Boletim Macro - Janeiro 2021

Janeiro 2021 | Boletim Macro 3 À espera das vacinas Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos O ano começa com a superposição de variáveis de grande impacto operando em sentidos opostos. De um lado, com efeito contracionista, há a segunda onda da pandemia, que leva vários governos a reinstituirem res- trições à atividade econômica e os consumidores a conterem sua demanda por serviços. De outro, há o início do processo de vacinação e a perspectiva de forte expansão nas duas maiores economias do mundo. Não só o resultado final, mas também a dinâmica do crescimento este ano, vão depender da intensidade e da distribuição temporal desses dois efeitos. No primeiro trimestre, pelo menos, as forças contracionistas tendem a prevalecer. Assim, aos poucos so- mam-se os sinais de que a pandemia do coronavírus ainda levará algum tempo para ser totalmente controlada no mundo. Mesmo com o início da vacinação, em dezembro de 2020, e com elevada disponibilidade de doses, na grande maioria dos países desenvolvidos o ritmo da imunização tem sido mais lento que o previsto, devido às dificuldades de logística. Apenas recentemente o processo de vacinação acelerou nos EUA e no Reino Uni- do. Nos países da zona do euro, por outro lado, o processo segue muito lento. Nos países emergentes, a vacinação promete ser um processo ainda mais desafiador. Vários países já iniciaram suas campanhas de vacinação, mas há poucas doses disponíveis. A imunização só deve acelerar à medida que as vacinas da Oxford-AstraZeneca, Sinovac e Sinopharm forem aprovadas nesses países, pois os primeiros lotes das vacinas da Pfizer e da Moderna já foram comprados pelos países desenvolvidos. Paralelamente, o número de novos casos continua em patamares muito elevados, em torno de 700 mil ao dia, de acordo com os dados do site Worldometers. Com relação ao número de mortes diárias, a média móvel global de 7 dias está em torno de 14 mil, e sem dar sinais de acomodação. Com isso, superamos as trágicas marcas de 100 milhões de casos e mais de 2 milhões de mortes causadas globalmente pelo vírus. O quadro é de muita incerteza sobre a dinâmica da pandemia, com os infectologistas preocupados com a disseminação de mutações do vírus que têm elevado grau de transmissão. Devido à intensificação da pandemia, vários países europeus e o Japão têm adotado medidas de dis- tanciamento social, com restrição ao funcionamento de estabelecimentos não essenciais. Essas medidas podem ser prorrogadas para conter o surto atual. É pouco claro ainda quando será possível relaxar essas restrições, ainda que se espere uma melhora da situação com a chegada da primavera no Hemisfério Nor- te. Aos poucos, junto com a vacinação, isso deve permitir uma progressiva recuperação da atividade nas economias avançadas. O quadro atual é não apenas difícil, mas também muito heterogêneo entre os países. 2021 será marcado, a partir de meados do ano, por uma rápida retomada das economias dos países desenvolvidos, com destaque para o setor serviços, que deve se recuperar à medida que a vacinação avance. Em particular nos EUA, apesar da intensidade da pandemia, o crescimento econômico permanece resilien- te. Além disso, espera-se que o governo Joe Biden aprove um forte estímulo fiscal, aproveitando o controle de-

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