STEINBRUCH, AARAO

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Nome: STEINBRUCH, Aarão
Nome Completo: STEINBRUCH, AARAO

Tipo: BIOGRAFICO


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STEINBRUCH, AARÃO

STEINBRUCH, Aarão

*dep. fed. RJ 1953 e 1955-1963; sen. RJ 1963-1969.

 

Aarão Steinbruch nasceu em Santa Maria (RS) em 17 de setembro de 1917, filho de Pinheiro Steinbruch e de Paulina Steinbruch. Seus pais eram imigrantes russos que chegaram a Santa Maria em 1904, com um grupo de judeus formado por 40 famílias.

Cursou o Ginásio Lemos Júnior, em Rio Grande (RS), e o Colégio Fontoura Ilha, em sua cidade natal. Bacharel pela Faculdade de Direito de Porto Alegre em 1940, especializou-se em direito trabalhista.

Exerceu em seguida atividades na imprensa, tendo sido colaborador dos jornais Última Hora, no Rio de Janeiro, e Jornal do Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Diretor da Revista do Trabalho, pertenceu à direção da revista Justiça do Trabalho.

Como advogado, foi consultor jurídico da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e das federações nacionais dos Trabalhadores em Empresas de Carris Urbanos, além de haver prestado assistência jurídica a vários sindicatos trabalhistas.

Em outubro de 1950 elegeu-se primeiro suplente de deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), tendo ocupado uma cadeira na Câmara em junho de 1953, por ocasião da ausência do deputado Abelardo Mata. Em outubro de 1954 elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro na mesma legenda, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Ainda em 1955 ocupou o cargo de tesoureiro-geral da Liga de Emancipação Nacional (LEN). Fundada no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em abril de 1954, a LEN era uma sociedade civil organizada para defender as liberdades democráticas e lutar pelo desenvolvimento econômico independente do país. Em junho de 1956 foi fechada pelo presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), acusada de infiltração comunista.

Durante essa legislatura foi vice-líder do PTB a partir de maio de 1957 e da minoria a partir de julho do mesmo ano, desempenhando idêntica função junto ao bloco parlamentar da oposição a partir de outubro seguinte. Reeleito em outubro de 1958, dessa vez na legenda da Aliança Popular Nacionalista — formada pelo PTB, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Republicano (PR) —, foi o deputado mais votado do Rio de Janeiro. Empossado em fevereiro do ano seguinte, foi o autor do projeto de lei que instituiu o 13º salário em 1961 e da lei da aposentadoria por tempo de serviço.

Em outubro de 1962 elegeu-se senador pelo Rio de Janeiro na legenda da coligação formada pela União Democrática Nacional (UDN), o Partido Social Progressista (PSP), o PR e o Movimento Trabalhista Renovador (MTR), partido fundado em 1960 por Fernando Ferrari a partir de uma dissidência do PTB. Deixando a Câmara dos Deputados em janeiro de 1963, assumiu em fevereiro seguinte seu mandato no Senado. Como único representante do MTR na casa, tornou-se líder do partido entre 1963 e 1964, atuando também como vice-líder do bloco parlamentar independente a partir de junho deste último ano e em 1965.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, uniu-se ao grupo que iria fundar o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Em outubro de 1965 foi indiciado no chamado inquérito policial-militar (IPM) do Partido Comunista Brasileiro (PCB), instaurado a partir de denúncias contra parlamentares oposicionistas acusados de haverem recebido apoio eleitoral dos comunistas, o que lhe custou a cassação do mandato e a suspensão dos direitos políticos por dez anos em 16 de janeiro de 1969, com base no Ato Institucional nº 5 (13/12/1968).

Encerrado o prazo de vigência da punição, Steinbruch retornou ao MDB, filiando-se à corrente trabalhista do partido. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, associou-se em julho do ano seguinte ao novo PTB, liderado por Ivete Vargas. Na ocasião de seu ingresso nessa agremiação partidária, formalizou o lançamento de sua candidatura ao governo do estado do Rio de Janeiro, tendo em vista as eleições diretas de novembro de 1982.

Todavia, em 1981 anunciou seu desligamento do PTB em protesto, conforme noticiou o Jornal do Brasil, “contra a pulverização do trabalhismo”, aludindo à adesão de trabalhistas ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado pelo ex-governador gaúcho Leonel Brizola. Ainda segundo o jornal, o ex-senador pretendia com seu gesto forçar as cúpulas partidárias ao reexame de suas posições. Em declaração à imprensa, Steinbruch afirmou que, a partir daquele momento, passaria a pressionar, com o apoio de suas bases, os dirigentes do PTB e do PDT em favor da fusão dos dois partidos.

Após uma breve passagem pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) — sucessor do MDB —, reingressou no PTB em maio de 1982, alegando não ter encontrado naquele partido uma “ideologia autêntica e definida”. Tendo desistido de disputar a eleição para o Senado no pleito de novembro do mesmo ano, lançou-se candidato à Câmara dos Deputados, não conseguindo porém eleger-se.

Em 1985, fundou, a partir de uma dissidência do PTB, o Partido Agrário Socialista Renovador Trabalhista (Pasart), pelo qual candidatou-se a prefeito do Rio de Janeiro em novembro desse mesmo ano, no pleito vencido pelo candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Saturnino Braga. Em novembro do ano seguinte, disputou o cargo de governador do estado pela legenda do Pasart, sendo a eleição decidida em favor do candidato Moreira Franco, do PMDB.

Em novembro de 1988, elegeu-se vereador no Rio de Janeiro pelo Pasart. Assumindo sua cadeira em janeiro seguinte, foi o autor da lei municipal que obrigou as empresas estabelecidas na cidade a fornecer café da manhã a todos os seus empregados. Reeleito em 3 de outubro de 1992, desta feita na legenda do Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), não chegaria, contudo, a assumir o mandato. Vítima de uma hemorragia, faleceu numa clínica carioca, no dia 13 seguinte.

Era casado com Júlia Vaena Steinbruch, que foi deputada federal pelo Rio de Janeiro de 1967 a 1969, com quem teve três filhos.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação dos líderes; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores deputados; CISNEIROS, A. Parlamentares; Globo (1/7/82 e 14/10/92); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (14/10/66, 16/1/79; 27/5 e 29/7/81, 28/5/82 e 14/10/92); LIGA DE EMANCIPAÇÃO NAC.; NICOLAU, J. Dados; SENADO. Relação; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (2, 3, 4 e 6).

 

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