JOAO URURAI DE MAGALHAES

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Nome: MAGALHÃES, Ururaí de
Nome Completo: JOAO URURAI DE MAGALHAES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MAGALHÃES, URURAÍ DE

MAGALHÃES, Ururaí de

*militar; comte. ger. PMDF 1953-1956.

 

João Ururaí de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 24 de junho de 1897, filho de Áureo Correia de Magalhães Passos.

Ingressou no Exército em julho de 1915, sentando praça como soldado no 2º Regimento (2º RI), na Vila Militar, no Rio de Janeiro. Permanecendo nesse regimento, foi promovido a aspirante em abril de 1916 e a cabo em junho desse ano, atingindo o posto de terceiro-sargento em outubro de 1917 e de segundo-sargento em dezembro do mesmo ano.

Em maio de 1918 matriculou-se na Escola Militar do Realengo, também no Rio de Janeiro, da qual saiu aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1921. Em março seguinte passou a servir no 20º Batalhão de Caçadores (20º BC), sediado em Maceió, sendo promovido a segundo-tenente em maio do mesmo ano. Voltou a servir no 2º RI a partir de janeiro de 1922 e, em julho desse ano, participou do combate ao movimento que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920. Irrompida no Rio de Janeiro e em Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República (1/3/1922) e as punições impostas pelo governo Epitácio Pessoa aos militares, a revolta foi debelada no mesmo dia, tendo envolvido, no Rio, o forte de Copacabana, a Escola Militar e efetivos da Vila Militar e, em Mato Grosso, o contingente do Exército local. Nessa ocasião, recebeu elogios de seus superiores por sua atuação na repressão ao movimento.

Promovido a primeiro-tenente em novembro de 1922, continuou a exercer funções no 2º RI, iniciando em março de 1924 o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO). Pouco depois, integrou as forças legalistas no combate à revolta tenentista irrompida no dia 5 de julho em Sergipe, Amazonas e São Paulo. Dominado com rapidez nos dois primeiros estados, o movimento teve maior repercussão em São Paulo, onde os rebeldes, comandados por Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital por três semanas, abandonando então a cidade e deslocando-se para o interior. Esse grupo paulista formaria mais tarde no oeste do Paraná — ao lado do contingente revolucionário que sublevou, em outubro de 1924, unidades militares no Rio Grande do Sul — a Coluna Prestes. Ururaí obteve então novos elogios de seus superiores por sua participação nas ações de combate à revolta.

Concluindo em dezembro de 1924 o curso da EsAO, passou a servir como instrutor no 2º RI, exercendo essa função até fevereiro de 1930. Após a Revolução de outubro desse ano, assumiu em novembro a função de instrutor da Polícia Militar do Distrito Federal, que exerceu até abril de 1931. Auxiliar de instrução da Escola Militar a partir do mês seguinte, passou a servir como subalterno no Batalhão Escola da Vila Militar. Promovido a capitão em maio de 1932, assumiu em seguida o comando da companhia do Batalhão Escola de Infantaria, na Vila Militar.

Aluno da Escola de Estado-Maior de março de 1934 a dezembro de 1936, estagiou no Estado-Maior do Exército (EME) a partir do fim do curso até abril de 1937, quando, transferido para Porto Alegre, passou a chefiar a 3ª seção do estado-maior da 3ª Região Militar (3ª RM). No exercício dessas funções participou das ações do Exército no Rio Grande do Sul visando a desmoralização da milícia estadual. A Brigada Militar gaúcha, a maior do país, era comandada pelo governador José Antônio Flores da Cunha, que se opunha ao continuísmo de Getúlio Vargas e apoiava a candidatura oposicionista de Armando de Sales Oliveira nas eleições para a presidência da República previstas para 1938. As operações militares no Rio Grande do Sul, orientadas sobretudo pelo general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, chefe do EME desde julho de 1937, culminaram com a intervenção federal no estado, executada a partir de outubro desse ano pelo recém-nomeado comandante da 3ª RM, general Manuel de Cerqueira Daltro Filho. Todo esse processo de consolidação do poder central se completou em 10 de novembro de 1937, com o golpe do Estado Novo.

Instrutor da Escola de Armas, no Rio de Janeiro, a partir de abril de 1938, participou da repressão ao levante integralista irrompido em 11 de maio seguinte. Contando com o apoio de oposicionistas liberais, o levante teve como principal episódio o assalto ao palácio Guanabara, residência do presidente da República, mas foi contido em poucas horas.

Promovido a major em março de 1940, permaneceu adido à Escola de Armas até o mês seguinte, comandando de maio desse ano a setembro de 1941 o 8º BC, sediado em São Leopoldo (RS). Chefe de seção do estado-maior da 5ª RM, em Curitiba, de outubro de 1941 a março de 1942, serviu a partir desse mês na Inspetoria do 1º Grupo de Regiões Militares. Aí permaneceu até dezembro do mesmo ano, quando assumiu uma chefia de seção da 1ª RM, sediada no Rio de Janeiro.

Promovido a tenente-coronel em setembro de 1943, comandou de novembro desse ano a julho de 1944 o 15º RI, sediado em João Pessoa. De volta ao Distrito Federal em agosto de 1944, assumiu o comando do Batalhão Escola de Infantaria, na Vila Militar, participando nesse posto do golpe de estado de 29 de outubro de 1945, que depôs o presidente Getúlio Vargas e pôs fim ao Estado Novo. Na ocasião, comandou o Batalhão Escola, ocupando a praça Paris.

Comandante do Regimento Escola de Infantaria (REI), sediado no Distrito Federal, a partir de agosto de 1946, realizou de abril a maio do ano seguinte viagem aos Estados Unidos, com o objetivo de visitar estabelecimentos escolares. Retornando às funções anteriores, atingiu o posto de coronel em setembro de 1949. Permaneceu no comando do REI até março de 1953, tendo criado, no exercício desse cargo, o serviço de guarda baseado em duplas de policiais chamado “Cosme e Damião”. Por diversas vezes nesse período assumiu também o comando do Grupamento Unidades-Escola (GUE).

Foi nomeado comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal em março de 1953, tendo apoiado como tal o movimento político-militar de 11 de novembro de 1955, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário. O movimento tinha por objetivo, segundo seus promotores, neutralizar uma conspiração em preparo no governo e assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. Em seguida, levou ao impedimento dos presidentes da República Carlos Luz, em exercício, e João Café Filho, licenciado, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos.

General-de-brigada em março de 1956, permaneceu no comando da Polícia Militar do Distrito Federal até setembro desse ano. Comandante da 5ª RM e da 5ª DI, de dezembro de 1956 a junho do ano seguinte, retornou a seguir ao Distrito Federal, assumindo em janeiro de 1958 o comando da Divisão Blindada. Chefe do estado-maior do I Exército, com sede no Rio de Janeiro, a partir de maio de 1958, foi promovido a general-de-exército e transferido para a reserva de primeira classe em junho de 1959, deixando seu posto no mês seguinte.

Ainda em 1959 assumiu a presidência da Comissão Federal de Abastecimento e Preços (Cofap).

Foi reformado em 1971.

Faleceu em 24 de abril de 1982.

Era casado com Maria Fonseca Magalhães, com quem teve três filhos.

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; CARNEIRO, G. História; MIN. GUERRA. Almanaque (1954).

 

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