LAGO, ANTONIO CORREIA DO

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Nome: LAGO, Antônio Correia do
Nome Completo: LAGO, ANTONIO CORREIA DO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LAGO, ANTÔNIO CORREIA DO

LAGO, Antônio Correia do

*diplomata; emb. Bras. Uruguai 1974-1981; emb. Bras. França 1984-1986.

 

Antônio Correia do Lago nasceu em Pau, na França, no dia 28 de agosto de 1918, filho do general Manuel Correia do Lago e de Maria Helena Guerra do Lago. Como seu pai se encontrasse na época de seu nascimento em missão oficial na Europa — era membro da Comissão de Estudos Operacionais na Europa (Missão Aché) e adido militar junto à legação brasileira em Bruxelas, Bélgica —, foi declarado brasileiro por força dos dispositivos constitucionais (artigo 69, inciso III da Constituição de 1891).

Cursou o Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil em 1939.

Ingressou na carreira diplomática como cônsul de terceira classe em março de 1939, servindo no ano seguinte como auxiliar interino do chefe do Departamento Diplomático e Consular do Ministério das Relações Exteriores. Membro da comissão organizadora do V Congresso Postal das Américas e Espanha em 1941, um ano depois integrou também a comissão de organização da III Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, no Rio de Janeiro. Ainda em 1942, ficou à disposição do grão-duque de Luxemburgo quando da visita deste ao Brasil, assim como da comissão brasileira junto à Missão Técnica Americana.

De outubro a novembro de 1943 foi também colocado à disposição do Conselho Nacional do Petróleo (CNP) e, em dezembro, foi promovido a cônsul de segunda classe. De fevereiro a agosto de 1944 atuou como elemento de ligação entre o Ministério das Relações Exteriores e o CNP e, de agosto a dezembro desse ano, serviu provisoriamente como segundo-secretário da embaixada brasileira em Buenos Aires, permanecendo à disposição do chefe do Departamento de Administração do Itamarati até julho de 1945.

Segundo-secretário da embaixada do Brasil em Montevidéu de outubro de 1945 a janeiro de 1948, durante esse período foi delegado à V Assembléia Geral Ordinária da Federação Interamericana de Automóveis Clubes, em janeiro de 1946, assistente do secretário-geral da Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz e da Segurança do Continente, em agosto de 1947, e membro da comissão de estudos preparatórios da IX Conferência Internacional Americana, realizada em Bogotá, na Colômbia, também em 1947.

Auxiliar do secretário-geral do Itamarati entre 1948 e 1949 e secretário da delegação brasileira à III Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), reunida em Paris em setembro de 1948, de maio a junho de 1949 permaneceu à disposição do Gabinete Civil da Presidência da República. Nesse mesmo ano foi promovido a primeiro-secretário, tornando-se no ano seguinte chefe da Divisão Comercial do Departamento Econômico e Comercial do Itamarati. Em março de 1951 atuou como secretário-geral da delegação brasileira à IV Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, realizadas em Washington. De maio do mesmo ano a julho de 1953 serviu em Los Angeles, nos EUA. Designado nesse último mês oficial-de-gabinete do ministro das Relações Exteriores, Vicente Rao, em agosto seguinte recebeu o título de conselheiro, permanecendo nesse mesmo mês à disposição do enviado pessoal do presidente dos EUA, Dwight Eisenhower. Por essa época exerceu também a chefia da Secretaria do Instituto Rio Branco e presidiu a comissão assessora da seção técnico-pedagógica desse órgão.

Promovido a ministro de segunda classe em janeiro de 1954, chefiou a Divisão Econômica do Departamento Econômico e Comercial do Itamarati desse ano até julho de 1956. Consultor especial da delegação brasileira à Reunião dos Ministros da Fazenda ou Economia das Repúblicas Americanas, realizada em Petrópolis (RJ) em novembro de 1954, em fevereiro do ano seguinte tornou-se chefe substituto do Departamento Econômico Consular e, em julho do mesmo ano, membro da Seção de Segurança Nacional do Ministério das Relações Exteriores. Ainda em 1955, chefiou a Missão Econômica Brasileira ao Chile e ao Uruguai, além de responder pela chefia da seção brasileira da Comissão Mista Brasil-Argentina durante o mês de agosto e de representar o Itamarati no Conselho Nacional de Economia.

No início de 1956 participou em Paris da Reunião da União Européia de Pagamentos como delegado do Brasil e, a partir de maio, integrou a Comissão do Projeto de Reestruturação do Ministério das Relações Exteriores, voltando a chefiar a divisão Comercial do Departamento Econômico e Comercial desse ministério em julho seguinte. Novamente chefe da seção brasileira da Comissão Mista Brasil-Argentina em Buenos Aires, no mês de agosto, chefiou também, em novembro de 1956, a delegação brasileira ao primeiro período de sessões do comitê de comércio da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), em Santiago do Chile.

Em julho de 1957 atuou como delegado suplente do Brasil na XXIV Sessão do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU, em Genebra, na Suíça, e, de agosto a setembro desse mesmo ano, foi delegado à Conferência Econômica da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Buenos Aires. Durante o ano seguinte chefiou, em março, a missão negociadora do Ajuste de Comércio e Pagamentos com a Iugoslávia; em agosto, a delegação à reunião da Comissão Mista Brasil-Chile, em Santiago; e, ainda nesse mês pela terceira vez, a seção brasileira da Comissão Mista Brasil-Argentina.

Nomeado cônsul-geral em Paris, desempenhou essa missão de janeiro de 1959 a maio de 1961, tendo sido promovido a ministro de primeira classe em janeiro desse último ano. Em julho seguinte chefiou a delegação brasileira à I Conferência das Partes Contratantes da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) e, em outubro, assumiu a embaixada brasileira em Caracas, na Venezuela, aí permanecendo até junho de 1964. Dessa data a 1966 representou o Brasil junto à Food and Agriculture Organization (FAO), tendo participado de diversos encontros desse órgão. Paralelamente, no período de junho de 1964 a dezembro de 1965 chefiou a delegação permanente do Brasil em Genebra, tendo participado da XVIII e da XIX sessões da Conferência Internacional do Trabalho, realizadas naquela cidade em 1964 e 1965. Nesse mesmo período chefiou a delegação brasileira à XII e à XIII sessões do Comitê Executivo do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, realizadas, respectivamente, em outubro de 1964 e de abril a maio do ano seguinte, representou o Brasil na Sessão Extraordinária das Partes Contratantes do General Agreement on Trade and Tariffs (GATT) em novembro de 1964, compareceu à XII e à XIII sessões anuais do GATT em março de 1965 e de 1966, e participou das Negociações Kennedy, em julho de 1965, em Genebra. Integrou também as delegações do Brasil às reuniões do Comitê de Assistência da ONU, em Roma, e do Comitê de Assistência Técnica dessa organização internacional, em Genebra, ambas realizadas em 1965. No ano seguinte chefiou a delegação brasileira à Conferência de Desarmamento, reunida em Genebra.

Diretor do Instituto Rio Branco entre 1966 e 1969, foi delegado do Brasil à XII Sessão da Assembléia Geral da ONU em 1967. Deixou o Instituto Rio Branco para assumir como embaixador a chefia da missão brasileira junto às Comunidade Européia em Bruxelas, na Bélgica, função que exerceu até 1973, tendo participado em 1970 da reunião da Comissão Especial de Coordenação Latino-Americana na qualidade de chefe da delegação de seu país.

Designado em 1974 para a embaixada brasileira em Montevidéu, sucedendo a Arnaldo Vasconcelos, representou o governo brasileiro por ocasião da assinatura, em 1975, do protocolo comercial que regularizou as relações de comércio entre o Brasil e o Uruguai. Ainda durante sua permanência na capital uruguaia foi obtida a libertação da brasileira Flávia Schilling, presa política naquele país há vários anos. Correia do Lago ficou em Montevidéu até março de 1981, quando deixou o posto, sendo sucedido por Eduardo Hosannah. Em seguida, foi nomeado embaixador do Brasil junto à Santa Sé (Vaticano) — e cumulativamente, junto à Ordem Soberana Militar de Malta — em substituição a Expedito Resende, que falecera no posto.

Exerceu a função de embaixador na França entre 1984 e 1986, período de intensificação das relações entre os dois países marcado pelo encontro do presidente eleito Tancredo Neves com o presidente François Mitterand em janeiro de 1985 e pela visita oficial ao Brasil do presidente da França em outubro do mesmo ano, bem como pelo lançamento do programa cultural Brasil-França.

Incluído no quadro especial em dezembro de 1986, foi aposentado em agosto de 1988.

Deixando o serviço público, fixou-se no Rio, onde, nos anos 1990, ocupou o posto de diretor da holding Monteiro Aranha.

Tornou-se membro da National Social Sciences Society e da Sociedade Brasileira de Direito Internacional.

Obteve o grau de master of arts em relações internacionais pela Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de setembro de 2000.

Era casado com Delminda Aranha Correia do Lago — filha de Osvaldo Aranha, ministro da Justiça de 1930 a 1931, da Fazenda de 1931 a 1934 e de 1953 a 1954, e das Relações Exteriores de 1938 a 1944 —, com quem teve cinco filhos, entre os quais Pedro Correia do Lago, que foi diretor da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro entre 2004 e 2005.

 

FONTES: CORTÉS, C. Homens; CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (15/5/81); Globo (17/3/81); Jornal do Brasil (17/3/81); MIN. REL. EXT. Anuário (1958, 1959, 1976 e 1983); Perfil (1972 e 1974); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem.

 

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