PIRES, MARIO ARI

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Nome: PIRES, Mário Ari
Nome Completo: PIRES, MARIO ARI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PIRES, MÁRIO ARI

PIRES, Mário Ari

*militar; min. STM 1946-1952.

 

Mário Ari Pires nasceu no vilarejo de Pontal da Barra (RS) no dia 8 de outubro de 1882, filho de João Pires da Silva e de Maria Cândida de Oliveira Pires.

De família pobre, realizou seus primeiros estudos com dificuldade, estando sujeito a freqüentes deslocamentos em função das atividades profissionais do pai. Quando ia prestar exame preparatório para a Escola Militar de Porto Alegre em 1898, sofreu um acidente que o fez perder a época dos exames. Em seguida empregou-se como caixeiro em uma firma comercial de Santa Maria (RS).

Em março de 1902 ingressou no corpo de cadetes da Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo (RS), tendo sido contemporâneo dos futuros presidentes da República Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) e Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). Concluindo o curso preparatório, transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde ingressou, em abril de 1904, na Escola Militar da Praia Vermelha.

Ainda no primeiro ano de escola, divergiu de seus colegas de turma que preparavam a revolta contra o governo do presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902-1906), conhecida como Revolta da Vacina. Este movimento irrompeu em novembro de 1904 na Escola Militar sob a inspiração de políticos de oposição e em protesto contra a vacinação obrigatória decretada pelo governo. No mesmo dia e com o mesmo objetivo, eclodiu no Rio uma rebelião popular, embora sem vinculação direta com o levante militar. Ambos os movimentos foram prontamente debelados pelo governo.

Apesar de não ter participado da rebelião e de ter sido por isso elogiado pelo presidente, foi desligado da Escola Militar e transferido ainda naquele mês para o 12º Batalhão de Infantaria sediado em Lorena (SP), onde participou da construção do ramal ferroviário de Lorena a Piquete (SP).

Tendo servido no 7º e 23º batalhões de Infantaria em 1905, após a anistia decretada pelo governo federal prestou exame nas matérias que cursava em 1904 e ficou esperando matrícula para uma das novas escolas criadas pela reforma do ensino militar. Em fevereiro de 1906 ingressou na Escola de Guerra criada em Porto Alegre, onde terminou seu curso preparatório como um dos primeiros colocados, saindo aspirante-a-oficial em fevereiro de 1908. Em seguida matriculou-se na Escola de Artilharia e Engenharia do Realengo, no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso em março de 1909, sendo nomeado alferes-aluno. Em junho deste último ano foi promovido a segundo-tenente da arma de infantaria e passou a servir no 9º Batalhão. Em abril de 1910 matriculou-se no curso especial de engenharia e engenharia militar, concluindo-o em março de 1912. Bacharelou-se também em ciências físicas e matemáticas. Ainda em abril de 1912 foi servir no 1º Regimento de Infantaria (1º RI), na Vila Militar do Rio de Janeiro, sendo incluído no 3º Batalhão agregado à 3ª Companhia, onde ficou até ser transferido para a arma de engenharia em junho do mesmo ano. Permaneceu na Vila Militar, servindo no 1º Batalhão de Engenharia, onde exerceu diversas funções administrativas.

Promovido a primeiro-tenente em novembro de 1916, em novembro do ano seguinte foi designado para a Companhia Ferroviária. Permaneceu, contudo, adido ao quartel-general da 5ª Região Militar (5ª RM), sediada em Curitiba, aguardando a organização daquela companhia, efetivada em maio de 1918. Em dezembro deste último ano foi nomeado interinamente auxiliar do instrutor de engenharia da Escola Militar e em abril de 1920, após prestar concurso no Estado-Maior do Exército (EME), foi efetivado no cargo. Matriculou-se em fevereiro de 1921 na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), tendo sido promovido a capitão em junho do mesmo ano.

Concluindo o curso na EsAO em dezembro ainda de 1921, foi colocado à disposição da 3ª RM, com sede em Porto Alegre, e incumbido, como chefe do Centro de Infantaria de Transmissões em São Gabriel (RS), de instruir o pessoal que participou das manobras realizadas no Sul do país no início de 1922. Nomeado em março desse ano chefe do serviço telegráfico da Divisão de Infantaria, em maio seguinte tornou-se comandante da 1ª Companhia Ferroviária Independente em Deodoro, no Rio de Janeiro. Em julho, recebeu agradecimentos do presidente da República Artur Bernardes (1922-1926) por sua participação ao lado das forças legalistas no combate à Revolta de 5 de Julho de 1922, movimento que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920, irrompido em Mato Grosso e no Rio de Janeiro.

Em abril de 1923 foi nomeado encarregado da divisão técnica do serviço ferroviário do campo de instrução de Gericinó, no Rio de Janeiro. Em fevereiro do ano seguinte, exercendo as funções de adjunto da Comissão Reguladora de Santos (SP), integrou em São Paulo as forças legalistas de repressão à revolta conhecida como Segundo 5 de Julho, irrompida concomitantemente em Sergipe e no Amazonas, onde foi rapidamente debelada. Em São Paulo, contudo, os rebeldes comandados por Isidoro Dias Lopes ocuparam a capital por três semanas.

Em fevereiro de 1925 foi nomeado interinamente para a Comissão de Regimento Interno e Serviços Gerais. No mês seguinte passou a integrar o estado-maior do general Nestor Sezefredo dos Passos nos estados do Paraná e Santa Catarina, onde os rebeldes de São Paulo se juntaram ao contingente revolucionário que em outubro de 1924 sublevara unidades militares no Rio Grande do Sul, constituindo a partir de então a Coluna Prestes.

Chefe do Serviço de Engenharia do 2º Grupo de Destacamentos, foi promovido a major em junho de 1925. Em outubro seguinte passou a servir no 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Jaguarão (RS), e em novembro de 1926 foi nomeado oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, o general-de-divisão Nestor Sezefredo dos Passos (1926-1930). Foi promovido a tenente-coronel em agosto de 1929. Após a Revolução de Outubro de 1930 passou a servir em dezembro do mesmo ano no 5º Batalhão de Engenharia, com sede em Curitiba, tendo ocupado interinamente por duas vezes o comando deste batalhão em 1931. De dezembro desse ano a junho de 1932 participou da Comissão Executiva da Nova Escola Militar, que escolheu em Resende (RJ) o terreno para a construção da escola. Em seguida passou a exercer diversas chefias em seções do Estado-Maior do Exército (EME). Em abril de 1934 foi nomeado chefe de gabinete da secretaria geral do Conselho de Segurança Nacional, vindo a chefiar diversas vezes essa secretaria entre 1934 e 1939. Promovido a coronel em maio de 1934, de julho a dezembro do ano seguinte foi chefe de gabinete do EME. Foi designado membro da comissão que organizou o projeto de estatuto dos militares em janeiro de 1938.

Promovido a general-de-brigada em maio de 1939, exerceu a partir de dezembro desse ano o comando da 5ª RM e da Infantaria Divisionária da 5ª Divisão de Infantaria (5ª DI), com sede em Curitiba. Em março de 1941 foi nomeado primeiro subchefe do EME. Nesse ano participou dos trabalhos de reconhecimento e de defesa do Nordeste, pela importância estratégica da região na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e presidiu a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para a defesa do hemisfério ocidental. De fevereiro a junho e em setembro de 1944 respondeu interinamente pela chefia do EME. Ainda neste último mês, foi promovido a general-de-divisão.

Exerceu novamente o comando da 5ª RM e da 5ª DI de julho a dezembro de 1945, quando foi nomeado ministro do Superior — então Supremo — Tribunal Militar (STM) por José Linhares, que exercia interinamente a presidência da República após a deposição de Getúlio Vargas (25/10/1945) e o conseqüente fim do Estado Novo (1937-1945). Ainda em 1945 respondeu pela defesa dos litorais do Paraná e Santa Catarina. Tomou posse no STM em janeiro de 1946 e em abril de 1950 foi eleito vice-presidente do órgão. Promovido a general-de-exército a partir de setembro deste último ano, em junho de 1952 tornou-se presidente do STM. Deixou o tribunal ao aposentar-se em outubro de 1952 e em dezembro seguinte foi reformado, recebendo a patente de marechal. Em 1960 presidiu a terceira turma do Conselho Superior da Previdência Social.

Faleceu no dia 15 de abril de 1969.

Foi casado com Nermesília Dantas Barbosa Santos.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BARBOSA, R. História; Grande encic. Delta; LAGO, L. Generais; MACEDO, R. Efemérides; MIN. GUERRA. Almanaque (1952).

 

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