PEDRO FRANCISCO RODRIGUES LAGO

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Nome: LAGO, Pedro
Nome Completo: PEDRO FRANCISCO RODRIGUES LAGO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LAGO, PEDRO

LAGO, Pedro

*dep. fed. BA 1906-1922; sen. BA 1923-1930; dep. fed. BA 1935-1937.

 

Pedro Francisco Rodrigues do Lago nasceu em Santo Amaro (BA) no dia 16 de abril de 1870, filho do senhor de engenho e comerciante Francisco Rodrigues do Lago e de Guilhermina Ferreira de Araújo Lago.

Cursou o primário em sua cidade natal e o secundário no Colégio São José, em Salvador, ingressando em 1886 na Faculdade de Direito de Recife, pela qual se bacharelou em novembro de 1889.

De volta a Salvador, iniciou-se no jornalismo em 1890, ano em que também foi nomeado promotor público na comarca de Mata de São João (BA). Encerrou no ano seguinte suas atividades nessa comarca, passando em seguida a atuar como primeiro promotor na capital baiana, função que exerceu até 1893, quando se elegeu deputado estadual na Bahia na legenda do Partido Liberal.

Deixou a Assembléia baiana em 1895, por ocasião da crise política que se instalou no estado após a licença pedida pelo governador Joaquim Rodrigues de Lima. Por não reconhecer a legitimidade do substituto deste, o barão de Jeremoabo, político monarquista, Pedro Lago declarou-se chefe do governo e solicitou forças federais para garanti-lo no cargo, o que todavia não ocorreu. Passou então a exercer exclusivamente a advocacia até 1906, quando assumiu seu primeiro mandato na Câmara Federal na legenda do Partido Republicano Baiano. Reeleito para as legislaturas de 1909-1911 e de 1912-1914, participou das reuniões extraordinárias realizadas pela Câmara entre os meses de janeiro e fevereiro de 1915, sendo mais uma vez eleito para outras duas legislaturas — 1915-1917 e 1918-1920 —, durante as quais integrou a Comissão de Finanças daquela casa.

Militou na imprensa até 1920, tendo fundado na Bahia O Republicano, além de ter atuado como redator e diretor do Diário da Bahia e como colaborador em vários outros jornais do estado. Em 1921 iniciou novo mandato na Câmara Federal, concluindo-o em 1922, ano em que foi eleito senador pela Bahia na vaga aberta com o falecimento de Rui Barbosa. Membro da Comissão de Finanças do Senado, foi ainda relator do orçamento dos ministérios do Interior e Justiça e da Agricultura, além de ter emitido diversos pareceres sobre questões financeiras.

Estava cumprindo esse mandato quando, em março de 1930, com o apoio de todos os partidos políticos, foi eleito governador da Bahia em substituição a Vital Soares, que renunciou para concorrer à vice-presidência da República na chapa de Júlio Prestes, candidato de Washington Luís. Entretanto, teve o mandato interrompido pela Revolução de 1930, que inviabilizou também sua posse como governador da Bahia. Foi então denunciado junto ao Tribunal Especial, órgão criado pelos revolucionários para averiguar a atuação de membros do regime deposto, conforme foi anunciado pela imprensa em janeiro de 1931, tendo uma comissão de sindicância aprovado o processo que contra ele se instaurou. Exilado na Europa, permaneceu em Berlim até o fim desse último ano, quando regressou ao Brasil e passou a se dedicar exclusivamente à advocacia.

Com o retorno ao regime constitucional em julho de 1934, candidatou-se a deputado federal pela Bahia no pleito de outubro desse ano, sendo eleito na legenda do governador Otávio Mangabeira, que reunia a Liga de Ação Social e Política (LASP) e o Partido Republicano Democrático (PRD), em oposição ao interventor Juraci Magalhães. Foi o deputado mais votado em todo o estado tendo assumido o mandato em maio do ano seguinte. Participou da Minoria Parlamentar, bloco interpartidário também chamado Oposições Coligadas, formado na Câmara Federal em janeiro de 1935 e que congregava as bancadas dos vários partidos estaduais contrários ao governo do presidente Getúlio Vargas.

A prisão de quatro deputados e um senador, no início do ano seguinte, determinou uma série de reações entre os membros desse grupo. Tentando esvaziar o caso, o governo enviou mensagem e projeto de decreto solicitando a suspensão das restrições às imunidades parlamentares na sessão de abertura do Congresso, em 3 de maio de 1936. Pedro Lago tentou demonstrar a incongruência da medida, propondo que a Câmara se constituísse em comissão geral para ouvir os detidos. Essa proposta, porém, foi rejeitada. A Minoria Parlamentar desarticulou-se ao final desse ano, desaparecendo após a instalação do Estado Novo (1937-1945), quando foram suprimidos todos os partidos políticos e órgãos legislativos do país. Pedro Lago voltou então a dedicar-se à advogacia na Bahia, transferindo-se em 1941 para o Rio de Janeiro.

Com o início do processo de desagregação do Estado Novo, participou em abril da primeira reunião do diretório nacional da União Democrática Nacional (UDN), quando foram nomeadas as comissões para a elaboração do primeiro projeto do estatuto do partido. Na ocasião, foi escolhido membro da comissão de orientação política, mas ainda nesse ano recusou o convite para candidatar-se ao Senado na legenda da UDN.

Faleceu no dia 23 de março de 1958.

Era casado com Isabel de Lacerda Lago — filha do proprietário e diretor do Banco da Bahia, o comendador Joaquim Lacerda —, com quem teve dois filhos, um dos quais, Renato de Lacerda Lago, foi embaixador do Brasil na Bolívia de 1945 a 1947.

 

 

FONTES: ABRANCHES, J. Governos; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Anais (1958, v. 2); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação nominal; CARONE, E. República nova; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Diário do Congresso Nacional; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Ilustração Brasileira (1922); LIRA, A. Senado; MELO, A. Cartilha; NABUCO, C. Vida; SILVA, H. 1931; Tarde (16/4/70).

 

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