Boletim Macro - Julho 2021
Julho 2021 | Boletim Macro 3 Pandemia cede, mas recuperação mais expressiva da atividade segue desafiante Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos Há algum tempo enfatizamos a importância de se controlar a pandemia para que a economia possa se recuperar do enorme choque trazido pela COVID-19. A segunda onda da pandemia, foi, nesse sentido, uma ducha de água fria no relativo otimismo que chegou a emergir na virada do ano, em algum grau refletido no bom resultado do PIB no primeiro trimestre de 2021. Retornamos neste início de segundo semestre a um novo ciclo de moderado otimismo, temperado por dúvidas sobre a extensão da recuperação em curso da atividade e a ve- locidade com que os gargalos pré-pandemia voltarão a se apresentar. E, claro, preocupados com novos riscos que se apresentam, de um recrudescimento da pandemia aos impactos da normalização da política monetária nos países ricos, em especial nos EUA. As últimas semanas confirmaram um quadro mais benigno da pandemia do coronavírus no Brasil. O nú- mero de novos casos e de mortes diárias segue em queda, com as médias móveis de sete dias desses dois indicadores recuando para 41 mil e 1,2 mil por dia, respectivamente, de acordo com os dados do Worldometer. Há um mês, essas cifras estavam em 72 mil e 2 mil, respectivamente. Ao mesmo tempo, o ritmo de vacinação se intensificou, para uma média superior a 1 milhão de doses por dia. Os estoques de vacinas disponíveis continuam em patamares elevados e se prevê aumento nas entregas de vacinas neste terceiro trimestre. Recen- temente, Butantan e Fiocruz receberam IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) suficiente para a produção de 20 milhões e 10 milhões de doses, respectivamente. No entanto, é importante mencionar que a pandemia no Brasil tem sido um destaque negativo na compa- ração internacional. O elevado número de casos no mundo é explicado, principalmente, por Indonésia, Brasil e Reino Unido. Além disso, desde junho, o Brasil assumiu a décima posição em termos de número de mortes per capita no mundo, e, recentemente, superou a marca de 2.500 óbitos por milhão de habitantes. Com relação à pandemia no mundo, apesar de um cenário mais favorável, há preocupaç es no horizonte. Em primeiro lugar, a variante Delta têm se espalhado pelo planeta, elevando o número de infecç es. Na Europa, Reino Unido e Espanha são os países mais atingidos até momento. A boa notícia é que o aumento no número de casos não tem elevado a taxa de internação e o número de mortes; ou seja, os impactos sobre a atividade econômica devem ser limitados. A elevada taxa de imunização nesses países é o fator determinante para um cenário de baixa letalidade da variante Delta. Um segundo alerta é que a grande maioria dos países mais pobres está muito vulnerável a essa nova variante, devido à baixa taxa de vacinação. O risco de aumento expressivo na mortalidade nesses países é elevado. No Brasil, à medida que a pandemia seja controlada, é esperada uma abertura mais ampla da economia, com as medidas de restriç es de algumas atividades sendo gradualmente retiradas. De fato, recentemente o indicador de mobilidade do Google Mobility Report atingiu o maior valor no pós-pandemia, com aumento em todas as categorias divulgadas, com destaque para o componente relacionado a “Mercados e Varejo”. Segun- do esses dados, já estamos muito próximos de voltar aos níveis pré-pandemia.
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