REINALDO JOAQUIM RIBEIRO DE CARVALHO FILHO

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Nome: CARVALHO, Reinaldo
Nome Completo: REINALDO JOAQUIM RIBEIRO DE CARVALHO FILHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARVALHO, REINALDO

CARVALHO, Reinaldo

*militar; comte. II ZA 1953-1955; comte. III ZA 1957-1958; ch. Emaer 1958-1961; min. Aer. 1962-1963.

 

Reinaldo Joaquim Ribeiro de Carvalho Filho nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 3 de fevereiro de 1903, filho de Reinaldo Joaquim Ribeiro de Carvalho e de Mariana da Silva Carvalho. Seu avô paterno, Miguel Joaquim Ribeiro de Carvalho, foi senador pelo Rio de Janeiro de 1915 a 1930 e nome de grande prestígio na política fluminense durante a República Velha.

Ingressou na Escola Naval em janeiro de 1919, sendo declarado guarda-marinha em janeiro de 1922. Promovido nesse ano a segundo-tenente e, dois anos depois, a primeiro-tenente, chegou a capitão-tenente em julho de 1928, concluindo o curso de oficial-aviador naval em novembro de 1931. A partir de então integrou o quadro de aviador da Marinha, criado no mês anterior, sendo promovido a capitão-de-corveta em julho de 1933. Em 1935 fez o curso de estado-maior da Escola de Guerra Naval e, em abril do ano seguinte, assumiu o comando do Centro de Aviação Naval de Santa Catarina, sediado em Florianópolis, onde permaneceu até junho de 1937.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1939 foi designado comandante do Correio Aéreo Naval. Com a criação do Ministério da Aeronáutica em janeiro de 1941, o Correio Aéreo Naval fundiu-se com o seu congênere do Exército, o Correio Aéreo Militar, dando origem ao Correio Aéreo Nacional (CAN), órgão que ficou subordinado à Diretoria de Rotas Aéreas do novo ministério. Ainda em dezembro de 1941, Reinaldo Carvalho foi promovido a tenente-coronel-aviador. Em janeiro de 1942, quando o coronel-aviador Eduardo Gomes foi nomeado diretor das Rotas Aéreas, passou a ocupar o cargo de subdiretor. No entanto, como desde dezembro de 1941 Eduardo Gomes respondia também pelo comando das I e II zonas aéreas (ZA), sediadas em Belém e em Recife, passou na prática a responder pela Diretoria de Rotas.

Em outubro de 1943 partiu para a Inglaterra como integrante de um grupo de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) chefiado pelo coronel Fábio de Sã Earp, cuja missão era observar a atuação da Royal Air Force (RAF) em operações de guerra. Depois de cinco semanas na RAF, no início de dezembro os aviadores brasileiros começaram um estágio junto ao Comando de Bombardeiro da 8º Força Aérea norte-americana, cujo quartel-general ficava na Inglaterra. Ao fim desse treinamento, o grupo da FAB passou a participar das manobras de patrulhamento efetuadas pelos Aliados, cabendo a Reinaldo Carvalho a patrulha da costa da Espanha. Em março de 1944, o grupo retornou ao Brasil.

Coronel-aviador em maio de 1944, viajou no mês seguinte para os EUA, onde cursou o Command and General Staff College, em Fort Leavenworth, no Kansas, regressando ao Brasil no fim desse mesmo ano.

Terminado o conflito mundial, em setembro de 1946, já na presidência do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), foi designado adido aeronáutico junto à embaixada brasileira em Santiago do Chile, função que exerceu até outubro de 1948. De volta ao Brasil, em fevereiro do ano seguinte recebeu o comando da Base Aérea de Santa Cruz, uma das mais importantes do país, sediada no Rio de Janeiro, exercendo-o até fevereiro de 1950. Promovido a brigadeiro em setembro seguinte, em dezembro passou a comandar a Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica  no Rio de Janeiro. Desligado da Escola em fevereiro de 1953, ainda nesse mês seguiu para Recife, onde permaneceu até fevereiro de 1955, na qualidade de comandante da II ZA. Novamente no Rio de Janeiro, matriculou-se na Escola Superior de Guerra (ESG).

Apoiou o movimento do 11 de Novembro, que, liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, resultou no afastamento de Carlos Luz, presidente da República interino, acusado de envolvimento numa conspiração que visava impedir a posse de Juscelino Kubitschek, eleito para a presidência da República em outubro de 1955. Reinaldo Carvalho era amigo pessoal do senador Nereu Ramos que exerceu a presidência da República até a posse de Kubitschek em janeiro do ano seguinte, datando o conhecimento de ambos da época em que Reinaldo servia em Florianópolis e Nereu governava Santa Catarina. A partir do movimento do 11 de Novembro, Reinaldo alinhou-se com o chamado setor nacionalista das forças armadas, que constituiria a base de apoio militar ao governo Kubitschek.

Em março de 1956 assumiu o comando da Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, substituindo o brigadeiro Henrique Fleiuss que, por sua vez, passara a ministro da Aeronáutica no lugar do brigadeiro Vasco Alves Seco. Promovido a major-brigadeiro em agosto de 1957, nesse mesmo mês foi empossado no comando da III ZA, sediada no Rio de Janeiro, em substituição ao major-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. Em junho de 1958 deixou a III ZA, entrando em seu lugar o major-brigadeiro Inácio de Loiola Daher. Nesse mesmo mês, alcançou o segundo posto hierárquico da Aeronáutica, logo abaixo do próprio ministro, o de chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer) — em substituição ao major-brigadeiro Armando de Sousa e Melo Araribóia. Ocupou essa chefia até o final do mandato presidencial de Kubitschek, e em 3 de fevereiro de 1961, três dias após a posse do novo presidente Jânio Quadros, deixou o cargo, sendo substituído pelo major-brigadeiro Ismar Pfaltzgraff Brasil.

Durante o curto governo de Jânio (de janeiro a agosto de 1961), Reinaldo Carvalho esteve afastado de qualquer função relevante, uma vez que, nesse período — durante o qual o Ministério da Aeronáutica foi ocupado pelo major-brigadeiro Gabriel Grün Moss —, os militares nacionalistas foram alijados do centro de decisões. A situação se inverteu após a renúncia de Quadros (25/8/1961) e a posse de João Goulart (7/9/1961). Nesse governo, Reinaldo de Carvalho foi titular da pasta da Aeronáutica entre julho de 1962 — quando substituiu o brigadeiro Clóvis Travassos — e junho do ano seguinte. De início, ainda durante o período parlamentarista, participou dos gabinetes presididos por Francisco de Paula Brochado da Rocha (julho a setembro de 1962) e Hermes Lima (setembro de 1962 a janeiro de 1963). Depois, em 23 de janeiro de 1963, quando Goulart formou seu primeiro ministério presidencialista, foi mantido no cargo. Contudo, em junho de 1963, o presidente promoveu ampla reforma em seu ministério, substituindo todos os titulares e nomeando para a pasta da Aeronáutica o brigadeiro Anísio Botelho.

Após deixar o ministério, já no posto de tenente-brigadeiro, Reinaldo Carvalho voltou à Diretoria de Rotas Aéreas, dirigindo esse órgão até a eclosão do movimento político-militar de março de 1964, que derrubou o presidente Goulart. Afastado do cargo, pediu transferência para a reserva, sendo na ocasião promovido a marechal-do-ar.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de março de 1973.

Era casado com Lurdes Ribeiro de Carvalho.

 

 

FONTES: CORRESP. II COMDO. AÉREO REGIONAL; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (10/3/73); Jornal do Comércio, Rio (25/1/63); MIN. AER. Almanaque; SILVA, H.1944; VÍTOR, M. Cinco.

 

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