CONRADO LUIS HECK

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Nome: HECK, Conrado
Nome Completo: CONRADO LUIS HECK

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
HECK, CONRADO

HECK, Conrado

*militar; min. Mar. 1930-1931.

 

Conrado Luís Heck nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, em 11 de fevereiro de 1873, filho de Conrado Leopoldo Hermano Heck e Virgínia Júlia Clarisse Heck. Em 1897, alterou seu nome, passando a assinar-se apenas Conrado Heck.

Assentou praça como aspirante-a-guarda-marinha em dezembro de 1889. Era ainda cadete da Escola Naval quando eclodiu, em setembro de 1893, a Revolta da Armada, movimento contrário ao governo de Floriano Peixoto. Chefiada pelo contra-almirante Custódio José de Melo, parte da Esquadra se rebelou. Quando o almirante Luís Filipe Saldanha da Gama rompeu a neutralidade em que até então se mantivera e assumiu o comando do movimento em dezembro de 1893, Conrado Heck também aderiu à revolta. Sob as ordens de Saldanha da Gama, seguiu para o Sul, onde participou de combates ao lado dos rebeldes da Revolução Federalista, que irrompera no Rio Grande do Sul e se estendera por Santa Catarina e Paraná, visando, entre outros objetivos, à deposição do presidente gaúcho Júlio de Castilhos e do marechal Floriano Peixoto. Em abril de 1894, Conrado Heck foi considerado desertor. Permanecendo engajado na Revolução Federalista, em 24 de junho de 1895 participou da batalha de Campo Osório (RS), último combate em que estiveram envolvidos revoltosos da Armada, já então desembarcados. Nos combates, pereceram Saldanha da Gama e numerosos marinheiros.

Em dezembro de 1895, com o fim do conflito no Sul, foi desligado da Escola Naval. Anistiado em seguida pelo governo de Prudente de Morais, foi readmitido no quarto ano da escola em fevereiro de 1896, concluindo o curso e sendo promovido ao posto de segundo-tenente em dezembro do mesmo ano. Entre março de 1898 e dezembro de 1900, serviu em diversas embarcações da Marinha, tendo sido promovido a primeiro-tenente em dezembro de 1898. Em dezembro de 1900, serviu como instrutor de guardas-marinhas no cruzador Benjamim Constant, em viagem aos Estados Unidos.

Em fevereiro de 1903 seguiu para a Europa, onde fez curso de artilharia e torpedos, regressando ao Brasil em maio do ano seguinte. Dois meses depois foi nomeado interinamente oficial superior da Escola Naval, e em dezembro de 1904 casou-se com Cecília Avelar de Azevedo. Em função dos conhecimentos adquiridos em seus estudos no exterior, em maio de 1906 foi nomeado instrutor da Escola Profissional de Artilharia de Oficiais. Em janeiro de 1907, sem deixar a escola, foi designado instrutor de artilharia a bordo do cruzador Tamandaré. Ainda como instrutor, em outubro de 1908 deixou o Tamandaré e passou a dirigir a Escola Prática de Torpedos a bordo do cruzador Barroso.

Em janeiro de 1909, deixando o cargo de instrutor, foi nomeado adido naval das legações brasileiras no Chile, na Argentina e no Uruguai, permanecendo nessa função, em Montevidéu, apenas até dezembro do mesmo ano. Nomeado assistente e ajudante-de-ordens do chefe da comissão naval brasileira na Europa em março de 1910, retornou ao Brasil em dezembro do mesmo ano, passando em seguida a exercer interinamente o comando do contratorpedeiro Rio Grande do Norte.

Promovido em janeiro de 1911 ao posto de capitão-de-corveta, em novembro do mesmo ano partiu do Rio, comandando ainda o Rio Grande do Norte, em direção a Montevidéu e depois Assunção, no Paraguai. Em janeiro de 1912, foi encarregado de transportar até Corrientes, na Argentina, em missão especial, o presidente do Paraguai e sua comitiva. Devido a uma crise político-militar que envolvia aquele país, as autoridades paraguaias se puseram sob a proteção da bandeira brasileira. Heck regressou a Assunção ainda em janeiro, desta vez comboiando o caça-torpedeiro Timbira, que levava a bordo o presidente paraguaio e sua comitiva. Permaneceu no Paraguai até o mês seguinte, executando diversas missões de proteção. De volta ao Rio de Janeiro em março, em maio foi exonerado do comando interino do contratorpedeiro Rio Grande do Norte. Assumiu em seguida o comando do cruzador-torpedeiro Tupi, posto em que permaneceu até julho de 1913. Foi nomeado no mês seguinte adido naval junto à legação do Brasil no Japão. Em outubro de 1914 foi promovido a capitão-de-fragata, e em novembro deixou a função militar diplomática.

Comandou o cruzador-torpedeiro Tamoio de dezembro de 1914 a agosto de 1915, quando foi designado para a chefia da 2ª Seção do Estado-Maior da Armada. Deixou o cargo em janeiro de 1916, comandando o navio-escola Benjamim Constant até fevereiro de 1917 e o encouraçado Floriano até julho do mesmo ano, quando foi nomeado para a chefia da 1ª Seção do Estado-Maior da Armada. Em dezembro de 1917 retornou à chefia da 2ª Seção, cargo em que permaneceu até matricular-se na Escola de Guerra Naval, em fevereiro de 1919. Logo após a matrícula, foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra. Diplomou-se pela Escola de Guerra Naval em março de 1920, e no mesmo mês assumiu o comando do encouraçado Minas Gerais. Em julho desse ano conduziu o Minas Gerais a Nova Iorque a fim de submetê-lo a reparos gerais e adaptá-lo às novas condições técnicas decorrentes da Primeira Guerra Mundial. Retornou ao Brasil apenas em novembro de 1921 e no mês seguinte deixou o comando do Minas Gerais.

Em fevereiro de 1922 foi nomeado para a comissão encarregada de dar início aos trabalhos de instalação de um porto militar na enseada do Ribeira (PR). A comissão foi extinta em novembro do mesmo ano e Conrado Heck assumiu em seguida o cargo de diretor de hidrografia da Superintendência de Navegação da Marinha, no Rio de Janeiro. Entretanto, designado para dirigir os trabalhos hidrográficos na bacia do Ribeira, pôde prosseguir os estudos iniciados na comissão, que encerrou em fevereiro de 1923, retornando então ao Rio.

Em novembro de 1924, foi nomeado vice-diretor da Diretoria de Navegação da Marinha, e nesta função dirigiu a elaboração do Roteiro das costas do Brasil, em dois volumes. Em julho de 1926, foi promovido a contra-almirante. Exonerado da vice-diretoria de Navegação, permaneceu adido à Diretoria de Pessoal da Marinha até outubro de 1930.

Com a queda do governo de Washington Luís no dia 24 desse mês, assumindo o poder uma junta militar formada pelos generais João de Deus Mena Barreto e Tasso Fragoso e pelo almirante José Isaías de Noronha, três dias depois Conrado Heck foi nomeado comandante da Divisão de Cruzadores.

No dia 3 de novembro, Getúlio Vargas, à frente das tropas revolucionárias, recebeu o governo da junta militar. Em 13 de dezembro, Heck foi nomeado ministro da Marinha em substituição ao almirante Isaías de Noronha, que pedira demissão. Promovido a vice-almirante em março de 1931, deixou o ministério no dia 9 de junho do mesmo ano, por estar acometido de grave doença, transmitindo o cargo ao contra-almirante Protógenes Guimarães.

Pouco depois, faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de outubro de 1931.

Seu filho Sílvio Heck, nascido em 1905, também chegou a ser ministro da Marinha em 1961, no governo de Jânio Quadros.

Robert Pechman/Sérgio Flaksman

 

 

FONTES: ANDREA, J. Marinha; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; Diário de Notícias, Rio (22/10/31); Diário de Pernambuco (17/12/30); Encic. Mirador; Jornal do Brasil (22/10/31); Jornal do Comércio, Rio (22/10/31); MIN. MAR. Almanaque (1931 e 1932); PEIXOTO, A. Getúlio; SERV. DOC. GER. MARINHA.

 

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