Em 1982, Nascimento Brito lançou o nome do jornalista para a Academia Brasileira de Letras, onde foi eleito em 4 de novembro, ocupando a cadeira de outro jornalista, Raimundo Magalhães Júnior. Entretanto a posse ocorreu apenas no dia 25 de maio do ano seguinte. A última sessão da academia com a participação de Castelo foi em 4 de novembro de 1992. Foi também membro da Academia Piauiense de Letras, na qual ocupou a cadeira do pai.

Castelo Branco faleceu no dia 1º de junho de 1993, aos 72 anos. Redigiu sua “Coluna” no Jornal do Brasil durante 31 anos e exerceu a profissão ao longo dos governos de 13 presidentes e da vigência de três constituições — as de 1946, 1969 e 1989. A “Coluna do Castelo” tornou-se uma das mais importantes referências do jornalismo político brasileiro. Continuou a ser publicada e assinada pelo jornalista Marcelo Pontes, escolhido pelo próprio Castelo Branco para ser seu sucessor.

Era casado com Élvia Lordelo Castelo Branco — antiga colega de redação em O Jornal e posteriormente ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) — com quem teve três filhos. O terceiro filho do casal, Rodrigo, faleceu em 1976, aos 25 anos, em acidente de carro em Brasília.

Em abril de 1994, numa homenagem póstuma da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, teve seu rosto estampado em selo comercializado até dezembro de 1995.

Em janeiro de 1997 o arquivo de Carlos Castelo Branco foi doado por Élvia Castelo Branco à Fundação Casa de Rui Barbosa.

Publicou Continhos brasileiros (1952), Arco do Triunfo (romance, 1958), Idos de março (depoimento político, em colaboração, 1964), Introdução à Revolução de 1964 (seleção de suas colunas jornalísticas, 2v., 1975), Os militares no poder (seleção de suas colunas jornalísticas, 3v., 1976-1979), Retratos e fatos da história recente (obra póstuma sobre personagens da política brasileira, 1994) e A renúncia de Jânio (obra póstuma, depoimento político, 1996).

Marieta de Morais Ferreira

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CONG. BRAS. ESCRITORES, I; Coojornal (8/77); Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; Globo (2/6/93 e 12/8/96); Grande encic. Delta; IstoÉ (20/7/77); Jornal do Brasil (17/4/75, 30/1 e 12/5/77, 25/10/78, 20/3, 1/4 e 6/4/79, 2/6 e 4/6/93, 15/4 e 17/4/94, 23/1/97); MENESES, R. Dic.; MURICI, J. Panorama; Pasquim (31/12/76); PERNAMBUCO. Aspectos; Visão (24/3/75 e 21/1/76).

 

 

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