PINTO, FRANCISCO JOSE

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Nome: PINTO, Francisco José
Nome Completo: PINTO, FRANCISCO JOSE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PINTO, FRANCISCO JOSÉ

PINTO, Francisco José

*militar; ch. Gab. Mil. Pres. Rep. 1935-1942.

 

Francisco José Pinto nasceu em Santa Maria (RS) no dia 2 de março de 1883, filho de João José Pinto.

Fez os primeiros estudos no Ginásio Santa Maria. Em 1902 ingressou na Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo (RS), onde sentou praça. Em 1905, foi aluno no 25º Batalhão de Infantaria de Porto Alegre. No ano seguinte, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ingressando como aluno na Escola Militar do Brasil. Tornou-se aspirante em fevereiro de 1908 e segundo-tenente em dezembro do mesmo ano.

Em 1912 e 1913, esteve à disposição do prefeito do Distrito Federal. Promovido a primeiro-tenente em 1914, foi classificado em Alegrete (RS). Em 1915 voltou ao Rio, onde serviu no forte de Copacabana até 1916. No ano seguinte, passou a ajudante-de-ordens do inspetor da arma de artilharia. De 1918 a 1919 — ano em que foi promovido a capitão — serviu no 6º Regimento de Artilharia Montada. Durante os dois anos seguintes cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e de 1922 a 1923 comandou o 1º Grupo de Artilharia Pesada.

Foi assistente da 1ª Brigada de Artilharia de 1923 a 1926. Promovido a major em 1926, passou a servir no 2º Regimento de Artilharia Montada, permanecendo na função até 1927. Nesse mesmo ano deixou o Rio para servir em Campo Grande como chefe do estado-maior da Circunscrição Militar de Mato Grosso. Promovido a tenente-coronel em 1929, foi designado em 1930 fiscal e comandante da Escola de Engenharia Militar, no Rio, e alcançou em 1931 a patente de coronel.

Em 1933, ingressou como aluno na Escola do Estado-Maior do Exército e no ano seguinte, promovido a general-de-brigada, assumiu a chefia de gabinete do ministro da Guerra. No dia 20 de julho de 1935, foi nomeado chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, em substituição ao general Pantaleão Pessoa, acumulando, como atribuição do cargo, a chefia da secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional.

Em função do Levante Comunista ocorrido em novembro de 1935 no Rio, Recife, Olinda e Natal, participou de reunião com 24 generais no dia 3 de dezembro, a fim de estudar a situação política do país e discutir a suficiência das leis repressivas existentes para punir os revoltosos. À reunião, realizada na capital federal, compareceram o ministro da Guerra, João Gomes Ribeiro Filho, Pedro Aurélio de Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra. Como os demais, o chefe do Gabinete Militar deu total apoio ao ministro da Guerra para que acelerasse, junto aos poderes competentes, a punição aos revoltosos. Concluída a reunião, João Gomes encaminhou ao presidente da República o esboço de um projeto de lei decretando que os oficiais envolvidos no levante não só ficariam sujeitos às penalidades da lei como também seriam expulsos do Exército.

Em setembro de 1937, o general Pinto recebeu do general Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército, uma cópia do Plano Cohen, com a incumbência de levar o documento ao conhecimento de Getúlio Vargas. No dia 30 do mesmo mês, quando os jornais divulgaram parte do plano, atribuído à Internacional Comunista, ordenou a transmissão de noticiário sobre o assunto pelo programa radiofônico A hora do Brasil.

Muitos anos mais tarde, a nação tomou conhecimento de que se tratava de documento forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, oficial vinculado ao integralismo, que o elaborara a título de exercício. Habilmente utilizado pelo general Góis Monteiro para precipitar as alterações políticas que considerava necessárias ao país, o Plano Cohen possibilitou a exposição de motivos dos ministros militares. Com base nela, o titular da Justiça, José Carlos de Macedo Soares, solicitou ao Congresso que se reinstaurasse o estado de guerra por 90 dias.

Em 1º de novembro de 1937, o general Pinto assistiu da sacada do palácio do Catete, ao lado de Vargas, à parada com cerca de 50 mil pessoas organizada pelos integralistas para impressionar o chefe da nação e a alta hierarquia militar. Ladeando o presidente da República, estava também o fiador do integralismo junto ao Exército, general Newton Cavalcanti, comandante da Vila Militar, entre outras autoridades.

Toda essa conjuntura possibilitou o golpe de 10 de novembro, que instaurou o Estado Novo. Alijados do poder de que esperavam compartilhar, os integralistas prepararam em 1938 um levante no qual pretendiam tomar o palácio Guanabara, onde Vargas residia com a família, e aprisionar ministros e chefes militares.

No dia 10 de maio de 1938, o general Pinto ouviu boatos sobre o golpe e alertou o encarregado da vigilância do palácio Guanabara, finalmente atacado na madrugada do dia seguinte. Estava o chefe da Casa Militar no palácio do Catete, juntamente com o chefe de polícia do Distrito Federal, Filinto Müller, quando recebeu comunicado do presidente da República sobre o assalto e prometeu enviar reforços. Também o oficial de dia do palácio Guanabara, capitão-tenente Isac Cunha, pediu ajuda da Polícia Especial, pois havia poucas condições de defesa caso os integralistas avançassem mais.

O general Pinto fez, por telefone, sucessivas promessas de envio de reforços, mas quando o fez, muito mais tarde, já eram desnecessários: o ministro da Guerra, general Dutra, chegara com 12 homens e conseguira dominar os invasores, aprisionando alguns deles enquanto outros fugiam para os morros atrás do palácio.

Promovido a general-de-divisão em 1938, Francisco José Pinto assumiu, no ano seguinte, a chefia interina do Estado-Maior do Exército, sem contudo deixar a Casa Militar, onde permaneceria até sua morte, em 1942.

Em 1940 viajou em missão oficial a Portugal, como embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário.

Em 1941, assumiu a presidência da Comissão Nacional de Combustíveis e Lubrificantes.

Em sua carreira militar, foi também ajudante-de-ordens do Comando do 1º Distrito de Artilharia de Costa e chefe do estado-maior da 1ª Região Militar, além de tomar parte nos estudos preliminares para a organização do Ministério da Aeronáutica.

Faleceu no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1942.

Foi casado com Maria José Galliez Pinto.

Publicou as seguintes obras: Notas do curso de artilharia e O que deve a infantaria saber da artilharia.

Robert Pechman

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. MIN. EXÉRC.; CORRESP. GAB. MIL. PRES. REP.; Jornal do Brasil (23/5/77); LAGO, L. Generais; MIN. GUERRA. Almanaque; PEIXOTO, A. Getúlio; Personalidades; SILVA, H. 1937; SILVA, H. 1938; SOUSA, J. Verdade.

 

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