LAJE, HENRIQUE

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Nome: LAJE, Henrique
Nome Completo: LAJE, HENRIQUE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

LAJE, Henrique

*dep. fed. DF 1935-1937.

 

Henrique Laje nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 14 de março de 1881, filho de Antônio Martins Laje Filho, armador e industrial português estabelecido no Brasil, que em 1891 fundou a Companhia Nacional de Navegação Costeira.

Engenheiro, Henrique Laje foi um dos pioneiros da industrialização brasileira, começando sua vida de empresário em 1918, quando substituiu o pai na direção de sua companhia de navegação. Procurando em seguida expandir seus negócios — que constituiriam a Organização Laje —, dedicou-se à construção naval, instalando estaleiros na ilha do Viana, na baía de Guanabara, e sendo ainda, nos primeiros anos da década de 1920, um precursor da extração do carvão mineral em Santa Catarina. Criou também a Companhia Nacional de Navegação Aérea, responsável pela produção de equipamentos aeronáuticos e a primeira fábrica de aviões no Brasil.

Aproximando-se da política, no pleito de outubro de 1934 elegeu-se deputado federal pelo Distrito Federal na legenda do Partido Autonomista e exerceu o mandato de maio de 1935 a novembro de 1937, quando, com o advento do Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram suprimidos. Em 1938 fundou na ilha do Viana o primeiro forno siderúrgico do país. Contribuiu ainda para a tecnologia na área da medicina, projetando e construindo em seus estaleiros um aparelho destinado a superar dificuldades no processo de consolidação das fraturas de clavícula. No campo da construção naval, produziu para a Marinha brasileira seis corvetas de mil toneladas cada uma.

Foi proprietário ou principal acionista das seguintes empresas, além das já citadas: Lóide Nacional, Banco Sul do Brasil, Companhia Industrial Friburguense, Sauwen e Cia., Indústria Brasileira de Cerâmica, Estaleiros Guanabara, Companhia Nacional de Construções Civis e Hidráulicas, Companhia Nacional de Imóveis Urbanos, Companhia Docas de Imbituba, Companhia de Navegação de São João da Barra e Campos, Companhia Serras de Navegação e Comércio, Sociedade Brasileira de Cabotagem, Companhia do Gandarela, Companhia Nacional de Mineração e Metalurgia São Paulo-Paraná, Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá, Companhia Nacional Mineração de Barro Branco, Gás de Niterói, Lóide Sul-Americano, Lóide Industrial Sul-Americano de Seguros Marítimos e Terrestres, Fábrica de Tecidos Mariú, Hospital de Acidentados, Companhia Nacional de Exploração de óleos Minerais e outras. Foi proprietário do jornal Imparcial, ainda na República Velha, e mais tarde de A Tribuna.

Faleceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de julho de 1941, deixando viúva Gabriella Benzanzoni, famosa cantora lírica italiana.

Em 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o governo-brasileiro considerou que a Organização Laje constituía “um conjunto valoroso, aproveitado no interesse da defesa nacional”, e baixou um decreto-lei incorporando ao patrimônio da União o complexo industrial e os bens particulares de Henrique Laje. A administração do espólio foi entregue a um superintendente nomeado pelo governo federal, sem indenização aos herdeiros testamentários, sua esposa e alguns colaboradores. A viúva de Laje reivindicou na Justiça o direito sucessório e a defesa do testamento, e somente em 1946 foi instituído um juízo arbitral para avaliar a justificativa de incorporação sem indenização pelo Estado. No ano de 1948, o laudo arbitral proclamou a improcedência da medida governamental, e, já descontadas as dívidas do testador aos poderes públicos e credores particulares, condenou a União a compensar os herdeiros pelas companhias de navegação e algumas outras, que foram assim definitiva e legalmente incorporadas ao Estado, e a devolver o restante das empresas. O governo federal não cumpriu, entretanto, as deliberações do laudo arbitral e, em 1952, o presidente Getúlio Vargas retirou do Senado o pedido de liberação da verba necessária para pagar a indenização fixada, encaminhado pelo governo anterior. O processo teve mais de trinta recursos protelários e a ação se desdobrou em três outros processos. Transcorreu na Justiça durante anos, sem que os sucessores tenham recebido integralmente a indenização devida. A residência de Henrique Laje no bairro do Jardim Botânico, no Rio, depois de passar às mãos de empresários privados, foi encampada em 1965 pelo patrimônio público passando a ser conhecida como Parque Laje.

 

 

FONTES: ABRANCHES, J. Governos; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação nominal; Diário do Congresso Nacional; Globo (14 e 15/3/81); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (11/3/81); MACEDO, R. Efemérides; Novo dic. de história.

 

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