ALA MOCA DO PSD

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Nome: ALA MOÇA DO PSD
Nome Completo: ALA MOCA DO PSD

Tipo: TEMATICO


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ALA MOÇA DO PSD

ALA MOÇA DO PSD

 

Facção surgida dentro do Partido Social Democrático (PSD), estreitamente vinculada à campanha presidencial de 1955 e ao governo Juscelino Kubitschek (1956-1961). Defendia a renovação dos métodos políticos do partido e a discussão de teses nacionalistas e modernizantes. Atuou na Câmara dos Deputados entre 1955 e 1961, extinguindo-se no governo Jânio Quadros.

Atuação

Criada no início da legislatura 1955-1959 e batizada pela imprensa, à frente o Correio da Manhã, a Ala Moça reunia jovens deputados federais em primeiro ou segundo mandato: Renato Archer e Cid Carvalho (MA), José Joffily (PB), Oliveira Brito e Vieira de Melo (BA), Ulisses Guimarães e João Pacheco e Chaves (SP), Leoberto Leal (SC) e Nestor Jost (RS). De início, o que os unia era uma intenção difusa de modernizar o PSD; para tanto, a Ala Moça apoiou decididamente a candidatura de Juscelino Kubitschek à presidência da República. Com isso, o grupo esperava fortalecer-se o suficiente para disputar a liderança dos diretórios regionais do partido, firmemente controlados pelos “caciques” pessedistas, isto é, as lideranças regionais que controlavam grande número de votos, como Vitorino Freire (MA), Rui Carneiro (PB), Régis Pacheco e Antônio Balbino (BA), Cirilo Júnior (SP), Nereu Ramos (SC), Válter Jobim e Peracchi Barcelos (RS).

Já no início de 1955 travou-se a primeira disputa entre a Ala Moça e as velhas lideranças, em torno da presidência da Câmara dos Deputados. Ulisses Guimarães e Horácio Lafer, ambos paulistas, dividiram as preferências do partido, que acabou optando por Carlos Luz (MG). Uma vez empossado Juscelino, porém, a Ala Moça ocupou os principais postos da Câmara dos Deputados, constituindo-se no mais importante suporte legislativo do governo. Ulisses Guimarães foi eleito presidente, Vieira foi o líder da maioria, Renato Archer e Cid Carvalho foram vice-líderes e Oliveira Brito foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Além disso, a Ala Moça começou a defender posições nacionalistas, como a intocabilidade da Petrobras, o reordenamento da remessa de lucros e a orientação da entrada de capitais estrangeiros. Seus membros entraram em contato com grupos similares que se formaram nos demais partidos — Bossa Nova da União Democrática Nacional (UDN), Grupo Compacto do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) etc. — discutindo temas até então considerados delicados para o PSD tradicional — reforma administrativa e reforma agrária — ou para a UDN — voto do analfabeto. Esta coincidência de pontos e propósitos com grupos renovadores de outros partidos foi de grande utilidade para a constituição da Frente Parlamentar Nacionalista, grupo de pressão interpartidário formado na Câmara dos Deputados, que absorveria tanto a Ala Moça como a Bossa Nova da UDN e o Grupo Compacto do PTB.

O ano de 1958 marcou o início do afastamento entre Juscelino e a Ala Moça, resultante em parte de uma certa correção de rumo efetuada por Juscelino no governo. Já pensando na sucessão presidencial — parte de uma estratégia cujo objetivo final era sua volta à presidência — ele se reaproximou das lideranças pessedistas tradicionais, visando a consolidar alianças e garantir o necessário suporte eleitoral para seu esquema sucessório. Na reforma ministerial daquele ano, Lucas Lopes substituiu José Maria Alkmin na pasta da Fazenda, contrariando frontalmente a Ala Moça, que se identificava com a política desenvolvida pelo ex-ministro.

Sem o apoio de Juscelino, a Ala Moça começou a perder terreno também no Legislativo. Já em meados de 1957 Vieira de Melo renunciara à liderança da maioria, gerando violenta crise partidária, parcialmente debelada quando Armando Falcão (CE) assumiu internamente a liderança. Em 1958 Oliveira Brito perdeu a disputa pela presidência da Câmara para Ranieri Mazzilli, que foi eleito com o apoio da maioria do PSD e grande parte da UDN, ao lado de José Bonifácio Lafayette de Andrada, escolhido secretário-geral.

A Ala Moça recebeu mais um importante golpe quando suas pretensões de assumir o controle do PSD nos estados redundaram em fracasso. Ulisses Guimarães não conseguiu ser o candidato do partido ao governo de São Paulo — Juscelino pressionou o PSD paulista a não apoiar sua candidatura, para não hostilizar Jânio Quadros. Vieira de Melo, preterido por Antônio Balbino em benefício de Pedreira de Freitas, concorreu ao governo da Bahia pela coligação entre o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Social Progressista (PSP) contra o candidato do PSD e contra Juraci Magalhães, da UDN, que, beneficiado por uma dissidência do PSD que aderiu à sua candidatura, venceu as eleições.

O esfacelamento do grupo foi apressado quando dois de seus membros, Cid Carvalho e José Joffily, lançaram publicamente a candidatura do general Henrique Lott à presidência da República pelo PSD, forçando Juscelino a aceitá-la. A derrota de Lott marcou a dissolução do grupo na Frente Parlamentar Nacionalista, sem que qualquer de seus membros tivesse conquistado postos no comando do partido ou mesmo nos estados. Leoberto Leal faleceu em acidente aéreo em 1958. Nestor Jost foi nomeado para a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil, chegando a presidente do banco (1967-1974). Filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena) e concorreu ao Senado em 1974, sendo derrotado por Paulo Brossard, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). José Joffily transferiu-se para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e em 1964 teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos. Vieira de Melo filiou-se ao MDB e em 1966 concorreu ao Senado, sendo derrotado por Aluísio de Carvalho Filho, da Arena. Renato Archer e Cid Carvalho filiaram-se ao MDB e em 1968 tiveram seus mandatos cassados e seus direitos políticos suspensos por dez anos. Oliveira Brito filiou-se à Arena e exerceu mais um mandato parlamentar de 1967 a 1971, retirando-se da vida pública. Ulisses Guimarães e João Pacheco e Chaves filiaram-se ao MDB e permaneceram na Câmara dos Deputados.

Lúcia Hipólito

colaboração especial

FONTES: BENEVIDES, M. Governo Kubitschek; ENTREV. ARCHER, R.; ENTREV. CARVALHO, C.; ENTREV. CHAVES, J.; ENTREV. JOFFILY, J.; OLIVEIRA, L. Partido.

 

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