AFINAL

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AFINAL

AFINAL

 

Revista semanal paulista publicada pela Editora C Ltda. a partir de 4 de setembro de 1984. Deixou de circular em 1989.

Integravam seu corpo editorial, na época do lançamento, Fernando Mitre, diretor de redação; Marcos A. P. Júnior, diretor responsável, e Carmo Chagas, editor de política, entre outros. Sobre os objetivos da revista, Fernando Mitre declarava no primeiro número que, em respeito ao leitor, Afinal buscaria a isenção: “Este respeito se encontra... na raiz da crença fundamental desta revista, que é o pluralismo, ou o direito de discordar, de se opor, de protestar.” Ressaltava, contudo, que, em determinadas ocasiões, Afinal expressaria sua opinião, sem prejuízo da informação.

Afinal nasceu com a proposta de ter, além da edição nacional, edições específicas para as regiões Sul e Norte/Nordeste e para o estado do Rio de Janeiro. A capa do primeiro número da edição nacional chamava a atenção para o resultado de uma pesquisa, encomendada pela revista ao Instituto Gallup, acerca do perfil desejado para o futuro presidente da República. A pesquisa revelou que o próximo presidente deveria ser honesto, popular, competente, confiável, liberal, trabalhador, reformista, franco, firme e simpático.

Afinal deu ampla cobertura à sucessão presidencial de 1985 e apoiou a candidatura de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, já que a eleição direta tornara-se inviável com a rejeição da chamada emenda Dante de Oliveira, em 25 de abril de 1984. Na edição de 22 de janeiro de 1985, Fernando Mitre escrevia em editorial: “Operou-se o milagre: o Colégio Eleitoral, maldito filho do arbítrio, tornou-se o canal por onde transitou a vontade popular. O presidente eleito... disputa uma dimensão do entusiasmo nacional que nenhuma eleição direta proporcionou a qualquer candidato na história deste país... Tancredo Neves, o homem da conciliação, tem diante de si uma tarefa de gigante.”

Já no governo do presidente José Sarney, a revista deu cobertura ao chamado Plano Cruzado, conjunto de medidas econômicas implantadas em 28 de fevereiro de 1986 para acabar com a inflação. A edição de 11 de março trazia na capa a foto do ministro da Fazenda, Dílson Funaro, e a frase: “A reforma histórica: o homem da guerra santa”. Apesar do entusiasmo, a revista enfatizou a oportunidade de se fazer também o que chamou de “reformas sociais necessárias e urgentes que viriam consolidar nossa democracia”.

Em 3 de fevereiro de 1987, a revista publicou matéria sobre a instalação da Assembléia Nacional Constituinte, ocorrida dois dias antes. Em sua avaliação, a Constituinte instalada fora “ofuscada pela crise econômica”: era um paradoxo constatar que constituintes com poderes amplos e absolutos não estavam conseguindo atrair a atenção da sociedade.

Na edição de 11 de outubro de 1988, Afinal publicou matéria de capa sobre a promulgação da nova Constituição brasileira. No editorial, o então diretor de redação, José Roberto Paladino, destacava a importância da atividade parlamentar, a demonstração de amadurecimento dos constituintes brasileiros durante o processo de elaboração da nova Carta e a legitimidade destes.

Afinal cobriu o processo eleitoral de 1989 e entrevistou os principais candidatos à presidência da República. Demonstrou preferência por Mário Covas, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e Guilherme Afif Domingos, do Partido Liberal (PL). Este último, inclusive, chegou a ser capa da revista em 17 de janeiro. Afinal considerava os dois candidatos sérios, capazes de discutir idéias e projetos, e de, assim, elevar o nível da campanha. Por outro lado, a revista foi contrária à candidatura de Jânio Quadros, que se tentava viabilizar à época mas não se concretizou. A edição de 28 de fevereiro trazia uma matéria sobre o ex-prefeito de São Paulo. No editorial, Afinal descrevia Jânio como um “trejeiteiro” e argumentava que sua idade poderia prejudicá-lo junto ao eleitorado. A revista publicou também declarações da deputada federal Dirce Tutu Quadros (PMDB-SP), filha de Jânio, condenando a candidatura e a possível eleição de seu pai.

Afinal manifestou-se, também, contra a existência do horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Para a revista, esse modelo de propaganda eleitoral permitia aos candidatos trocar acusações entre si, mas não os motivava a apresentar soluções para os problemas do país.

Afinal não se posicionou claramente a favor ou contra os dois finalistas que disputaram o segundo turno em 1989, Fernando Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva. Contudo, criticou os interesses fisiológicos que haviam norteado as discussões em torno das alianças que ambos fizeram. No editorial da edição de 21 de novembro de 1989, a revista dizia que, para as alianças, o que contava não eram os interesses nacionais, mas “os desejos pessoais dos políticos, de olhos já voltados para as eleições do próximo ano. Nos eventuais apoios a Collor ou Lula vislumbra-se... a vontade incontrolável de ocupar um palácio de governo, uma vaga na Assembléia Legislativa ou uma cadeira no Congresso Nacional”. A revista destacava também as dificuldades enfrentadas por Lula, ligadas à “insistência do PT em não arredar um centímetro que seja na sua linha de conduta”. Após se perguntar como votariam no segundo turno os eleitores dos candidatos derrotados, a revista concluía de modo otimista, prevendo que no dia 17 de dezembro, independentemente das eventuais alianças fisiológicas, o eleitor “dirá um não a tudo isso, votando no melhor”.

Após a vitória de Fernando Collor de Melo, Afinal publicou na capa da edição de 26 de dezembro de 1989 a foto do novo presidente. A revista reconheceu a legitimidade e a força eleitoral do eleito, mas anteviu as dificuldades que enfrentaria para governar, em função da crise econômica. Após essa edição, deixou de circular por problemas de ordem financeira.

Vladimir Lombardo Jorge

 

FONTES: Afinal (4/9/84; 22/1/85; 11/3/86; 3/2/87; 11/10/88; 28/2, 30/5, 10 e 17/10, 21/11 e 26/12/89).

 

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