NAZISMO NO BRASIL

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Nome: NAZISMO NO BRASIL
Nome Completo: NAZISMO NO BRASIL

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NAZISMO NO BRASIL

NAZISMO NO BRASIL

 

O movimento nacional-socialista surgiu na Alemanha em 1918, e teve como expressão política o Nazionalsozialistische Deutsche Arbeitpartei (NSDAP, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), abreviado como Nazi, derivando daí o uso do termo “nazista” para designar seus membros. O programa do NSDAP, que data de 1920, privilegiou a noção de Lebensraum (espaço vital) e a unidade racial do povo alemão. Estas diretrizes foram mais tarde desenvolvidas no trabalho autobiográfico do líder do partido Adolf Hitler (Mein Kampf) e no livro de Alfred Rosenberg (Der Mythus des 20 Jahrhunderts), ambos inspirados nas teorias acerca da superioridade da raça ariana expostas no século XIX por Gobineau e Chamberlain, e adotadas como dogmas pela Liga Pangermânica em 1893.

O partido nazista chegou ao poder na Alemanha em 1933, quando Hitler assumiu a Chancelaria. Nesse mesmo ano, foi declarado o único partido legal do país: era o início do III Reich, o Estado alemão identificado com o NSDAP e seu Führer (líder).

Entre 1933 e 1938, diversas organizações nazistas agiram no Sul do Brasil, procurando atrair a população teuto-brasileira para o nazismo. Esta tarefa era considerada fácil, uma vez que os descendentes de imigrantes alemães estabelecidos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná formavam uma minoria étnica, rotulada de “teuto-brasileira”, e identificada com a noção de Deutschtum (germanidade): preservação da língua, raça e cultura alemãs. A propaganda nazista, portanto, foi precedida pela divulgação da ideologia pangermanista, que tomou conta de uma parte da imprensa teuto-brasileira entre 1890 e 1917, e pela própria idéia da germanidade, transmitida tanto pela imprensa como pela escola, a família e outras instituições preservadas pelos teuto-brasileiros.

 

As diretrizes da propaganda nazista

A divulgação do nazismo se baseou nos conceitos de Volksgemeinschaft (comunidade nacional) e Volksgenosse (compatriota). À Volksgemeinschaft pertencem todos os alemães e seus descendentes, qualquer que seja a sua cidadania: é a comunidade da raça teutônica. O conceito de Volksgemeinschaft não é especificamente nazista; é característico do próprio nacionalismo alemão e bastante conhecido dos teuto-brasileiros. Mas o de Volksgenosse o é, uma vez que supõe a lealdade para com o Estado nacional-socialista e seu líder. O propósito implícito na concepção de Lebensraum conjugado com a de Volksgemeinschaft é o Reich dos cem milhões de alemães espalhados pelo mundo. Esse propósito exige a unidade de todos os Auslandsdeutschen (alemães no estrangeiro), e nesta categoria são incluídos os teuto-brasileiros: sua pátria é a Alemanha e o Brasil apenas a sua Gastland (terra de hospedagem). A tarefa imposta aos agentes do NSDAP infiltrados nas comunidades teuto-brasileiras seria a de transformar seus habitantes em Volksgenossen.

 

As atividades nazistas no Sul do Brasil

As atividades nazistas no Brasil foram coordenadas pela embaixada alemã no Rio de Janeiro e pelos consulados, especialmente os de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Os agentes do partido tiveram à sua disposição diversos organismos e associações criados pelo NSDAP, que permitiram uma propaganda intensa e a infiltração de pessoas nas principais sociedades recreativas e culturais e nas escolas teuto-brasileiras. Nas cidades maiores, foram estabelecidos diretórios do partido (chamados Ortsgruppe — grupos locais) para coordenar a propaganda, que se fez em três níveis: a) diretamente, através dos diretórios, das associações patrocinadas pelo governo alemão, e das instituições teuto-brasileiras sob controle nazista. Entre estas últimas, destacaram-se principalmente as Schützenvereine (sociedades de tiro). Entre as associações criadas pelos nazistas, se destacaram: o Círculo da Juventude Teuto-brasileira (o equivalente da Juventude Hitlerista), a Frente Alemã do Trabalho e a Associação de Beneficência e Caridade; b) através de anúncios e artigos publicados nos principais jornais teuto-brasileiros, e c) através de publicações periódicas controladas pelos nazistas, das quais o almanaque Volkund Heimat, editado em São Paulo de 1936 a 1938, e jornal Blumenauer Zeitung, editado em Blumenau entre 1886 e 1939, são dois bons exemplos.

Deve ser observado que uma parte da imprensa teuto-brasileira não tinha qualquer ligação com grupos nazistas, e chegavam mesmo a combatê-los. Foi o caso do jornal Der Kompass, de Curitiba, um dos mais importantes da década de 1930. Apesar da intensidade da propaganda, nem todos os teuto-brasileiros aderiram ao nazismo, embora a maioria se conservasse fiel à idéia de unidade étnica. O nazismo encontrou adeptos sobretudo nas classes médias urbanas e na classe empresarial; não teve nenhuma expressão nas zonas rurais.

 

O Estado Novo e o fim das atividades nazistas no Brasil

Com o estabelecimento do Estado Novo, mudou o comportamento do governo brasileiro em relação à ação nazista no Sul, até então tolerada: agora ela era vista como um perigo à estabilidade política do país. Uma série de medidas de caráter geral, tomadas no âmbito da campanha de nacionalização, e visando principalmente ao nazismo, aniquilaram as bases que suportavam a atividade política do NSDAP.

Em 1937 foram tomadas as primeiras providências para extinguir as escolas “alemãs”. O Decreto-Lei nº 383, de 19 de abril de 1938, proibiu a atividade política de estrangeiros no Brasil. A língua alemã foi proibida em 1939 e, em 1941, foi extinta a imprensa teuto-brasileira. Sem a infra-estrutura associativa e de propaganda que fora montada nos três estados meridionais, o nazismo não poderia sobreviver.

Giralda Seyferthcolaboração especial

 

 

FONTES: DULLES, J. Vargas; LOEWENSTEIN, K. Brazil; PY, A. Quinta; SEYFERTH, G. Nacionalismo.

 

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