ESTER PILAR GROSSI

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Nome: GROSSI, Ester
Nome Completo: ESTER PILAR GROSSI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GROSSI, ESTER

GROSSI, Ester

*dep. fed. RS 1995-2003.

 

Ester Pilar Grossi nasceu em Santa Maria (RS) no dia 24 de abril de 1936, filha de Adolfo Pilar da Silva e de Alice Xavier Pilar.

Pesquisadora em educação e professora, estudou matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Pontifícia Universidade Católica (PUC), na qual ingressou em 1955, tendo concluído seus estudos em 1958. Participou dos II e V congressos nacionais sobre o ensino de matemática realizados, respectivamente, em Porto Alegre, em 1957, e em São José dos Campos (SP), no ano de 1965. Em 1968, ingressou no mestrado de matemática da Universidade de Paris V, concluído em 1970.

Enquanto esteve cursando a pós-graduação na França, Grossi continuou participando de eventos na área de educação em âmbito internacional. Compareceu ao I Congresso Internacional sobre Ensino de Matemática realizado em Lyon, na França, em 1969, além de ter realizado estágios no Instituto Pedagógico Nacional do Ministério de Educação da França (1968-1970) e no Centro Belga de Pedagogia da Matemática da Universidade de Bruxelas (1969). De volta ao Brasil, ainda em 1970 tornou-se membro do Centro de Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) e foi uma das fundadoras do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (GEEMPA). À frente do GEEMPA, coordenou várias pesquisas sobre o ensino público brasileiro.

Em 1972, Grossi esteve presente à III Conferência Interamericana sobre Educação Matemática realizada em Bahia Blanca, Argentina, encontro do qual voltaria a participar em anos posteriores. Entre 1973 e 1982, tomou parte em vários eventos internacionais na área de educação, tendo continuado sua especialização no ensino da matemática e no campo da epistemologia do conhecimento. Nesse período, estagiou no centro de pesquisas psicomatemáticas da Universidade Sherbrooke, no Canadá (1973), e no Centro de Epistemologia Genética da Universidade de Genebra, na Suíça (1979); participou dos cursos de combinatória, estatística e probabilidades na Universidade de Budapeste, na Hungria (1975); e realizou, na França, os cursos de elementos de análise matemática na Universidade de Lyon (1976) e de psicologia da aprendizagem da matemática na École d’Été en Didactique des Mathématiques em Orleans (1982) — que voltaria a realizar na École des Hautes Études em Paris, em 1986, e na Bretanha, no ano de 1989. Integrou ainda os XXIX, XXX e XXXII encontros internacionais de professores de matemática em Lausanne, Suíça (1977), em Santiago de Compostela, Espanha (1978), e na Cidade do México (1980).

Retornando ao Brasil, em 1983 filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1985, tornou-se membro da equipe editorial do The Journal of Mathematical Behavior dos Estados Unidos, e concluiu o doutorado em psicologia da inteligência na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais da Universidade de Paris, sob a orientação do professor Gerard Vergnaud, membro do Partido Comunista francês.

Em 1989, assumiu a secretaria municipal de Educação de Porto Alegre, no governo petista de Olívio Dutra. Como secretária, implantou um programa de alfabetização na periferia da capital gaúcha, que foi adotado como modelo pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Permaneceu à frente do cargo até o fim da primeira administração petista, em 31 de dezembro de 1992.

No pleito de outubro de 1994, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados na legenda petista. Eleita principalmente com os votos da cidade de Porto Alegre, assumiu sua cadeira em fevereiro seguinte, tornando-se membro titular da Comissão de Educação, Cultura e Desporto, e suplente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.

Também no mesmo ano, durante a votação das emendas constitucionais enviadas ao Congresso Nacional pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, acompanhou sempre as orientações de seu partido, tentando obstruir a votação da emenda que acabou com o monopólio dos governos estaduais na distribuição de gás canalizado e votando contra a abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras, a revisão do conceito de empresa nacional, o fim dos monopólios estatal nas telecomunicações e na exploração do petróleo pela Petrobras, e a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), antigo Fundo Social de Emergência (FSE), criado na legislatura anterior como fonte de financiamento para o plano de estabilização econômica do Executivo (Plano Real).

Sempre na oposição ao governo federal, Grossi criticou, em maio de 1996, a proposta do Ministério da Educação de tornar obrigatório o ensino pré-fundamental como forma de reduzir a evasão escolar. Segundo afirmou, a questão não seria solucionada com a antecipação da alfabetização mas, sim, por uma melhor qualificação dos professores e pela adoção de uma política salarial mais vantajosa para o setor. Além disso, declarou que a evasão não deveria ser vista como um problema de aprendizagem, mas como resultado dos altos índices de repetência e da má qualidade do ensino brasileiro.

Em julho do mesmo ano, votou contra a criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) — substituta do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) —, com a qual o ministro da Saúde, Adib Jatene, pretendia aumentar os recursos destinados à área.

Ester Grossi também manifestou-se contrariamente à nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação, relatada pelo senador Darci Ribeiro, do Partido Democrático Trabalhista (PDT) do Rio de Janeiro. O substitutivo de Darci, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro de 1996 com o apoio dos governistas, sofreu o boicote do PT por ter deixado de lado o projeto original elaborado pela Câmara a partir de discussão com várias entidades da sociedade civil. Para Grossi, a LDB aprovada não incorporava minimamente as novas descobertas científicas no campo do aprendizado e reduzia as responsabilidades do Estado na educação, garantindo a oferta de ensino gratuito obrigatório apenas para o nível fundamental (antigo primeiro grau). Segundo afirmou, era “um absurdo lógico — e crime político — regular necessidades essenciais dos cidadãos pelos recursos orçamentários”.

Com a abertura dos trabalhos legislativos de 1997, Grossi foi indicada para a segunda-vice-presidência da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara. Em fevereiro do mesmo ano, deu voto contrário à proposta de emenda constitucional permitindo a reeleição de prefeitos, governadores de estado e do presidente da República. Dois meses depois, coordenou em Brasília um projeto de alfabetização elaborado pelo GEEMPA em parceria com uma organização não-governamental (ONG). Realizado com recursos do Ministério da Educação, o programa tinha por objetivo a alfabetização de cerca de mil mulheres num período de três meses.

Como deputada, em novembro de 1997 Grossi também votou contra o destaque do projeto de reforma administrativa do governo, que instituiu a possibilidade de demissão dos funcionários públicos em caso de mau desempenho do servidor ou por excesso de gastos com pessoal. Em outubro do ano seguinte, candidatou-se à reeleição pela coligação Frente Popular, composta pelo PT e partidos Socialista Brasileiro (PSB), Comunista Brasileiro (PCB) e Comunista do Brasil (PCdoB). Não conseguindo ser eleita, obteve apenas a segunda suplência da coligação.

Sempre fiel às resoluções do PT, também opôs-se, em novembro de 1998, à adoção de um limite máximo para as aposentadorias do setor público e à instituição da idade mínima e do tempo de contribuição como critério nas concessões dos benefícios para os trabalhadores da iniciativa privada.

Durante o governo do petista Cristovam Buarque (1995-1998) no Distrito Federal, Ester Grossi coordenou o projeto Vira Brasília, o qual reduziu sensivelmente os índices de repetência escolar entre os alunos da primeira à quarta série do primeiro grau da rede pública.

Deixando a Câmara dos Deputados em janeiro de 1999, ao final de seu mandato, Grossi no entanto não ficaria por muito tempo afastada do Legislativo federal. Já no mês seguinte, com a posse do primeiro suplente Tarcísio Zimmermann (PT-RS) na secretaria de Trabalho e Ação Social do governo do Rio Grande do Sul, voltou a assumir uma cadeira de deputada em substituição ao titular Beto Albuquerque (PSB), nomeado secretário de Transportes do Executivo gaúcho pelo governador recém-eleito Olívio Dutra. Deixou a Câmara ao final da legislatura, em janeiro de 2003.

Ester Grossi casou-se com Sérgio Pilla Grossi, com quem teve três filhos.

Durante sua vida profissional, recebeu várias condecorações por sua atuação como educadora, além de ter assinado um grande número de livros sobre alfabetização, metodologia do ensino de matemática, ensino de crianças e adolescentes, epistemologia e metodologia das ciências. Entre outros trabalhos, publicou Matemática moderna: uma experiência na escola maternal (1967), Nova introdução à geometria (1970), Matemática no primeiro ano (1975), Uma sugestão de metodologia para o ensino das potências (1976), Elementos de análise matemática em uma nova perspectiva metodológica (1977), Psicogênese e aprendizagem do conceito múltiplo (1985), Alfabetização em novas bases (1988), Didática do nível pré-silábico (1990), Construtivismo pós-piagetiano: um novo paradigma sobre aprendizagem (1993), Um espaço para ficar inteligente: multiplicação e construtivismo (1994), Celebração do conhecimento na aprendizagem (1995), Mesa Sutra (1998), Águas da graça – Fragmentos de uma paixão (1998) A coragem de mudar em educação (2000) Como areia no alicerce – Os ciclos escolares (2003) e Por que ainda há quem não aprende? – A Política (2003).

Desde abril de 2002, passou a coordenar, em Porto Alegre, o projeto "O prazer de ler e escrever de verdade", realizado pelas Oragnziações Não-Governamentais (ONGs) GEEMPA e THEMIS, com recursos do Ministério da Educação, e que objetivava a alfabetização de mil mulheres em três meses. A realização do projeto foi especialmente acompanhada pela UNESCO e pelo UNICEF.

 

Luís Otávio de Sousa

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1995-1999); Folha de S. Paulo (31/1/95, 14/1 e 3/5/96, 30/1, 5/2, 29/9, 10/10 e 11/11/98, 2/2/99); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (9/1/97); TRIB. REG. ELEIT. RS. Candidatos (1998); Veja (19/10/94); Portal da Câmara dos Deputados (http://www.camara.gov.br; acessado em 17/11/2009); Revista Istoé Gente (http://www.terra.com.br/istoegente; acessado em 17/11/2009)..

 

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