GORDON, LINCOLN

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Nome: GORDON, Lincoln
Nome Completo: GORDON, LINCOLN

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GORDON, LINCOLN

GORDON, Lincoln

*diplomata norte-americano; emb. EUA no Brasil 1961-1966.

Lincoln Gordon nasceu em Nova Iorque no dia 10 de setembro de 1913, filho de Bernard Gordon e de Dorothy Lerned Gordon.

Em 1933, bacharelou-se em economia pela Universidade de Harvard, transferindo-se em seguida para a Inglaterra, onde, três anos depois, obteve seu doutorado em Oxford. De volta aos Estados Unidos, ingressou no magistério universitário, lecionando ciência do governo em Harvard entre 1936 e 1941. Nesse último ano, após a entrada de seu país na Segunda Guerra Mundial, suspendeu temporariamente as atividades docentes para trabalhar como economista do Conselho Nacional de Defesa, em Washington. Com o término do conflito em 1945, colaborou no planejamento e implementação do Programa Econômico de Recuperação Européia, popularmente conhecido como Plano Marshall, atuando como consultor do Departamento de Estado. Ao mesmo tempo, reassumiu suas funções na Escola de Comércio da Universidade de Harvard.

Em 1950, passou a se dedicar integralmente ao serviço público, assessorando o alto comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no tocante a aspectos não militares. Entre 1952 e 1955, serviu como encarregado de assuntos econômicos da embaixada norte-americana em Londres.

Ligado ao Partido Democrata, viu crescer o prestígio dessa agremiação nos círculos políticos de Washington com a eleição de John Kennedy à presidência em 1960. Sua experiência em projetos de pesquisas sobre o desenvolvimento econômico do Brasil levou o novo presidente a convidá-lo a integrar um grupo de trabalho para a América Latina, que, sob a direção de Adolf Berle Jr., ex-embaixador no Brasil, deveria formular recomendações como subsídio ao programa da Aliança para o Progresso. Ampliando gradativamente sua influência no processo de formulação da política externa norte-americana para o continente, elaborou os mecanismos de assistência econômica da Aliança para o Progresso, que foram apresentados aos países do hemisfério durante uma reunião em Punta del Este, no Uruguai, realizada em agosto de 1961.

No final daquele mês, foi nomeado embaixador no Brasil substituindo John Moors Cabot. O governo norte-americano decidiu, entretanto, adiar sua efetivação, até que fosse solucionada a crise provocada pela renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto, e a recusa dos ministros militares (marechal Odílio Denis, da Guerra, almirante Sílvio Heck, da Marinha, e brigadeiro Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica) em permitir a posse do substituto constitucional, o vice-presidente João Goulart, então em visita oficial à República Popular da China. Contornado o impasse com a instituição do regime parlamentarista, através da Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, Gordon teve sua nomeação confirmada pelo Senado norte-americano. Finalmente, em 3 de outubro seguinte, pouco depois da investidura de Goulart na presidência (7/9/1961), chegou ao Brasil, apresentando imediatamente suas credenciais.

Tão logo assumiu o posto, procurou estabelecer contatos junto ao primeiro escalão do governo, sobretudo com os ministros Francisco Clementino de San Tiago Dantas, das Relações Exteriores, e Válter Moreira Sales, da Fazenda, a fim de implementar o programa da Aliança para o Progresso no país. A economia brasileira apresentava na ocasião fortes sinais de desequilíbrio, com a queda das reservas de divisas, dificuldades para saldar compromissos externos e uma elevada taxa de inflação. Desde seus primeiros encontros com as autoridades governamentais, Gordon deixou claro que seu país iria condicionar a concessão de assistência econômica e de créditos à adoção, pelo Brasil, de medidas estabilizadoras nos setores cambial, financeiro, salarial e tributário.

Gordon compartilhava as apreensões do governo de Washington acerca das vinculações de Goulart às organizações sindicais e aos grupos nacionalistas de esquerda, hostis aos interesses norte-americanos no Brasil. Todavia, durante seus primeiros meses à frente da embaixada, absteve-se de assumir qualquer compromisso com elementos civis e militares de oposição que tentavam obter o apoio dos Estados Unidos a um golpe de Estado. Enquanto isso, procurava reunir o máximo de informações sobre questões controvertidas, como o projeto de lei de remessa de lucros, aprovado pela Câmara dos Deputados em 29 de novembro de 1961, e a chamada política externa independente, estabelecida ainda no governo Jânio Quadros e seguida por Goulart. De acordo com essa orientação, o Brasil rejeitava o alinhamento automático às posições dos Estados Unidos e estimulava o estreitamento de vínculos diplomáticos e comerciais com países do bloco socialista e do Terceiro Mundo.

Em janeiro de 1962, no encontro da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Punta del Este, a delegação brasileira assumiu posição contrária à exigência norte-americana de que todos os países membros adotassem sanções destinadas a isolar diplomaticamente o regime de Cuba — implantado após a vitória do movimento revolucionário de janeiro de 1959, que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista e conduziu Fidel Castro ao poder. Temendo que a inflexibilidade do governo de seu país no tocante à questão pudesse abalar as relações diplomáticas com o Brasil, Gordon enviou diversos comunicados ao secretário de Estado norte-americano Dean Rusk, relatando suas preocupações. No entanto, nem mesmo os esforços empreendidos pelo chanceler San Tiago Dantas para convencer Rusk sobre a conveniência de um estatuto comprometendo Fidel Castro a suspender o apoio cubano à luta armada no continente foram capazes de evitar que a rigidez dos conceitos estratégicos norte-americanos prevalecesse, determinando a expulsão de Cuba da OEA.

Em fevereiro de 1962, as relações entre o Brasil e os Estados Unidos sofreram novo impacto com a decisão do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, de nacionalizar a American and Foreign Power Company (Amforp), subsidiária da International Telephone and Telegraph (ITT) naquele estado. Gordon foi instruído pelo Departamento de Estado a prestar todo apoio à empresa norte-americana para que obtivesse uma indenização imediata e adequada. O governo brasileiro, por seu lado, tinha todo o interesse em chegar a um acordo a fim de não prejudicar as gestões que vinham sendo conduzidas para a obtenção de créditos junto aos Estados Unidos. A aprovação de um empréstimo ao Brasil no valor de 35 milhões de dólares durante a visita de Goulart a Washington, em abril de 1962, foi considerada uma demonstração de boa vontade do governo Kennedy para com o programa de austeridade apresentado pelo ministro Moreira Sales. Acompanhando a comitiva brasileira nessa visita, Lincoln Gordon aproveitou a oportunidade para promover um encontro entre o presidente brasileiro e os líderes da poderosa central sindical American Federation of Labour/Congress of Industrial Organizations (AFL/CIO) que então expressaram suas preocupações com o que consideravam as tentativas da esquerda de controlar o movimento operário no Brasil.

Visando mobilizar a opinião pública em favor da restauração do presidencialismo, em 1º de maio de 1962 Goulart pronunciou um discurso insistindo na implantação das chamadas reformas de base (agrária, urbana, tributária e financeira) que constavam de seu programa de governo, como solução para os problemas estruturais do país. As preocupações de Gordon tornaram-se mais intensas diante da resistência do governo brasileiro em assumir um programa de austeridade econômica e das sucessivas manifestações antiamericanas que ocorriam no país. Em julho de 1962, Francisco de Paula Brochado da Rocha foi designado primeiro-ministro, em substituição a Tancredo Neves. A indicação de Brochado, que atuara como consultor jurídico de Brizola no caso da Amforp, desagradou a Gordon, levando-o a pedir o adiamento da visita de retribuição que Kennedy faria ao Brasil naquele mês, a pretexto de aguardar uma definição do quadro político. No entanto, em 13 de setembro seguinte Brochado apresentou seu pedido de renúncia por não ter obtido a aprovação do Congresso para seu programa de governo. Dias depois, o Congresso marcou para janeiro do ano seguinte a realização de um plebiscito que decidiria sobre a manutenção do regime parlamentarista.

Conseguindo sensibilizar seus superiores em Washington para a importância das eleições que seriam realizadas no Brasil em outubro de 1962, Gordon montou um esquema de dotações financeiras aos candidatos da oposição, usando como intermediários elementos do setor empresarial e entidades como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). Em 1977, ele próprio confirmaria tal procedimento ao admitir “a presença de dinheiro de origem americana na campanha eleitoral de 1962”, com um total estimado em cerca de cinco milhões de dólares.

Em dezembro de 1962, o procurador-geral da República dos Estados Unidos, Robert Kennedy, chegou ao Brasil em visita oficial representando o presidente Kennedy. A viagem fora planejada por Gordon a fim de dramatizar a importância que seu governo atribuía aos problemas vividos pelo país. A iniciativa, no entanto, não surtiu os efeitos esperados, uma vez que a visita foi encarada por Goulart como uma ingerência nos assuntos internos do Brasil.

Logo após o plebiscito de 6 de janeiro de 1963, que restaurou o presidencialismo, devolvendo a Goulart plenos poderes, Gordon manifestou seu ceticismo quanto à capacidade do novo governo para implementar as medidas de estabilização contidas no ambicioso Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, muito embora acreditasse na competência de seu formulador, o economista e ministro extraordinário do Planejamento Celso Furtado — já famoso, àquela altura, por sua atuação à frente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) —, bem como na capacidade de San Tiago Dantas, que passara a ocupar a pasta da Fazenda. Criticou também a escolha de Almino Afonso para o Ministério do Trabalho, por julgar que sua gestão favoreceria ainda mais a infiltração comunista nos sindicatos.

Em março de 1963, esteve presente em Washington aos encontros de San Tiago Dantas com David Bell, diretor da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID). A presença do ministro brasileiro visava à obtenção de créditos para o Plano Trienal, que foram condicionados, pelo lado americano, à tomada de algumas providências, tais como a adoção de uma política antiinflacionária, a redução dos déficits orçamentários e o controle dos créditos do Banco do Brasil. Com a assinatura do acordo Bell-Dantas, o Brasil recebeu um financiamento imediato da ordem de 84 milhões de dólares e uma importância adicional de 314,5 milhões para o ano fiscal de 1964.

De volta ao Brasil, Gordon solicitou uma audiência com Goulart a fim de expressar seu desagrado pelo adiamento de uma decisão sobre a compra da Amforp. No final de abril de 1963, o governo brasileiro concordou em pagar uma indenização no valor de 135 milhões de dólares, sendo que 25% da importância seriam pagos em dinheiro e os 75% restantes em títulos de empresas brasileiras. A divulgação desse acordo teve uma repercussão negativa entre os setores nacionalistas brasileiros. Em maio de 1963, Leonel Brizola, que fora eleito em outubro do ano anterior deputado federal pela Guanabara, argumentou, com base em vasta documentação, que a Amforp já havia recuperado desde há muito o valor de seus investimentos originais, operando com lucros fabulosos, o que tornava absurdo o pagamento de qualquer indenização. O escândalo provocado pela denúncia de Brizola levou Goulart a suspender a transação até que os técnicos brasileiros avaliassem o patrimônio do grupo, o que contrariou profundamente o embaixador norte-americano.

Paralelamente, a situação do país era agravada pelas novas medidas de austeridade econômica. Com a suspensão dos subsídios oficiais, os preços dos produtos de primeira necessidade dispararam, enquanto o cruzeiro era desvalorizado para atender às exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI). Pressionado pelas crescentes dificuldades, Goulart substituiu todo o seu ministério em junho de 1963.

Com base em recomendações de Gordon, o governo norte-americano decidiu suspender as gestões para o reescalonamento da dívida externa brasileira até que Brasília cumprisse fielmente os termos do acordo Bell-Dantas e desse uma solução aceitável para o caso da Amforp. Diante do impasse a que chegaram as relações entre os dois países, Gordon tomou a decisão de congelar os recursos da Aliança para o Progresso destinados a projetos federais. Estes recursos passariam então a ser aplicados seletivamente em estados cujos governos se mostrassem mais sensíveis às diretrizes norte-americanas. O governo de Carlos Lacerda, na Guanabara, veio a ser apontado como o principal beneficiário dessa tática de apoio ao que Gordon denominava “ilhas de sanidade administrativa”. A adoção dessas medidas provocou a reação de Goulart, que instruiu o Itamarati a comunicar ao Departamento de Estado norte-americano o repúdio do governo brasileiro ao que considerou uma violação do princípio da unidade da Federação, ameaçando inclusive denunciar a Aliança para o Progresso caso os Estados Unidos insistissem em manter a mesma política.

Em julho de 1963, reconhecendo implicitamente o esgotamento do diálogo com os Estados Unidos, Goulart admitiu a decretação unilateral de uma moratória para a dívida externa, além de determinar ao novo ministro da Fazenda, Carlos Alberto Carvalho Pinto, que iniciasse estudos visando à regulamentação da Lei de Remessa de Lucros, a fim de conter o êxodo de capitais e de divisas, intensificado nos meses anteriores. Preocupado em resguardar os interesses das subsidiárias de empresas norte-americanas no país, Gordon passou todo o segundo semestre de 1963 tentando evitar essa medida. A nova lei, se concretizada, vedaria as remessas baseadas na reaplicação de lucros, permitindo recursos apenas em relação ao investimento original. As objeções que levantou a vários pontos do decreto foram, entretanto, rechaçadas pelo consultor-geral da República, Valdir Pires, e em 17 de janeiro de 1964 Goulart assinou afinal o decreto regulamentando a lei.

A partir de então, Gordon e sua equipe passaram a acompanhar com vivo interesse as articulações de grupos militares, políticos e empresariais, que conspiravam para a derrubada do governo. O clima de radicalização e os desafios à hierarquia militar intensificaram-se após o Comício das Reformas presidido pelo próprio João Goulart no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964. A realização do comício aumentou as suspeitas da oposição de que o presidente estaria se preparando para fechar o Congresso e impor as reformas pela força, apoiado em grupos de esquerda, organizações sindicais e nos comandados que tinha a seu favor no meio militar. Os acontecimentos se precipitaram rapidamente com a realização, em 19 de março, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com a participação de cerca de quinhentas mil pessoas, que, representando a oposição militante da classe média a Goulart, encheram as ruas de São Paulo. O adido de defesa da embaixada norte-americana, general Vernon Walters — oficial com amplas ligações profissionais e de amizade nos círculos militares brasileiros —, alertou Gordon sobre a iminência de um levante armado, sob a liderança do então chefe do Estado-Maior do Exército, general Humberto Castelo Branco. Convencido da gravidade da situação, Gordon comunicou-se com Washington solicitando apoio logístico e, se necessário, militar (sob a forma de armas e soldados) para os revoltosos.

Segundo a historiadora Phyllis Parker, na tarde de 31 de março, data do levante, o governo norte-americano acionou secretamente a operação “Brother Sam”, composta de uma frota com seis destróieres, o porta-aviões Forrestal, um navio para transporte de helicópteros, além de uma esquadrilha de aviões de caça, abastecimento, carga e comunicações, e quatro petroleiros com capacidade para 130 mil barris para abastecimento das tropas na eventualidade de as refinarias da Petrobras virem a ser sabotadas por elementos pró-Goulart. Finalmente, mais de cem toneladas de armas leves e munições foram reunidas na base norte-americana de McGuire, em Nova Jérsei, de onde deveriam ser transportadas a bordo de aviões C-135, tão logo fossem expedidas as ordens de embarque. A divulgação de documentos do acervo da biblioteca Lyndon Johnson, do Texas, nos Estados Unidos, em fins de 1976, reconstituiu em detalhe a atuação da embaixada desse país nos preparativos para a derrubada de Goulart.

A fulminante vitória do movimento tornou desnecessária a intervenção da força aeronaval norte-americana e Gordon apressou-se em obter do presidente Lyndon Johnson o imediato reconhecimento do novo regime. A calorosa mensagem do chefe do governo dos Estados Unidos ao presidente interino Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, levava a data de 2 de abril de 1964, isto é, anterior à saída de João Goulart do país rumo ao exílio no Uruguai. A interferência da diplomacia norte-americana nesse período tornou-se evidente num episódio relatado por Luís Viana Filho em seu livro sobre o governo Castelo Branco. Nele consta que em 1º de abril de 1964, ao se dirigir com um grupo de parlamentares ao palácio do Planalto para ocupar a presidência, Mazzilli encontrou-o às escuras. Integrando esse grupo, Luís Viana afirmou ainda que, após subir as escadas, “ao meu lado, acesos alguns fósforos, descobri um jovem secretário da embaixada americana — Robert Bentley”.

Hipotecando total solidariedade ao programa de recuperação econômico-financeira do governo do marechal Castelo Branco — eleito pelo Congresso em 11 de abril de 1964 —, Gordon assistiu os ministros Otávio Gouveia de Bulhões, da Fazenda, e Roberto Campos, do Planejamento, em negociações com o FMI, em novembro do mesmo ano. Desejoso de recompensar o total apoio do novo regime à política externa norte-americana, atuou como intermediário em vultosas operações de crédito.

Durante quase todo o ano de 1965, Gordon representou o Departamento de Estado de seu país em negociações visando ao envio de tropas brasileiras para integrarem a Força Interamericana de Paz na República Dominicana, sob os auspícios da OEA. A presença brasileira em território dominicano, entre 1965 e 1966, viria secundar a ação das forças norte-americanas que intervieram naquela nação para pôr fim à luta entre partidários do presidente deposto Juan Boseh e seus adversários conservadores e direitistas.

Tornando-se amigo íntimo do presidente Castelo Branco, Gordon mostrou-se apreensivo com os rumos tomados pelo governo militar, sobretudo a partir da promulgação do Ato Institucional nº 2 (AI-2), editado em 27 de outubro de 1965, que reabriu o processo de punições extralegais de adversários do regime, cujo julgamento transferiu para a Justiça Militar, extinguiu os partidos políticas existentes e reinstaurou as eleições indiretas para a presidência da República, além de ter limitado as prerrogativas do Legislativo em benefício do Executivo. Gordon encarou a medida como um sintoma de que Castelo Branco encontrava-se vulnerável às pressões da chamada “linha dura” militar, contrária ao restabelecimento da normalidade constitucional.

Em janeiro de 1966, Gordon teve seu nome indicado para o cargo de secretário de Estado assistente para assuntos interamericanos e no mês seguinte, deixou o Brasil, sendo substituído na chefia da representação norte-americana por John Tuthill, que havia sido embaixador na Bélgica. Em depoimento à Comissão de Relações do Senado dos Estados Unidos, prestado ainda em fevereiro para informar sobre sua atuação no Brasil, declarou que não concordava com a opinião de que o regime brasileiro se constituía numa ditadura militar, lembrando que, apesar das cassações de mandatos parlamentares e das restrições de alguns direitos políticos, a imprensa oposicionista continuava funcionando e o Congresso não havia sido fechado. Logo em seguida, ao assumir seu novo cargo, anunciou a volta de um clima de cooperação nas relações interamericanas.

Em janeiro de 1967, pediu afastamento do serviço público para assumir a direção da Universidade Johns Hopkins. Quatro anos depois, retomou suas atividades docentes e de pesquisa naquela mesma instituição.

Sempre atento aos problemas da América Latina, em entrevista à revista Veja, de 17 de novembro de 1971, criticou a política externa do presidente Richard Nixon e de seu secretário de Estado Henry Kissinger, cuja exclusiva preocupação em reconstruir o equilíbrio mundial de poder com base nas grandes potências teria relegado o continente a uma “era de descaso”.

Durante a visita que fez ao Brasil em março de 1979, confessou-se chocado com o desvirtuamento dos ideais do movimento político-militar de 31 de março de 1964, esclarecendo que, em princípio, esperava um período relativamente curto de arbítrio, mas não um regime militar que se prolongasse por 15 anos. Não obstante, reafirmou sua confiança no aprofundamento do projeto de abertura política patrocinado pelo presidente recém-empossado, general João Batista Figueiredo, bem como no amadurecimento da presença brasileira no cenário internacional.

Posteriormente, tornou-se especialista em Brasil na Brooking Institution, centro de pesquisa sediado em Washington.

Faleceu em Mitcheville no dia 19 de dezembro de 2009.

Casado com Allison Wright Gordon, teve quatro filhos.

Publicou vários trabalhos nas áreas de administração pública, economia e relações internacionais, entre os quais, Government and the American economy (em colaboração com Merle Fainsod, 1941), Foreign trade policy (1957), United States manufacturing investment in Brazil (em colaboração com Engelbert L. Gromers, 1961) e A new deal for Latin America (1963).

FONTES: BANDEIRA, L. Governo; CACHAPUZ, P. Cronologia; CORRESP. EMB. EUA; Efemérides paulistas; Globo (27/8/00); KLEIN, L. Cronologia; LEITE, A. Páginas; PARKER, P. 1964; SILVA, H. 1964; VIANA FILHO, L. Governo; VÍTOR, M. Cinco; Who’s who in America.

 

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