GOIS, RAUL DE

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Nome: GÓIS, Raul de
Nome Completo: GOIS, RAUL DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
GÓIS, RAUL DE

GÓIS, Raul de

*jornalista; dep. fed. PB 1959-1967; pres. ACRJ 1967, 1971 e 1972-1975.

 

Raul de Góis nasceu em Natal no dia 23 de novembro de 1907, filho de Brasiliano Xavier de Góis e de Maria Isabel Cavalcanti de Góis.

Economista, jornalista, industrial e empresário, realizou seus estudos primários no Colégio Sete de Setembro e iniciou o secundário no Ateneu Norte-Rio-Grandense, situados em Natal. No começo da década de 1920, pouco depois da morte de seus pais, transferiu-se para a Paraíba, onde passou a receber assistência de seu tio Amaro Nunes e ingressou no Liceu Paraibano. Conseguiu então seu primeiro emprego — escrevente interino da Delegacia da Indústria Pastoril — através de Sólon de Lucena, presidente do estado, que o nomeou em 1924 fiscal de rendas do governo. Nesse período, trabalhou também como revisor e noticiarista do jornal O Norte, entrando em contato com figuras de projeção na política e no jornalismo estaduais.

Prosseguiu seus estudos na Faculdade de Ciências Econômicas de Pernambuco, em Recife, tornando-se, durante o curso, fundador e diretor do Diário de Pernambuco. Diplomado em 1929, retornou à capital paraibana e prosseguiu suas atividades na imprensa como secretário e depois diretor do mesmo jornal em que trabalhara, dirigindo também, durante algum tempo, a sucursal dos Diários Associados no estado. Em 1935, tornou-se oficial-de-gabinete do governador da Paraíba, Argemiro de Figueiredo, assumindo em seguida, cumulativamente, a chefia das secretarias de Agricultura e de Viação e Obras Públicas. Em 1940, na qualidade de diretor-geral do Departamento de Estatística e Publicidade da Paraíba, chefiou os trabalhos do recenseamento nacional no estado. No fim desse ano, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, para assumir um cargo na direção das Empresas Lundgren, proprietárias das Casas Pernambucanas. Nessa cidade, foi eleito para a presidência da Companhia Nacional de Seguros e, por indicação de José Augusto Bezerra de Medeiros, tornou-se em 1943 membro do conselho diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Nomeado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), Raul de Góis integrou durante cinco anos o Conselho Nacional do Petróleo na qualidade de representante da Confederação das Associações Comerciais. Durante o segundo governo constitucional de Getúlio Vargas (1951-1954), exerceu a presidência do Instituto Nacional do Sal, conseguindo fazer com que o Brasil passasse à condição de exportador desse produto. Em sua gestão foi inaugurado um processo de evaporação a vácuo em salinas do estado do Rio de Janeiro, solucionando os problemas da qualidade do sal fluminense que, até então, não conseguira boa penetração nos mercados consumidores.

Entre 1955 e 1957, Raul de Góis foi segundo-vice-presidente da ACRJ, integrando nesse último ano a delegação brasileira à Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, na Suíça. Em abril de 1958, a ACRJ patrocinou a realização da II Conferência Brasileira de Comércio Exterior, cujas teses e resoluções exerceram significativa influência na definição da política de exportações do governo de Juscelino Kubitschek.

Eleito deputado federal pela Paraíba em outubro de 1958, na legenda do Partido Social Progressista (PSP), Raul de Góis iniciou seu mandato em 1º de fevereiro de 1959, depois de nova ida a Genebra com os mesmos fins da viagem anterior. Em 1962, foi reeleito para a Câmara Federal pelo mesmo estado, desta feita na legenda da União Democrática Nacional (UDN).

No início de 1964, a ACRJ apoiou ativamente a preparação do movimento político-militar para a deposição do presidente João Goulart, que estava comprometido com a realização das chamadas reformas de base. Nos dias 10 e 11 de março, em meio à grave crise política que opunha os blocos de forças reformistas às conservadoras, a entidade se reuniu em caráter extraordinário e aprovou uma Mensagem ao povo brasileiro redigida por Rui Gomes de Almeida (presidente da ACRJ), Raul de Góis, Antônio Carlos Osório e Pedro Leão Veloso, entre outros, criticando em linguagem enérgica o presidente da República e outras altas autoridades do país. O manifesto obteve grande repercussão, provocando uma ameaça não concretizada — de fechamento da entidade. Durante toda a crise, a ACRJ foi apoiada pelo governador do então estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e sua sede permaneceu ocupada por seus líderes, entre os quais Raul de Góis.

A deposição de Goulart em 31 de março de 1964, a formação do novo governo chefiado pelo general Humberto Castelo Branco e as medidas de exceção então adotadas obtiveram total apoio da ACRJ. Em 27 de outubro de 1965, o Ato Institucional nº 2 (AI-2) determinou a extinção dos partidos políticos até então existentes e criou as condições para a instauração do bipartidarismo. Raul de Góis terminou seu mandato parlamentar em janeiro de 1967 já filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao governo, não tendo concorrido à reeleição no pleito de novembro de 1966. Nesse ano, foi indicado pelo governador da Guanabara, Francisco Negrão de Lima (1966-1971), para integrar o conselho de desenvolvimento da Companhia Progresso do Estado da Guanabara (Copeg), onde permaneceria até março de 1971.

Em abril de 1967, no início do governo de Artur da Costa e Silva (1967-1969), seu nome recebeu aprovação unânime do Senado para integrar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), do qual se desligou poucos meses depois para assumir interinamente a presidência da ACRJ. Em dezembro de 1968, essa entidade apoiou a edição do Ato Institucional nº 5. Eleito para a primeira-vice-presidência em 1969, Raul de Góis substituiu em junho de 1971 o presidente Rui Gomes de Almeida no exercício do cargo, recebendo ainda seu apoio para assumir o comando da ACRJ em caráter efetivo no biênio 1972-1973.

Considerando que as pequenas e médias empresas do comércio estavam marginalizadas dos favores oficiais desde o governo de Juscelino Kubitschek e que enfrentavam dificuldades adicionais em virtude da política fiscal adotada desde a presidência de Castelo Branco, Raul de Góis tentou obter para esse setor os mesmos benefícios reservados pela política econômica oficial para os empresários industriais do mesmo porte. Durante sua gestão, a ACRJ influenciou na criação do Centro Brasileiro de Assistência Gerencial à Pequena e Média Empresa (Cebrae) em 1972 pelo presidente Emílio Garrastazu Médici.

Em junho de 1973, Raul de Góis foi reeleito para mais um biênio à frente da ACRJ e tornou-se presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil e das câmaras de Comércio Exterior, cumprindo integralmente todos os mandatos. Em junho de 1974, pronunciou-se a favor da fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, medida então proposta pelo governo federal do Congresso, e implantada no ano seguinte. Deixando a presidência da ACRJ em 1975, passou a presidir o conselho superior da entidade. Como empresário, Raul de Góis foi presidente da Lundgren Irmãos Tecidos S.A. e da Pernambuco Powder Factory S.A.; membro do conselho fiscal da Companhia Internacional de Seguros, da S.A. Philips do Brasil, da S.A. White Martins e da Fábrica de Roupas Epsem, entre outras. Foi também membro do Instituto Histórico da Paraíba, do conselho consultivo do Instituto de Desenvolvimento da Guanabara, do conselho fiscal do Banco do Brasil, do primeiro conselho fiscal da Companhia do Metropolitano, do conselho diretor nacional e da comissão de finanças da Cruz Vermelha Brasileira. Presidiu, durante dois períodos, o segundo conselho de contribuintes do Ministério da Fazenda, na qualidade de representante da Confederação Nacional do Comércio.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de agosto de 1994.

Era casado com Emília Raposo de Góis.

Publicou Beaupaire Rohan, um estadista do Império (1939), Um sueco emigra para o Nordeste (1961), Evocando Epitácio (1966) e Herman Lundgren, pioneiro do progresso industrial no Nordeste. Foi ainda diretor da Revista das Classes Produtoras, órgão oficial da Confederação das Associações Comerciais do Brasil, com sede no Rio de Janeiro.

Sônia Dias

 

FONTES: Almanaque da Paraíba; BARROS, E. Associação; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil (1); ENTREV. BIOG.; Estado de S. Paulo (10/4/76); FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Globo (27/8/95); Grande encic. Delta; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (22/3/76 e 29/3/77); SCHLESINGER, H. Encic.; SOARES, E. Instituições; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4 e 6).

 

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