GENESIO BERNARDINO DE SOUSA

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BERNARDINO, Genésio
Nome Completo: GENESIO BERNARDINO DE SOUSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BERNARDINO, Genésio

BERNARDINO, Genésio

* const. 1987-1988; dep. fed. MG 1987-1999.

 

Genésio Bernardino de Sousa nasceu em Mutum (MG), no dia 15 de setembro de 1926, filho do agricultor Francisco Bernardino de Sousa e de Alzira Alves de Sousa.

Formado em medicina pela Universidade de Minas Gerais, atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), participou ativamente no movimento estudantil, elegendo-se presidente do diretório acadêmico da faculdade de medicina e do diretório central dos estudantes (DCE) da UFMG, em 1946, e vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). Fez residência médica em 1949, no Hospital Estadual de Neuropsiquiatria Infantil, e um ano depois o curso de sanitarista da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais.

Em 1952 tornou-se chefe da unidade sanitária da Secretaria Estadual de Saúde e Assistência, e em 1957, da clínica otorrinolaringológica do Hospital São Vicente de Paula, ambos em Manhumirim (MG).

Em 1961 foi nomeado oficial de gabinete do então primeiro-ministro Tancredo Neves (1961-1962), mas um ano depois já estava de volta à profissão médica em Manhumirim e em Belo Horizonte.

Filiado ao Partido Social Democrático (PSD), com o advento do bipartidarismo implantado pelo Ato Institucional no 2 (AI-2), em 27 de outubro de 1965, acabou ingressando no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país desde abril de 1964. Representante do Ministério da Saúde e executor do convênio de saúde pública com a Companhia Vale do Rio Doce em 1966, nos dois anos seguintes chefiou o Serviço Médico Sanitário da prefeitura de Belo Horizonte. De 1969 a 1970 esteve à frente dos departamentos municipais de Medicina Preventiva e de Profilaxia.

Nos pleitos de novembro de 1970 e de 1974 elegeu-se deputado estadual pela legenda do MDB, participando dos trabalhos legislativos como vice-líder (1975-1976) e líder (1977) da bancada. Em novembro de 1978, conquistou o terceiro mandato estadual.

Com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Popular (PP), liderado por Tancredo Neves, tornando-se seu secretário geral. Em fevereiro de 1982, quando se deu a incorporação do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), reencontrou nesta legenda vários dos antigos membros do MDB, atuando como líder da bancada e presidente da Assembléia Legislativa.

Reeleito deputado estadual pela quarta vez consecutiva em novembro de 1982, tomou posse no início do ano seguinte. Em 1985, licenciou-se do mandato para assumir interinamente o governo de Minas Gerais em virtude do afastamento temporário do governador Hélio Garcia (1984-1987). Retornando em 1986 como titular das comissões de Saúde e de Finanças, foi eleito líder do governo.

No pleito de novembro de 1986 elegeu-se a deputado federal constituinte, sempre pelo PMDB. Licenciado em 15 de março de 1987, ocupou a Secretaria Estadual de Governo e Coordenação Política na gestão de Newton Cardoso (1987-1991), só retomando seu lugar na Câmara dos deputados em 4 de novembro de 1987.

Integrante do Centrão, grupo suprapartidário que reuniu parlamentares de orientação conservadora, votou a favor do turno ininterrupto de seis horas; da unicidade sindical; do voto aos 16 anos; do presidencialismo; do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney; do limite de 12% ao ano para os juros reais. E contra a pena de morte; a limitação do direito de propriedade; a nacionalização do subsolo; a limitação dos encargos para a dívida externa; o mandado de segurança coletivo; a remuneração 50% superior para o trabalho extra; a jornada semanal de 40 horas; a pluralidade sindical; a criação de um fundo de apoio à reforma agrária; a anistia para os micro e pequenos empresários.

Na legislatura ordinária foi titular das comissões de Saúde, Previdência e Assistência Social, e de Seguridade Social e Família, e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural.

Reeleito em outubro de 1990, ainda uma vez pela legenda do PMDB, assumiu a primeira vice-presidência da Câmara e, concomitantemente, a das comissões de Seguridade Social e Família e de Relações Exteriores.

Na sessão de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

No curso da legislatura votou a favor da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) – o chamado imposto do cheque – e pela instituição do Fundo Social de Emergência (FSE), que permitia ao governo gastar até 20% da arrecadação vinculada ás áreas de saúde e de educação, opondo-se ao fim do voto obrigatório.

No pleito de outubro de 1994 conquistou seu terceiro mandato como deputado federal, sempre pelo PMDB, e participou dos trabalhos legislativos como membro titular das comissões de Orçamento e de Relações Exteriores.

Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo federal, em 1995, votou a favor da quebra do monopólio estatal nos setores de telecomunicações, exploração de petróleo, distribuição de gás canalizado e navegação de cabotagem; da mudança no conceito de empresa nacional; da prorrogação do FSE, rebatizado como Fundo de Estabilização Fiscal (FEF).

Em julho de 1996 aprovou a criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), fonte suplementar de recursos destinados à saúde, e em 1997, as emendas que previam a reeleição de presidente da República, governadores e prefeitos, e o fim à estabilidade dos funcionários públicos.

Candidatou-se a um quarto mandato federal em outubro de 1998 e foi malsucedido. Em novembro, ainda votou a favor do teto de 1.200 reais para a aposentadoria dos servidores públicos e dos critérios de idade mínima e tempo de contribuição, para os trabalhadores do setor privado. Deixou a Câmara ao término da legislatura, em fevereiro de 1999. Em março, o presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou-o diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).

Genésio Bernardino pertenceu à Junta Federal de Saúde do Estado de Minas Gerais e chefiou o serviço médico do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Presidiu a União Parlamentar Interestadual e integrou o conselho deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)

Publicou No leme do poder (1985), Experiência do poder (1985) e Transição do poder (1985).

Casou-se com Teresinha Ceci Ursini, teve três filhos.

 

Marcelo Costa/Rogério Barros

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertórios (1991-1995, 1995-1999); COELHO, J.  & OLIVEIRA, A. Nova; Folha de São Paulo (18/9/94, 31/1/95, 14/1 e 10/12/96, 30/1/97, 5/2 e 6/11/98); Globo (8, 9 e 15/12/96, 29/3/99); Jornal do Brasil (15/12/96); Perfil parlamentar/Isto É;

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados