RAUL FRANCISCO RYFF

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Nome: RYFF, Raul
Nome Completo: RAUL FRANCISCO RYFF

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RYFF, RAUL

RYFF, Raul

*jornalista.

 

Raul Francisco Ryff nasceu em Berna, capital da Suíça, no dia 8 de agosto de 1911, filho do engenheiro suíço Jean Rodolphe Ryff — naturalizado brasileiro, sob o nome de João Rodolfo Ryff — e da brasileira Sofia Prates da Cunha Ryff, tendo sido imediatamente registrado no consulado brasileiro.

Aos oito meses de idade, veio para o Brasil com a sua família, indo residir em Pelotas (RS), cidade natal de sua mãe. Iniciou seus estudos no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Quando se transferiu do colégio jesuíta para o Ginásio Cruzeiro do Sul, na mesma cidade, teve seu primeiro contato com a imprensa, trabalhando no serviço de expedição do jornal escolar O Pindorama, dirigido pelo então colegial e, posteriormente, renomado escritor Érico Veríssimo. Abandonando o serviço de expedição, escreveu suas primeiras linhas, embora, na ocasião, sua intenção fosse tornar-se físico. Mais tarde, ainda em Porto Alegre, foi aluno do Colégio Estadual Júlio de Castilhos.

Iniciou sua trajetória político-partidária, no início de 1935, como um dos fundadores do núcleo gaúcho da Aliança Nacional Libertadora (ANL), juntamente com Dionélio Machado, Aparício Cora de Almeida, Agildo Barata e João Antônio Mesplé. A ANL era uma frente política oposicionista, dotada de um programa nacionalista e antifascista. Ryff exerceu a função de segundo secretário da ANL em Porto Alegre, cabendo a presidência a Dionélio Machado e a vice-presidência a Agildo Barata. Fechada pelo governo de Getúlio Vargas em julho de 1935, a organização passou a atuar clandestinamente.

Em fins de 1935, Ryff transferiu-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde trabalhou na função de fiscal na Polícia Municipal do prefeito Pedro Ernesto, até ser preso, em janeiro de 1936, sob a acusação de envolvimento na insurreição armada de novembro de 1935, organizada pelo Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em nome da ANL. Sua intenção era reiniciar os estudos interrompidos, o que lhe foi impossível devido à sua militância na ANL. Permaneceu detido por 40 dias na Polícia Central. No inquérito realizado pela polícia do Distrito Federal, foram apresentados, como provas contra ele, impressos e cartas relativos à participação do PCB e da ANL na preparação do levante, inclusive uma bandeira vermelha impressa com os dizeres “Viva Luís Carlos Prestes”, apreendidos na casa de seu cunhado, o então major Augusto Frederico de Araújo Correia Lima. No depoimento prestado às autoridades, Ryff negou que tivesse exercido qualquer atividade subversiva na capital gaúcha.

Ainda em 1936, foi deportado para o Rio Grande do Sul, onde foi preso novamente em Porto Alegre, por ordem de Filinto Müller, chefe da polícia do Distrito Federal. Libertado em seguida a mando do governador gaúcho José Antônio Flores da Cunha, que tinha pontos de atrito com o governo central, acabou refugiando-se na clandestinidade, sobrevivendo à custa de uma pequena verba a ele concedida pelo PCB. Em maio de 1937, exilou-se no Uruguai onde, uma semana depois, aguardaria no aeroporto a chegada de Flores da Cunha, que também exilava-se. Em 28 de julho desse mesmo ano, julgado à revelia pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN) no processo sobre o movimento insurrecional de 1935, foi absolvido.

Com a decretação do Estado Novo, em novembro de 1937, que fechou o Congresso e aboliu os partidos políticos, Ryff permaneceu no exílio, retornando ao Rio Grande do Sul somente em agosto de 1938.

Em outubro de 1939, foi trabalhar como redator substituto no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, ao qual ficaria ligado até março de 1964. Nesse mesmo ano, lecionou matemática na Escola Técnico-Rural de Viamão (RS) e ingressou no curso de física da Faculdade de Filosofia da atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), interrompendo-o ao término do primeiro ano.

Atuou como delegado do Rio Grande do Sul no I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em janeiro de 1945 em São Paulo, sob os auspícios da Associação Brasileira de Escritores, que se constituiu em importante marco na luta pelo restabelecimento da liberdades políticas e pelo fim do Estado Novo. Foi também membro do PCB durante o curto período de legalidade desse partido, entre 1945 e 1947.

Em 1951, retornou ao Rio de Janeiro para trabalhar na sucursal do Correio do Povo, ligando-se ao grupo que apoiava o presidente Getúlio Vargas, que voltara ao poder em janeiro de 1951. Encarregado de fazer a cobertura do Ministério do Trabalho, Ryff conheceu João Goulart, o Jango, responsável pela pasta a partir de junho de 1953, de quem se tornou amigo pessoal. Ryff passou a assessorar Jango na área de imprensa, acompanhando-o em suas campanhas eleitorais à vice-presidência da República.

Em 1955, com a eleição de Juscelino Kubitschek a presidente e de João Goulart a vice-presidente, Ryff foi nomeado tesoureiro do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (IAPETEC), mas não chegou a assumir o cargo por ter sido colocado à disposição da vice-presidência da República, que não possuía quadro próprio de funcionários. Tornou-se, assim, assessor de Jango, sem, entretanto, ocupar nenhum cargo oficial. Em 1960, com a reeleição de Goulart para a vice-presidência, continuou como seu assessor durante o breve governo de Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961).

Por ocasião da renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, Ryff se encontrava na República Popular da China como integrante da missão comercial brasileira chefiada por Goulart. Com a posse deste na presidência da República, em setembro seguinte, sob regime parlamentarista — fórmula encontrada pelo Congresso para contornar o veto dos ministros militares à posse do vice-presidente Goulart —, tornou-se secretário de Imprensa do novo governo. No exercício desse cargo, comprometido com a implementação das reformas de base, teve que enfrentar uma sistemática campanha dos órgãos de imprensa contrários ao governo. Sem dispor de meios de propaganda próprios, a Secretaria de Imprensa defrontou-se com entidades como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPÊS), que dispunham de amplos recursos financeiros e foram criados especialmente para tentar influir nas eleições e na opinião pública, divulgando teses contrárias ao governo.

Quando eclodiu o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que derrubou o governo Goulart, Ryff permaneceu no Rio de Janeiro para tentar ajudar o general Argemiro de Assis Brasil, chefe do Gabinete Militar, a controlar a situação.

Dias depois, sentindo que sua permanência no Brasil estava se tornando muito arriscada, Ryff decidiu esconder-se, ainda no Rio de Janeiro, num apartamento vazio de um amigo. Na mesma semana, dando-se conta de que havia sido localizado e estava sendo vigiado e ciente de que vários opositores do novo regime já haviam pedido asilo em diversas embaixadas, Ryff recorreu a um diplomata, parente de sua esposa, e seguiu em carro diplomático para um sítio no litoral fluminense. Teve seus direitos políticos cassados e foi afastado do quadro de funcionários do IAPETEC, com base no Ato Institucional nº 1, baixado em 9 de abril de 1964. Em seguida, decidiu partir para Brasília, onde, no final daquele mês, pediu asilo à embaixada da Iugoslávia, país para o qual embarcou em junho, lá permanecendo até setembro. A seguir, foi para a França, onde recebeu do governo uma bolsa de estudos da Organisation de la Radio et Télévision Française e trabalhou, alguns meses, como correspondente da revista Mundo Econômico, pertencente à Cooperativa Cotia de São Paulo.

Regressou ao Brasil em 1968, tendo sido contratado pelo Jornal do Brasil como redator. Filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, foi beneficiado pela Lei da Anistia, promulgada em agosto de 1979, e reintegrado aos quadros do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que, em 1965, absorvera o IAPETEC e os demais institutos anteriormente existentes.

Em 1983, aposentou-se pelo Jornal do Brasil, onde trabalhou no departamento de pesquisa e na editoria internacional. Nesse mesmo ano, tornou-se secretário extraordinário da Prefeitura do Rio de Janeiro, na administração de Marcelo Alencar, do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1984, filiou-se a esse partido. Com a eleição de Roberto Saturnino Braga à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PDT, Ryff permaneceu no cargo até julho de 1987, quando pediu demissão em função do desligamento de Saturnino do partido.

Ryff faleceu no Rio de Janeiro em 27 de julho de 1989.

Era casado com Beatriz Bandeira Ryff, poetisa e militante comunista, detida sob o Estado Novo, tendo sido uma das primeiras mulheres do país a ser considerada presa política. Com ela teve três filhos, entre os quais o economista Tito Bruno Bandeira Ryff. Filiado ao PDT desde 1984, Tito Ryff foi secretário municipal de Planejamento do Rio de Janeiro (1986-1987), vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (1989-1990) e deputado estadual (1991). No segundo governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, foi secretário de Agricultura, Abastecimento e Pesca (1991-1993), secretário extraordinário do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (1993) e secretário de Obras e Serviços Públicos (1993-1994). Em janeiro de 1999, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, no governo de Anthony Garotinho (PDT).

Raul Ryff publicou O fazendeiro Jango no governo (1979).

Eneida Santos Correia Lima

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CARNEIRO, G. História; CONG. BRAS. ESCRITORES. I; ENTREV. BIOG.; INF. Beatriz Bandeira Ryff e Tito Ryff; Jornal do Brasil (7/4/74); PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1937; SILVA, H. 1964; VÍTOR, M. Cinco.

 

 

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