TORRES, JOSE GARRIDO

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Nome: TORRES, José Garrido
Nome Completo: TORRES, JOSE GARRIDO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TORRES, JOSÉ GARRIDO

TORRES, José Garrido

*superint. Sumoc 1958; pres. BNDE 1964-1967.

 

José Garrido Torres nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 13 de janeiro de 1915, filho de José Garrido Torres e Olga Coelho Torres.

Ainda estudante da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Nova Iorque, tornou-se assessor técnico da delegação brasileira à Conferência Internacional de Negócios, realizada em Rye, Nova Iorque, em 1944. Bacharel em ciências econômicas em 1945, obteve no ano seguinte a pós-graduação em economia na mesma universidade, sendo novamente assessor técnico da delegação brasileira à primeira sessão preparatória da Conferência de Comércio e Emprego da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Londres em 1946. Nesse mesmo ano foi ainda delegado suplente do Brasil no comitê de redação da Conferência de Comércio e Emprego, em Lake Sucess, Nova Iorque. Chefe do Escritório de Expansão Comercial do Brasil nessa cidade e adido comercial na embaixada brasileira em Washington de 1947 a 1952, representou o Brasil na segunda sessão preparatória da Conferência de Comércio e Emprego da ONU, realizada em Genebra, Suíça, em 1947. Voltou a representar o Brasil na Conferência Plena de Comércio e Emprego da ONU, realizada em Havana, Cuba, no ano seguinte, sendo eleito presidente da subcomissão de investimentos e vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico.

Assistente técnico da Carteira de Exportação e Importação (Cexim) do Banco do Brasil, foi delegado substituto do Brasil à Comissão de Economia e Emprego do Conselho Econômico e Social da ONU, em reunião realizada em 1948 em Lake Sucess. Ainda nesse ano representou o Brasil na Conferência do Conselho Interamericano de Comércio e Produção (Cicyp), realizada em Chicago. Em 1951 participou, como assessor técnico, da delegação brasileira à IV Reunião de Consulta dos Chanceleres Americanos e foi também conselheiro na IV Conferência do Conselho de Ministros Exteriores Interamericanos, realizadas em Washington. Assessor técnico da delegação do Brasil à IV Reunião Plenária do Cicyp, realizada em Lima, Peru, em 1952, e à V Reunião da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) da ONU, realizada em Petrópolis (RJ) em 1953, foi ainda neste último ano conselheiro do quinto período de sessões da Cepal, no Rio de Janeiro.

Membro do Conselho Nacional de Economia (CNE) a partir de 1954, nesse mesmo ano foi consultor da delegação brasileira à Conferência de Ministros da Economia e Fazenda das Repúblicas Americanas, realizada em Petrópolis. Em 1955 diplomou-se pela Escola Superior de Guerra (ESG) e no ano seguinte tornou-se dirigente da sessão II (reforma cambial) do Fórum Econômico de Belo Horizonte. Ainda em 1956 foi delegado à primeira sessão da Comissão de Comércio da CEPAL, realizada em Santiago do Chile, onde presidiu o grupo de trabalho sobre o tema “Mercado comum e comércio de produtos tradicionais”. Nesse mesmo ano tornou-se consultor ad hoc da CEPAL para o estudo dos problemas de comércio e pagamento entre os países da América do Sul, como preparação para a primeira reunião do Comitê do Comércio Interamericano, realizada em Santiago do Chile.

Nomeado pelo presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), exerceu o cargo de presidente do CNE de 1957 a 1958. Foi delegado substituto do Brasil no sétimo período de sessões da CEPAL, realizado em La Paz, Bolívia, em maio de 1957, ocasião em que presidiu o grupo de trabalho do Comitê I. Foi também, de agosto a setembro desse mesmo ano, delegado suplente à Conferência Econômica Interamericana da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada em Buenos Aires. À frente do CNE presidiu a comissão especial criada por esse órgão para estudar os problemas das exportações brasileiras e coordenou a exposição anual do CNE em 1957. Governador suplente do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1958 a 1959, participou em 1958 da reunião dos bancos internacionais com essa instituição financeira, realizada em Nova Délli, na Índia. Nesse mesmo ano foi membro do grupo de peritos que se reuniu em Santiago do Chile, convocados pela CEPAL para estudar a criação de um mercado comum regional latino-americano, que daria origem, posteriormente, à Associação Latino Americana de Livre Comércio (ALALC). Ainda em 1958 chefiou a delegação brasileira à segunda reunião do grupo de trabalho de bancos centrais da CEPAL, realizada no Rio de Janeiro, e à quarta reunião operativa do Centro de Estudos Monetários Latino-Americano, na mesma cidade, tendo em ambas as ocasiões assumido a presidência da mesa. Além disso, em abril, representou também o Brasil na 37ª reunião da Comissão do Mercado Comum do Cicyp, realizada em São Paulo. Três meses depois foi nomeado para o lugar de José Joaquim Cardoso de Melo Neto à frente da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), antecessora do Banco Central, exercendo o cargo até agosto do ano seguinte, quando foi substituído por Marcos de Sousa Dantas.

Em maio de 1959 foi subchefe da delegação brasileira ao segundo período de sessões do Comitê de Comércio e ao sétimo período de sessões da CEPAL, realizado no Panamá. Nesse mesmo ano participou novamente do grupo de peritos que estudavam a criação do mercado comum latino-americano.

Integrou, juntamente com o ministro da Fazenda Lucas Lopes (1958-1959), o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), Roberto Campos, e outros diretores de órgãos governamentais, a Consultoria Técnica (Consultec), empresa encarregada de elaborar projetos de investimentos que seus próprios participantes depois aprovariam. A Consultec apoiou e insistiu no plano de estabilização monetária proposto por Lucas Lopes e combatido pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), agremiação que apoiava o presidente Kubitschek.

Consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 1960, chefiou em setembro desse ano a 39ª sessão da comissão executiva do Cicyp, realizada no México. Em abril do ano seguinte representou o Brasil na nona reunião plenária do Cicyp, realizada em Montevidéu. Presidente da comissão especial criada pelo CNE em 1961 para estudar a legislação relativa à repressão ao abuso do poder econômico, participou da delegação do Brasil à Conferência Econômica Extraordinária da OEA realizada em Punta del Este, no Uruguai.

Durante o governo do presidente João Goulart (1961-1964), participou do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPÊS), organização de empresários do Rio de Janeiro e de São Paulo estruturada no decorrer de 1961 e fundada oficialmente em 2 de fevereiro de 1962, com o objetivo de “defender a liberdade pessoal e da empresa, ameaçadas pelo plano de socialização dormente no seio do governo João Goulart”, através de um “aperfeiçoamento da consciência cívica e democrática do povo”. Após a vitória do movimento de 31 de março de 1964, de cuja preparação participaria ativamente, o IPÊS viria a reduzir suas atividades, desaparecendo completamente em 1972.

Em 1962 José Garrido Torres tornou-se presidente das comissões especiais de Planejamento Econômico do CNE e da comissão criada por esse mesmo órgão para elaborar o anteprojeto de lei para a regulamentação das sociedades de crédito, financiamento e investimento. Em abril do mesmo ano representou o Brasil na 41ª reunião da comissão executiva do Cicyp realizada em Santiago do Chile, sendo também convidado especial à terceira reunião de governadores do BID, em Buenos Aires. De julho a agosto integrou o grupo de consultores convocado pela CEPAL que, também em Santiago, preparou o relatório intitulado Hacia la coordinación de la política comercial de América Latina. Em novembro de 1962, no Rio de Janeiro, foi delegado à VII Conferência Regional da Food and Agriculture Organization (FAO), órgão da ONU. No ano seguinte secretariou a mesa do I Congresso Brasileiro para a Definição das Reformas de Base, realizada em São Paulo, e foi relator do tema “Dinamização da ALALC”.

Coordenador da exposição anual do CNE de 1963, foi convidado especial para a sétima reunião de técnicos dos bancos centrais do continente americano, realizada no Rio de Janeiro. Em 1964 deixou o CNE e ainda nesse ano, em julho, foi nomeado para o lugar de Genival de Almeida Santos (1963-1964) na presidência do BNDE, em ato do presidente Humberto Castelo Branco. Membro do Conselho Monetário Nacional de abril de 1965 a março de 1967, chefiou a delegação brasileira ao 11º período de sessões da CEPAL, realizado no México. Membro também do conselho técnico da Confederação Nacional do Comércio (CNC) em 1966, foi diretor do Centro de Análise da Conjuntura Econômica da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, e diretor da revista Conjuntura Econômica da FGV. Ainda em 1966, convidado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), participou do grupo de economistas que produziu um relatório sobre a expansão do comércio e a cooperação econômica entre os países em desenvolvimento. Em março de 1967 deixou a presidência do BNDE, sendo substituído por Jaime Magrassi de Sá (1967-1970). No início da década de 1970 foi vice-reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Foi ainda presidente da agência especial do BNDE para financiamento industrial, a Finame, diretor da Associação de Pecúlios dos Executivos (Aspe) e membro do conselho econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do conselho de administração da Companhia Vidraria Santa Marina e do conselho de desenvolvimento da Companhia Progresso do Estado da Guanabara (Copeg).

Jornalista, foi co-diretor de Cadernos Brasileiros. Pertenceu à Royal Economic Society, de Londres, à American Economic Association e à Catholic Economic Association, dos Estados Unidos, à Sociedade Propagadora de Belas-Artes, à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), ao Sindicato dos Economistas Profissionais do Rio de Janeiro e ao Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 6 de setembro de 1974.

Era casado com Lucília Vieira Garrido Torres, com quem teve três filhos.

Publicou diversos trabalhos sobre problemas econômicos do Brasil e seu comércio exterior, além das obras Los pagos y el mercado regional en el comercio interlatinoamericano (em colaboração com Eusébio Campos, 1956), Por que um mercado regional latino-americano? (1958), Operação pan-americana: uma política a formular (1960), A iniciativa particular e a Aliança para o Progresso (1961), Trade expansion and economic cooperation among developing countries (1966).

 

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; BANDEIRA, L. Presença; BLUME, N. Pressure; CONF. NAC. COMÉRCIO. 20; CORRESP. BANCO CENTRAL; CORRESP. BANCO NAC. DESENV. ECON.; Grande encic. portuguesa; Jornal do Brasil (10/9/74); Observador Ecôn. Fin. (7/58); RIBEIRO FILHO, J. Dic.; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Who’s who in Brazilian.

 

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