INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

Perspectivas culturais sobre a dominação financeira da economia e das organizações

Silvio Eduardo Alvarez Candido

ORCID: 0000-0002-5275-6577. seacandido@ufscar.br

 

Nas últimas décadas, assistimos a rápidas transformações na dinâmica das economias capitalistas de todo o mundo. Importantes autores das Sociologias Econômica e das Organizações Contemporâneas buscaram interpretá-las a partir de olhares que enfatizam a importância das relações culturais e de poder na construção dos processos econômicos. A maioria desses autores associa as mudanças a alterações na dinâmica de acumulação decorrentes da desregulamentação dos mercados, que possibilitaram a sobreposição do setor financeiro sobre os ditos produtivos da economia e uma apreciação da valorização do capital via mercado financeiro em detrimento da via industrial. As obras indicadas sistematizam discussões sobre como esses processos se desdobraram e quais foram suas consequências organizacionais e para o trabalho, oferecendo um bom "atalho" para a compreensão dos nossos dias.

 

 

MANAGED BY THE MARKETS. How finance re-shaped America
Gerald F. Davis. New York, NY: Oxford University Press, 2009. 304 p.

Na obra, o professor Gerald Davis, da Universidade de Michigan, oferece uma análise compreensiva dos processos de financeirização dos Estados Unidos a partir dos anos 1980, abordando como eles afetaram empresas, bancos, o Estado e os cidadãos. A análise dessa ampla reorganização do país não é importante apenas por si só, mas pela sua enorme influência sobre outras partes do globo, sendo um excelente ponto de partida para o assunto.

 

 

DECIFRA-ME OU TE DEVORO: O Brasil e a dominação financeira
Roberto Grün. São Paulo, SP: Alameda, 2015. 346 p.

Em outro livro abrangente, o professor Roberto Grün aborda as formas específicas como as finanças se impuseram culturalmente na sociedade brasileira. Sua análise passa pelas oscilações da cultura econômica com as transformações políticas e pelas transformações dos modelos de empresa nas últimas décadas, culmina na interpretação da governança corporativa como espaço central da dominação financeira e deságua na análise das ambíguas relações dos governos petistas com as finanças.

 

 

MARKETS ON TRIAL: The economic sociology of the U.S. financial crisis.
Michael Lounsbury & Paul M. Hirsch (Orgs.). Bingley, UK: Emerald Books, 2010.

Nesta relevante obra, apresentada em dois volumes, alguns dos principais autores das Sociologias Econômica e das Organizações Contemporâneas são mobilizados para construir interpretações e recomendações alternativas às dos economistas para a crise financeira de 2008. As análises de eventos dramáticos associados à crise são particularmente reveladoras dos fundamentos culturais das múltiplas formas de racionalidade social, historicamente construídas, que dão base para o funcionamento dos mercados financeiros.

 

 

THE VANISHING AMERICAN CORPORATION: Navigating the hazards of a new economy
Gerald Davis. Oakland, CA: Berrett-Koehler Publishers, 2016. 234 p.

Partindo da afirmação provocativa de que as grandes corporações estão gradualmente desaparecendo das economias desenvolvidas, Davis argumenta que a hegemonia financeira tem enfraquecido os mecanismos de coordenação hierárquicos típicos das grandes empresas e promovido a ascensão de formas de coordenação via contratos comerciais vinculados à realização de projetos e tarefas. Essa tendência se radicaliza com a difusão das plataformas digitais que conduzem à "uberização" dos modelos de negócio dominantes.

 

 

ENRICHISSEMENT: Une critique de la merchandise
Luc Boltanski & Arnaud Esquerre. Paris, France: Gallimard, 2016. 672 p.

Aplicando a abordagem pragmática das justificações para contrapor as teorias clássicas do valor, os autores argumentam que a desindustrialização das economias europeias e a ampliação da desigualdade impulsionaram o que chamam de economia do enriquecimento, promovendo a valorização do que é único, raro e antigo. Trata-se de um olhar alternativo sobre as recentes transformações no capitalismo, que busca ensejar críticas que sejam efetivas para moralizar sua dinâmica e controlá-lo.

 

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