LAMEIRAO, JOSE CHAVES

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Nome: LAMEIRÃO, José Chaves
Nome Completo: LAMEIRAO, JOSE CHAVES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LAMEIRÃO, JOSÉ CHAVES

LAMEIRÃO, José Chaves

*militar; rev. Jacareacanga

 

José Chaves Lameirão nasceu em Coroados (SP) no dia 29 de setembro de 1926, filho de Antônio Lameirão Júnior, industrial, e de Jandira Chaves Lameirão.

Seis meses após seu nascimento, a família transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde Lameirão viria a realizar seus estudos, cursando o primário na Escola Argentina, o ginásio no Instituto Leverger e o colegial no Colégio Metropolitano. Em março de 1945 ingressou na Escola de Aeronáutica, sendo declarado aspirante-a-oficial em dezembro de 1947.

Promovido a segundo-tenente em julho do ano seguinte, a primeiro-tenente em março de 1951 e a capitão-aviador em janeiro de 1955, integrava o grupo de oficiais antigetulistas da Aeronáutica, insatisfeitos com a situação criada com o Movimento de 11 de Novembro de 1955, que, sob a liderança do general Henrique Teixeira Lott, assegurou a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart na presidência e vice-presidência da República em janeiro do ano seguinte. Juntamente com o major-aviador Haroldo Veloso e outros oficiais, formou um pequeno núcleo radical que decidiu enfrentar a ala militar vitoriosa, contando receber o apoio de outros oficiais descontentes. Segundo Glauco Carneiro, o objetivo da rebelião liderada por Veloso era entregar a direção do país a pessoas “capazes”, até que se processasse uma reforma eleitoral.

Assim, no dia 11 de fevereiro de 1956, em companhia do major Veloso, Lameirão apoderou-se de um avião bimotor Beechcraft, partindo ambos do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, onde Lameirão servia, com armas, explosivos e bombas descarregadas. Fizeram escalas em Uberaba (MG), Aragarças (GO) e Cachimbo (GO), mas o objetivo final era Jacareacanga (PA), localidade no interior da Amazônia, a 500 km de Manaus, onde os rebeldes pretendiam estabelecer seu quartel-general. Aí improvisaram a resistência, armando índios e seringueiros que residiam nas imediações. Ocuparam também a estação de rádio da Aeronáutica, passando a comandar através dela o pequeno destacamento militar e os trabalhadores civis. No dia 16 de fevereiro aderiu ao movimento o major-aviador Paulo Vítor da Silva, engenheiro de rotas do Departamento de Aviação Civil (DAC) e amigo pessoal de Lameirão e Veloso.

Uma semana após a chegada em Jacareacanga, os revoltosos ocuparam e interditaram Itaituba, Belterra e Santarém cidades localizadas no estado do Pará, tendo o major Paulo Vítor assumido a chefia das operações em Jacareacanga. O domínio de Santarém — que se tornou importante base de operações dos rebeldes durante dez dias — causou grandes transtornos à vida da região por ser essa cidade ativo ponto de escala para a navegação fluvial e para os aviões comerciais que, na época, faziam a linha Belém-Manaus. Entrementes, a Aeronáutica e o Exército providenciaram o envio de pequenos destacamentos para os aeródromos da região, a fim de evitar que estes caíssem nas mãos dos revoltosos.

No dia 22 do mesmo mês, com a aproximação de tropas legalistas chefiadas pelo tenente-coronel-aviador Hugo Delayte, os rebeldes abandonaram Santarém, refugiando-se nas matas. Ao mesmo tempo, estava sendo organizado um ataque a Jacareacanga, cuja estratégia inicial previa um bombardeio ao núcleo revolucionário, o que levou o brigadeiro Antônio Guedes Muniz a enviar um telegrama ao responsável pela operação, o brigadeiro Antônio Alves Cabral, condenando a iniciativa. No dia 29, o major Veloso foi preso pelo capitão legalista Nílton de Castro, e enviado a Belém a bordo do navio Presidente Vargas. Lameirão, Paulo Vítor e o sargento João Gunther fugiram num avião Douglas C-47 para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde obtiveram asilo político.

A repressão à Revolta de Jacareacanga provocou reações contrárias nos meios militares. Muitos oficiais da Aeronáutica foram presos por insubordinação, uma vez que se negaram a reprimir os rebeldes. Preocupado em acalmar as forças armadas, o presidente Kubitschek obteve do Congresso a concessão de uma anistia “ampla e irrestrita” para todos os civis e militares acusados de haverem cometido “atos revolucionários” entre 10 de novembro de 1955 e 1º de março do ano seguinte, beneficiando assim os rebeldes de Jacareacanga. Em outubro de 1961, Lameirão foi reformado no posto de major-aviador pelo presidente João Goulart (1961-1964).

Faleceu no dia 25 de julho de 1975.

Era casado com Maria da Glória da Costa Serrano Lameirão, com quem teve três filhas.

 

 

FONTES: CARNEIRO, G. História; Jornal do Brasil (26 e 29/7/75); WANDERLEY, N. História.

 

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