INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

 

Teoria crítica

 

 

Fernando C. Prestes Motta; Rafael Alcadipani

 

 

A teoria tradicional em Administração, baseada principalmente na Sociologia norte-americana e na Psicologia Social, busca a eficiência e a eficácia, apresentando uma visão pragmática das organizações. A teoria crítica da Administração, por sua vez. contribui para denunciar o poder e a ideologia como dominação nas organizações tentando buscar a emancipação do homem. A bibliografia que segue expõe um pouco melhor o tema. São sugestões de leitura do professor Fernando C. Prestes Motta e de Rafael Alcadipani. do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da FGV-EAESR compiladas por Roberta Almeida.

 

 

ORGANIZAÇÃO E PODER: empresa, Estado e escola
Fernando C. P. Motta. São Paulo : Atlas, 1986. 143 p.

A obra mostra corno a articulação entre o Estado, a escola e a empresa acaba por auxiliar na dominação da sociedade, mostrando as diferentes faces do poder nas organizações. O autor destaca que essas três organizações levam à formação de pessoas dóceis e produtivas que têm o seu potencial político inibido e o produtivo, enfatizado. O autor utiliza-se de um referencial teórico marxista para compreender a superestrutura da sociedade e de um weberiano para a discussão da infra-estrutura da sociedade.

 

 

TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES: evolução e crítica
Fernando C. P. Motta. 2. ed. rev. anipl. São Paulo : Pioneira/Thomson Learning, 2001. 113 p.

Com edição revista e ampliada, recentemente lançada em julho de 2001, o livro faz uma análise da evolução da teoria da administração, mostrando seus principais desenvolvimentos, tanto em contexto anglo-saxão quanto em soviético. Posteriormente, mostra a sua crítica por meio de um referencial de análise marxista e weberiana. denunciando a teoria das organizações como ideologia que serve às classes dominantes e à submissão das pessoas.

 

 

BUROCRACIA E IDEOLOGIA
Maurício Tragtenberg. São Paulo : Ática, 1974. 228 p.

A obra oferece uma das bases mais fundamentadas sobre a crítica weberiana e marxista da teoria da administração. mostrando a faceta de ideologia da burocracia. A tese de Tragtenberg e que a burocracia serve como ideologia que mascara as faces de poder e dominação presentes em sua estrutura e funcionamento. O autor mostra que a pseudo "igualdade perante a lei e a norma" serve para mascarar as desigualdades presentes na sociedade.

 

 

ADMINISTRAÇÃO, PODER E IDEOLOGIA
Maurício Tragtenberg. São Paulo : Moraes, 1980. 198 p.

A partir de uma perspectiva de análise marxista e weberiana, o autor aponta vicissitudes e problemas da onda de participacionismo na administração. Para tanto, discute o participacionismo em vários países da antiga União Soviética criticando essa ideologia.

 

 

PANDEMONIUM: towards a retro-organization theory
Gibson Burrell. London : Sage, 1997.

Inovador pelo estilo e pela forma, o livro traz uma abordagem inédita da maneira de fazer crítica às organizações, tratando sua teoria como um grande espetáculo. A teoria das organizações é tida como uma cidade denominada Pandemonium, e seus diferentes bairros tratam de diversos temas, geralmente negligenciados, da teoria das organizações. O leitor é convidado a fazer um tour por toda a cidade, deparando-se com discussões críticas sobre sexualidade, MBAs, geração de conhecimento, novas tecnologias, etc. nas organizações.

 

 

WORKPLACES OF THE FUTURE
Paul Thompson e Christopher War hurst. London : MacMillan, 1998. 248 p.

Sob um prisma marxista, o livro traz uma coletânea de artigos que tratam dos diversos locais de trabalho, variando de escritórios a hospitais, desmascarando as faces do poder e da ideologia presentes nesses ambientes e de "novas" iniciativas de gestão como qualidade total e fusões e aquisições. Desta forma, o livro desmascara e critica muitas das iniciativas de gestão tidas como neutras e inovadoras, que pretendem aumentar a participação das pessoas na tomada de decisões e no ambiente de trabalho.

 

 

REFLEXIVE METHODOLOGY: new vistas for qualitative research
Mats Alvesson e Kaj Skoldberg. London : Sage, 2000. 319 p.

Os autores discutem a necessidade de metodologias reflexivas para a realização de pesquisa em estudos organizacionais. Além disso, trazem à tona uma discussão dc como fazer pesquisa em organizações utilizando-se a integração de estratégias dc pesquisa qualitativa e teorias críticas das organizações. A metodologia reflexiva apontada pelos autores envolve tanto tradições modernistas (entrevistas, questionários, etnografias, etc.) quanto pós-modernistas (desconstrução, genealogia, arqueologia, análise do discurso, etc.).

 

 

MAKING SENSE OF MANAGEMENT: a criticai introduction
Mats Alvesson e Hugh Willmott. London : Sage, 1996. 246 p.

Sob o prisma da teoria critica gerada na Escola de Frankfurt, o livro discute a importância de uma teoria crítica para a análise das organizações. Descarta a administração como neutra e aponta suas faccs dc ideologia, controle e dominação. Mostra como diferentes especialidades da administração - tais como marketing, contabilidade. recursos humanos e operações - podem ser analisadas e tratadas sob uma perspectiva crítica. Os autores destacam também a importância dessa teoria para emancipar os seres humanos.