EDMUNDO PINTO DE ALMEIDA NETO

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Nome: PINTO, Edmundo
Nome Completo: EDMUNDO PINTO DE ALMEIDA NETO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PINTO, EDMUNDO

PINTO, Edmundo

*gov. AC 1991-1992.

 

Edmundo Pinto de Almeida Neto nasceu em Rio Branco no dia 21 de junho de 1953, filho de Pedro Veras de Almeida e de Angelina Veras de Almeida.

Advogado, formou-se pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Ingressou na política filiando-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). Por essa legenda disputou uma cadeira na Assembléia Legislativa estadual no pleito de novembro de 1974, mas não conseguiu se eleger. Nas eleições de novembro de 1976 concorreu a uma cadeira na Câmara de Vereadores de sua cidade natal, mas igualmente não foi bem-sucedido.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se no ano seguinte ao Partido Democrático Social (PDS), agremiação sucessora da Arena no apoio ao governo. Em novembro de 1982 conseguiu ser eleito vereador em Rio Branco, iniciando seu mandato em fevereiro do ano seguinte. Com a prorrogação do mandato dos vereadores para que as eleições municipais voltassem a ocorrer num período distinto das demais, ganhou mais dois anos no Legislativo municipal.

Nas eleições de novembro de 1986 foi eleito deputado estadual constituinte no Acre na legenda do PDS. Renunciando ao seu mandato de vereador em janeiro de 1987, assumiu sua cadeira na Assembléia estadual em fevereiro seguinte. Após a promulgação da nova Constituição federal em 5 de outubro de 1988, no ano seguinte instalou-se a Constituinte estadual, da qual participou ativamente até a promulgação da nova Carta do estado. Depois disso, voltou a exercer o seu mandato ordinário.

Seu desempenho no Legislativo acreano o credenciou à disputa do governo do estado pelo PDS. Tendo o seu nome homologado na convenção do partido em 1990, que decidiu também concorrer sem fazer coligação, nas eleições de outubro desse ano Edmundo Pinto obteve a primeira colocação com 35.228 votos (28,6%), contra 34.868 (28,3%) de Jorge Viana, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), que comandava uma coligação integrada pelos partidos Democrático Trabalhista (PDT), Comunista do Brasil (PCdoB) e Comunista Brasileiro (PCB), ficando como segundo colocado, classificando-se também para a disputa do segundo turno. Realizado o segundo pleito em 15 de novembro, Edmundo Pinto foi eleito governador do Acre com 71.953 votos (54,6%), contra 59.769 (45,4%) de Jorge Viana, tendo sido o único candidato do partido a se eleger em todos os estados brasileiros.

Assumindo a chefia do governo estadual no dia 15 de março de 1991, sucedendo a Flaviano Melo, apoiou a política econômica do presidente Fernando Collor de Melo —, que fora o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o fim do regime militar (1964-1985), mas, acusado de corrupção, acabaria deixando o governo, no fim do ano seguinte, com a aprovação do seu impeachment —, e defendeu a integração de seu estado ao resto do país. Passou por dificuldades no governo do estado em função da falta constante de recursos. Chamou a atenção da imprensa no final de 1991, quando, ameaçando penhorar o palácio Rio Branco, sede do governo do estado, sugeriu que o Acre voltasse a ser território.

Como se não bastasse a carência financeira vivida por seu estado, foi obrigado a conviver com o vice-governador Romildo Magalhães, acusado por diversas vezes de corrupção e de irregularidades no gasto da verba pública. Suas relações com Romildo eram bastante tensas, a tal ponto que, numa oportunidade em que se ausentou por apenas três dias, em visita ao Pará, seu substituto demitiu um secretário, provocando a renúncia dos demais, em solidariedade.

No dia 17 de maio de 1992, com pouco mais de um ano de mandato, Edmundo Pinto foi assassinado em circunstâncias misteriosas num hotel na capital paulista. O governador estava em São Paulo para se encontrar com diretores da construtora Norberto Odebrecht, a fim de averiguar as denúncias de que o então ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, havia recebido a quantia de 30 mil dólares para superfaturar a construção de um canal em Rio Branco. Com a morte de Edmundo Pinto, Romildo Magalhães assumiu o governo do Acre.

Imediatamente o crime foi associado às denúncias de corrupção que envolviam Magri, a Odebrecht e o governo do Acre. A hipótese de crime político ganhou mais consistência quando foi estabelecida uma relação com o incêndio ocorrido na Assembléia Legislativa do estado, justamente no período em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) estadual investigava o superfaturamento das obras da Odebrecht no Acre e contava com várias horas de depoimentos do governador gravadas.

Em julho de 1992, no entanto, os assassinos de Edmundo Pinto foram presos pela polícia civil de São Paulo e o delegado que chefiava o inquérito concluiu que o crime — assalto seguido de homicídio — não tivera conotações políticas. A tese, apesar de recusada pela viúva do governador, Fátima Almeida, e por alguns políticos do Acre, foi aceita e o processo remetido ao Tribunal do Júri para o julgamento dos réus.

Em abril do ano seguinte, o governador de São Paulo, Luís Antônio Fleury Filho (1991-1995), mandou reabrir o inquérito a pedido da viúva e da bancada acreana no Senado, contando também com a alegação de um juiz de direito do Acre que dizia estarem em seu poder documentos que poderiam dar ao caso a feição de um crime político. Todavia, mais uma vez, a versão de crime de latrocínio foi confirmada.

De seu casamento com Fátima Barbosa Almeida, Edmundo Pinto teve três filhos.

Alan Carneiro

 

FONTES: Estado de S. Paulo (18, 19/7 e 21/8/91, 28 e 31/5 e 9/6/92); Folha de S. Paulo (16/3 e 1/6/91); Globo (16/3, 29/5 e 19/7/91, 26/3, 18 e 19/5 e 1/6/92, 19/3/93); INF. FAM. ANGELINA VERAS DE ALMEIDA; Jornal do Brasil (3/5 e 10/8/91, 20/5 e 16/7/92, 19/3, 15/4 e 28/5/93, 6/1/94 e 7/4/95); NICOLAU, J. Dados; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (11).

 

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