LEUZZI, MIGUEL

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Nome: LEUZZI, Miguel
Nome Completo: LEUZZI, MIGUEL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LEUZZI, MIGUEL

LEUZZI, Miguel

*dep. fed. SP 1955-1963.

 

Miguel Leuzzi nasceu em São Paulo no dia 6 de maio de 1904, filho de Arcângelo Leuzzi e de Antonieta Sardo Leuzzi, imigrantes italianos.

Fez os primeiros estudos no Grupo Escolar do Brás, cursando o secundário no Ginásio do Estado de São Paulo, no Ginásio Osvaldo Cruz e no Colégio Anglo-Brasileiro, todos na capital paulista. Em 1930 diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Depois de formado, trabalhou como assistente e chefe de clínica do professor Benedito Montenegro, no Sanatório Santa Catarina, ao qual permaneceria ligado por 20 anos. Por concurso prestado em 1935, tornou-se livre-docente de técnica cirúrgica da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que se dedicava à medicina voltou-se para o plantio do algodão, chegando a representar o Brasil na Conferência do Algodão, realizada em 1936 nos Estados Unidos.

Proprietário da Rede Piratininga de Radiodifusão, cadeia de emissoras espalhadas por vários municípios paulistas, utilizou esse meio de comunicação para promover a candidatura de Jânio Quadros ao governo de São Paulo no pleito de outubro de 1954. Nessa mesma ocasião lançou-se candidato a deputado federal na legenda do Partido Trabalhista Nacional (PTN), agremiação que integrava a coligação partidária que apoiava Quadros. Eleito, foi empossado em fevereiro de 1955, tornando-se em março seguinte vice-líder do seu partido na Câmara e líder em 1956. Foi ainda um dos articuladores do Bloco Ruralista, que durante sua curta existência, defendeu os interesses dos proprietários rurais no combate aos projetos de reforma agrária em tramitação no Congresso. Em 1957 tornou-se quarto-secretário da mesa da Câmara.

Novamente vice-líder do PTN na Câmara a partir de abril de 1958, reelegeu-se, por esta legenda, deputado federal em outubro daquele ano. Durante a crise político-militar provocada pela renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), votou a favor da Emenda Constitucional nº 4, fórmula conciliatória aprovada pelo Congresso em 2 de setembro, que, ao instaurar o regime parlamentarista no país, permitiu a posse do vice-presidente João Goulart no dia 7 seguinte. A investidura de Goulart na presidência da República fora vetada pelos ministros militares marechal Odílio Denis, da Guerra, almirante Sílvio Heck, da Marinha, e brigadeiro Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica.

Durante o governo de João Goulart (1961-1964) manifestou-se a favor da reforma agrária em moldes cooperativistas, incluindo a desapropriação dos latifúndios improdutivos mediante o pagamento prévio do seu justo valor em dinheiro. Municipalista, apoiou a Emenda Constitucional nº 5 de dezembro de 1961, que ampliou a receita dos municípios ao lhes conferir a atribuição de arrecadar o imposto territorial. Defendeu a manutenção do monopólio estatal do petróleo e sua extensão aos setores da energia elétrica, dos transportes ferroviários e marítimos e das telecomunicações, bem como à exploração dos minérios atômicos. No pleito de outubro de 1962 candidatou-se a uma suplência no Senado, pela coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD), Partido da Representação Popular (PRP) e Partido Social Progressista (PSP), não obtendo sucesso.

Favorável à antecipação do plebiscito que, realizado em janeiro de 1963, decidiu pelo retorno ao presidencialismo, ainda nesse mês deixou definitivamente a Câmara dos Deputados, ao final da legislatura.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente Goulart, foi punido por engano pelo Ato Institucional nº 1 (9/4/1964) com a perda dos seus direitos políticos por um período de dez anos. A punição, publicada na lista do dia 14 de abril, visava na verdade seu filho e homônimo, que, por conta do equívoco, ficou impune. Apesar de alertado pelo presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, antes de a notícia sair no Diário Oficial, o novo presidente, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, não pôde evitar a cassação, pois, com a divulgação extra-oficial da notícia, prevaleceu a tese do fato consumado irreversível.

Médico da reserva do Exército na patente de capitão, tornou-se membro da Academia de Medicina de São Paulo, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Lecionou na Escola de Educação Física de São Paulo e foi cirurgião do Serviço de Saúde Escolar paulista. Fez um curso de especialização na Clínica Mayo-Rochester, nos EUA. Como empresário, foi diretor da Imobiliária São Miguel, em São Paulo.

Faleceu em janeiro de 1975.

Era casado com Lina Giorgi Leuzzi, com quem teve seis filhos.

Publicou A ventriculografia (1930) e Estudo pré e pós-operatório das intervenções gástricas.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Anais (1959); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CÂM. DEP. Relação dos deputados; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CAMPOS, Q. Fichário; COUTINHO, A. Brasil; Eleitos; Estado de S. Paulo (6/3/76); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3 e 4).

 

 

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