OLAVO GOMES PIRES FILHO

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Nome: PIRES, Olavo
Nome Completo: OLAVO GOMES PIRES FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PIRES, OLAVO

PIRES, Olavo

*dep. fed. RO 1983-1987; const. 1987-1988; sen. RO 1987-1990.

 

Olavo Gomes Pires Filho nasceu em Catalão (GO) no dia 29 de agosto de 1938, filho de Olavo Gomes Pires e de Rute de Freitas Pires.

Fez curso técnico em contabilidade e em 1977 mudou-se para Rondônia. Em novembro de 1982 elegeu-se deputado federal por esse estado, na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e assumiu o mandato em fevereiro. Participou dos trabalhos legislativos como titular da Comissão do Interior e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural. Ainda em 1983, integrou a delegação de parlamentares brasileiros que visitou Lima, objetivando a integração Brasil-Peru.

Em 25 de abril de 1984 votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado —, Olavo Pires votou, no Colégio Eleitoral reunido em 15 de janeiro de 1985, no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Tancredo, contudo, não chegou a ser empossado. Doente, ele morreu em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março.

Em novembro de 1986, Olavo Pires concorreu a uma vaga no Senado por Rondônia, na legenda do PMDB, sendo o mais votado do estado. Assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, participou dos trabalhos legislativos como vice-líder do partido no Senado e, na Assembléia Nacional Constituinte, como primeiro-vice-presidente da Subcomissão de Garantia da Constituição, Reformas e Emendas, da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantia das Instituições, e suplente da Subcomissão da União, Distrito Federal e Territórios, da Comissão da Organização do Estado.

Na Constituinte, votou a favor da pena de morte, da soberania popular, do voto aos 16 anos, do presidencialismo, da nacionalização do subsolo, da limitação dos juros em 12% ao ano e do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. E votou contra a remuneração 50% superior para o trabalho extra, o turno ininterrupto de seis horas e a estatização do sistema financeiro. Ausentou-se nas votações da estabilidade no emprego, da jornada semanal de 40 horas e do aviso prévio proporcional. Esteve ausente em mais de 70% das votações realizadas na Constituinte. Neste período, sofreu investigações da Polícia Federal por supostas irregularidades em suas atividades empresariais.

Alvo também de investigações para esclarecer denúncias de seu envolvimento com o narcotráfico, ainda em 1987, Olavo Pires teve o prédio em que morava, em Brasília, cercado por agentes das polícias Federal e Militar e da Receita Federal, que foram conferir denúncia anônima de existência de drogas em um de seus carros. Nada foi encontrado. Em junho do ano seguinte, seu piloto, Francisco Maciel de Lima, foi preso em São Paulo com 43 quilos de cocaína. Com a promulgação da Constituição em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos ordinários do Senado. A essa altura, já havia deixado o PMDB e ingressado no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Candidato ao governo de Rondônia na legenda do PTB, em outubro de 1990, foi o primeiro colocado no primeiro turno, com cerca de 80 mil votos. Durante a campanha foi duramente atacado pelo então governador Jerônimo Santana (1987-1991), que o acusou de envolvimento com o narcotráfico colombiano do cartel de Medellín e de ter sido o mandante do assassinato, em 1983, do jornalista João Alencar.

Olavo Pires foi morto no dia 16 de outubro de 1990, durante a campanha do segundo turno, em circunstâncias não esclarecidas. Com isso, o terceiro colocado no primeiro turno, Osvaldo Piana, do Partido Trabalhista Renovador (PTR), conquistou o direito de disputar o segundo turno com Valdir Raupp, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), e venceu o pleito.

Ao longo das investigações realizadas pela Polícia Federal e dos depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pistolagem instituída na Câmara dos Deputados em 1993, vários políticos ficaram sob suspeita, entre eles os ex-deputados federais Jabes Rabelo e Nobel Moura, o ex-governador Jerônimo Santana, o vice-governador Assis Canuto e o governador de Rondônia Osvaldo Piana (1991-1995). Contudo, o caso não foi resolvido.

Olavo Pires era proprietário de uma revendedora de tratores — Vepesa Motor Auto —, três fazendas e uma madeireira. Criou a fundação que levava seu nome, em Rondônia.

Era casado com Marlene de Oliveira Pires, com quem teve cinco filhos. Um deles, Emerson Olavo Pires, foi deputado federal por Rondônia (1995-1999).

Marcelo Costa

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Correio Brasiliense (19/1/87); Estado de S. Paulo (16/10/92, 21/3, 25/9, 1 e 8/10/93); Folha de S. Paulo (22 e 29/10/90, 22, 25 e 29/9/93); Globo (26/4/84, 16/1/85, 25/10/90, 28/7 e 25/9/93 e 7/1/94); IstoÉ Senhor (25/12/91); Jornal do Brasil (18/10/90, 12/3, 29/7, 25, 27 e 30/9/93, 7/1 e 26/4/94 e 16/2/96); NICOLAU, J. Dados.

 

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